Hoje eu nem quero falar da fórmula desse brasileirão.. Nem é isso que me incomoda agora. O fato é que a gente liga a televisão e há duas emissoras transmitindo o campeonato no mesmo instante, as duas transmitem a mesma partida, por interesses financeiros que sejam, e o mais incrível é que esta partida não está valendo absolutamente nada, ao passo que no mesmo horário uma vitória do São Paulo vai fazê-lo campeão... e ninguém vai ver!!
Que coisa mais absurda!!
O Brasil inteiro vendo Flamengo e Corinthians, por nada, e o campeonato sendo decidido noutro jogo (emocionante ou não, que seja!) só para quem está lá no estádio assistir. Isso é uma pouca vergonha!!!
Além dessa fórmula, que "chineleia" uma grande final, temos é que trocar esse monte de emissoras que usam um espaço público (sim, porque espaço de TV é uma concessão pública) com interesses privados (sim, porque eles pagam, como empresas que visam o lucro, pra ter direito sobre o campeonato brasileiro e exibirem o que bem entedem em troca de milhões em propaganda), e não ligam nem um pouco pro campeonato em si!!
Eu não sei, mas acredito que é só no Brasil que o jogo que vale o título é decidido num jogo sem que ninguém o exiba publicamente!!!
Importante: Isso não é uma crítica ao São Paulo, time que fez uma campanha brilhante, muito acima dos demais times e é (ainda não acabou o jogo, mas vai ser..) o bicampeão absoluto do Brasil, e sim a esta fórmula que faz o São Paulo levantar a taça numa linda festa, infelizmente tendo como o adversário desta noite tão importante, gravado e documentado em todas as fotos, vídeos, textos da história do nosso futebol, o lanterninha e meia-boca (desculpem torcedores potiguares, mas esse campeonato do América foi absurdamente ruim) time do América, sem trasmissão para todo o Brasil!!!!... Nem sequer pra cidade de São Paulo!!!
E todos vamos conhecer o campeão brasilero em sua noite de glória pelos melhores momentos no Jornal da Globo, ou do Jornal da Noite...
Desde que Joseph Blatter assumiu a presidência da Federação Internacional de Futebol AMADOR, em 1998, o nível do esporte vem decaindo de forma signficativa. O que se tem visto desde lá é uma tentativa de transformar o "mundo da bola" em um "negócio da bola", cada vez mais empresarial, político e lucrativo e menos empolgante. Os fair plays propostos pelo sueco suiço estão levando o glorioso esporte bretão a se tornar algo interte, corriqueiro.. enfim, em entretenimento.
No entanto, de todas as decisões ruins que Blatter e seus companheiros de jogos de xadrez às tardes tomaram, escolher o Brasil como sede de uma Copa do Mundo foi a pior. Tanto que a CBF já começou com um erro grosseiro: o que Paulo Coelho estava fazendo na Suiça, e por que Pelé, o maior jogador de todos os tempos, não viajou com a delegação?
A resposta, claro, é que Pelé não vai com a cara de Ricardo Teixeira, e vice-versa - portanto, o presidente da CORRUPÇÃO Brasileira de Futebol, no cargo há mais ou menos oito mil anos, só dá chances para seus amiguinhos políticos. E são esses amiguinhos que vão supervisionar as obras, fazer os projetos, superfaturar os orçamentos... é um bom momento para conhecer pessoalmente o cara.
Sem contar, claro, no dinheiro público que vai escoar para o torneio. Será que vão criar um Imposto da Copa? Já até vejo o mascote na TV dizendo "Pague em dia e concorra a ingressos para jogos". De resto, ouvi dizer que os flanelinhas já estão fazendo cursos de inglês, os malabaristas das sinaleiras comprando camisetas "Brasil 2014" e os mendigos se comprometendo a evaporar para não comprometer a boa imagem do país. E a questão da segurança não é problema, sempre se pode desviar dinheiro que seria investido em educação (por falar nisso, as torcidas organizadas já estão se preparando para mostrar aos hooligans quem são os mais machos).
Enquanto isso, o povo comemorando nas ruas não percebe que não terá condições de comprar um ingresso. E gente como eu, que em 2002 acordou às cinco da manhã para assitir Rússia x Tunísia, terá que economizar alguns meses para justamente conseguir assistir um Rússia x Tunísia qualquer. Já "apaixonados" por futebol do quilate de William Bonner, Luciano Huck e Carolina Dieckman, entre outros, receberão ingressos de graça antes que se possa dizer "Ibrahimovic".
Difícil não se envolver nas discussões que um certo filme sobre o BOPE anda causando - até porque, sendo Tropa de Elite um fenômeno social, todos querem dar sua opinião sobre o "Capitão Nascimento", sobre a corrupção, sobre as drogas... enfim, agora todos querem falar sobre problemas que deveriam ser discutidos na mídia frequentemente, e não a cada sucesso de bilheteria (eu sei, eu sei, teoria do agenda-setting e tal).
O cinema , enquanto arte / entretenimento / publicidade / produto, pode ser discutido por qualquer pessoa com coerência, não obrigando ninguém a saber o número de leucócitos que cada frame possui para opinar(falando em um tipo de discussão relativamente superficial, claro - um advogado, um engenheiro, um médico e um estagiário de informática podem, em uma mesa de bar, realizar uma conversa decente e enriquecedora sobre determinado filme).
Mas quando a conversa gira em torno de um "filme-evento" - sobre o qual todo mundo já possui idéias pré-estabelecidas graças às propagandas - volta e meia alguns debatedores acabam se apoiando em slogans e estratégias de marketing para se justificar, falhando ao enxergar de forma crítica a obra em si (em um debate sobre o filme 300, por exemplo, é comum alguém recorrer ao argumento de "filme revolucionário" - expressão martelada insistentemente pela publicidade do mesmo -, ignorando que a película de Zack Snyder recicla idéias e técnicas de Amor Além da Vida, Snatch - Porcos e Diamantes e Sin City - A Cidade do Pecado).
Dito isto, é um absurdo que as pessoas se refiram a obras como Tropa de Elite, Cidade de Deus ou O Resgate do Soldado Ryan como sendo "a realidade". Ora, o cinema é sempre uma representação, e nunca a realidade propriamente dita. O que se vê na tela é apenas uma encenação do real, manipulada por elementos como iluminação, fotografia e edição, cujo trabalho é expor o ponto de vista do diretor. Não quero aqui dizer que a invasão da Normandia filmada por Spielberg é falsa ou exagerada, não é isso, mas ela não passa de um recurso dramático utilizado dentro de uma narrativa para provocar no espectador determinada reação (tensão, horror, medo). Um filme que quisesse fazer propaganda da guerra, por exemplo, provavelmente destacaria valores como honra, lealdade e amor à pátria (pouco abordados nos vinte minutos iniciais de O Resgate do Soldado Ryan), ao invés de se concentrar nas tripas e pedaços de corpos voando (abordados de forma maciça).
Muitas vezes, inclusive, um filme propositalmente exagerado (como Laranja Mecânica ou Assassinos por Natureza) consegue abordar um tema com mais precisão e impacto do que uma narrativa convencional. Tudo depende do que se quer dizer. No caso de Tropa de Elite, optar por um estilo "documental" foi uma decisão acertada, pois a câmera sempre chacoalhando e a fotografia escura realçam a condição marginalizada dos moradores das favelas (enquanto a iluminação clara da sede do BOPE dá um tom de impessoalidade).
Mas o cinema possuí tantas formas de abordar uma história, tantas formas de cativar o espectador, que devemos desconfiar toda vez que alguém fala "... com um realismo nunca antes visto". No final das contas, José Padilha seguindo os atores com a câmera na mão e Oliver Stone apresentado dois assassinos em uma estrutura parecida com a de um sitcom buscam a mesma coisa: provocar o espectador. Nos filmes citados, ambos obtiveram sucesso. Agora, se uma película sobre fantasmas como O Sexto Sentido consegue trabalhar melhor a questão do isolamento e das relações humanas do que um filme "realista" como Babel, quem pode dizer o que é real?
Olha que bala, achei uma reportagem no jornal ZH que cita a participação das montadoras no mercado nacional, de janeiro a setembro deste ano, em vendas de automóveis. A líder, até o momento, é a italiana Fiat, dona da Ferrari e da marca que estampava uma cobra até pouco tempo, ai ai... (“tutti buona genti”, é assim Kleiton? meu "portuliano" é uma M!)
Fiat: 26,03% VW: 23,03 GM: 21,48 Ford: 10,76 Honda: 3,52 (aquele da propaganda “Não tem cara de tiozããããoo..”) Peugeot: 3,40 Toyota: 3,11 Renault: 3,05 Citröen: 1,94 Outros: 3,68
“84, 74% dos modelos vendidos neste período eram biocombustíveis”.
A coluna já sai atrasada, e todos sabem que a causa é a monografia. Na verdade, tudo nos últimos tempos gira em torno da monografia. Então decidi que a coluna dessa semana também vai girar em torno dela. Às favas com o assunto originalmente proposto para a coluna - tecnologia. Só não quero deixar os leitores no vácuo.
Estive pensando como será minha participação no Cataclisma14 nas próximas semanas. E acreditem: a perspectiva não é nada animadora. Os dias abaixo são as quartas-feiras que, teoricamente, deveriam trazer uma coluna Expressão Digital.
31/10 - Dois dias antes, terei entregue o formulário com os nomes dos 3 professores que farão parte da banca, bem como o título e as definições de data/hora. Ou seja, não dá mais pra voltar atrás. Bate o desespero, tento analisar os portais governamentais até de madrugada, e a coluna talvez saia na quinta-feira, talvez não.
07/11 - A data de entrega das três cópias da monografia está a exatas duas semanas de chegar. Vejo que não tenho o número de páginas que esperava ter, e o desespero volta. Um lembrete do Google chega no meu email: "Postar Expressão Digital". Putz. Num golpe de covardia, escrevo sobre as observações que fiz na análise da minha monografia, que têm a ver com o assunto da coluna, e que são as únicas coisas que passam pela minha cabeça no momento.
14/11 - 1 SEMANA!!!! PUTA QUE PARIU!!!! 1 SEMANA!!! Nada de coluna, como vocês podem imaginar. Últimos ajustes na monografia. Olho para o relógio (do celular) a cada 5 minutos, pensando que são 300 segundos a menos para entregar o trabalho final que vai me libertar dos grilhões da faculdade. Ansiedade pegando.
21/11 - Êxtase total. Levo as três cópias da mono até a secretaria, provavelmente peço um recibo, para garantir. Volto pra casa, abro uma champanhe, comemoro com as pessoas próximas e escrevo uma coluna light e desconexa, mas finalmente dentro do prazo.
28/11 - A ansiedade da espera pelo dia da banca é terrível. Além disso, ainda tem o trabalho de Especialização (quem mandou não fazer antes...?) e o trabalho final de Psicologia Social I, pra complicar mais minha vida. Não me importo de tirar um C, desde que acabe o pesadelo. Coluna burocrática, provavelmente sobre alguma notícia tirada do IDG Now!.
05/12 - Já terei apresentado o trabalho para minha banca. Mais êxtase, outra champanhe aberta, talvez um jantar fora para celebrar. Outra coluna desviada do assunto, com expressões como "UHUUU!!!" e frases desconexas sobre formatura.
A partir daí, espero manter a regularidade, voltando a postar às quartas-feiras.
Foi inaugurada, no último dia 9 de outubro, a exposição “Memória visual de Porto Alegre e as transformações da cidade”. Lá, deve ter sido lançado um livro e um banco de imagens sobre a cidade. Saiu reportagem no Jornal Correio do Povo, do dia 7, e eu guardei aqui pra não esquecer. Há umas duas semanas, visitei a exposição dos 50 anos do Grupo RBS e achei realmente bem interessante. O que me fez visitar a exposição da RBS? Sim, a propaganda da TV. Se eu tivesse visto os papeis guardados aqui, teria ido visitar a exposição de memória visual. Mas não vi.
Vale a pedida para aqueles que curtem ver fotos dos prédios e ruas antigas da nossa capital, o que é o meu caso. Certa época, ainda trabalhando no Museu da UFRGS, descobri que a universidade tem várias fotos em P&B de Porto Alegre, do início do século passado (o século XX, não confunda!). De várias imagens, encontrava-se apenas o filme, sem revelação.
Sobre as imagens da tal exposição de memória visual, diz a reportagem do CP lá do dia 7, há registros da inauguração da Ponte do Guaíba (que inclusive saiu foto da “maquete” antes da sua construção, em ZH da semana passada, não me lembro qual), a primeira procissão de Nossa Senhora dos Navegantes e alguns desfiles militares, na época em que estes desfiles eram realizados na Rua dos Andradas. Pra você que ficou curioso, a exposição ainda deve estar aberta no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (Rua dos Andradas, 959).
Na Zero Hora de hoje, página 41, há uma breve entrevista com o Felipão, que estava de passagem pela Capital - na verdade, como disse o repórter, são os "principais trechos". Das oito perguntas publicadas, uma se refere ao Brasil nas eliminatórias, uma à dupla Gre-Nal no Brasileirão, três se referem ao soco que o técnico deu no sérvio Dragutinovic e (apenas) uma questiona as chances de Portugal na Euro 2008.
As duas que faltam, reproduzo abaixo:
ZH - O Pato tem de jogar na seleção? Felipão - Este não é um assunto que tu tenhas que falar comigo. Tens que falar com o Dunga.
ZH - E se o Pato fosse português? Felipão - Iria observá-lo para trabalhar na seleção de Portugal. Mas ele não é português. Não é um tema sobre o qual eu possa opinar.
Duas perguntas, em oito, sobre um profissional com vinte e poucas partidas no currículo e que atualmente não está jogando por nenhum clube(entretanto a Eurocopa, cujas eliminatórias terminam em novembro e possuí poucas equipes já classificadas, praticamente não foi abordada).
Considerando que, no intervalo da partida Brasil x Equador no Maracanã, ao invés de mostrar os gols das eliminatórias (tanto da Euro como da Copa) a Globo preferiu entrevistar a Fernanda Montenegro, chegamos à conclusão de que "globalização" é uma coisa completamente diferente de "globoalização".
Fica só como recomendação de leitura, ainda sobre o Tropa de Elite.
Um aperitivo:
"Esta guerra contrapõe dignidade a tolerância; autopreservação a escrúpulos; liberdade a responsabilidade. É preciso escolher um lado. Todos estão certos e errados, mas separados de maneira inconciliável. O cerne da questão, o que precisa ser mudado, são as circunstâncias."
É sempre a mesma coisa. Fico até impressionado com a falta de criatividade dessa mídia. Desde que o Grêmio é o Grêmio, toda vez que o Tricolor da Azenha começa a incomodar os times do eixo pop Rio-SP eles chamam o time de violento.
Na semana pós-jogo contra o Palmeiras, se repetiram as críticas ao comportamento da equipe amparados por imagens devidamente cortadas como em um programa eleitoral das quais já se originaram processos contra dois jogadores.
Alias, por falar em processos, a promotoria do STJD entrou com um recurso contra a decisão do mesmo tribunal em inocentar o Grêmio no inquérito a respeito dos acontecimentos do jogo contra o Inter, quando lançaram rojões em direção ao campo (não confundir com ‘no campo’). Quer dizer, querem punir o time de qualquer jeito, me convençam de que isso não é perseguição.
Voltando às criticas que teceram aos jogadores. O que aconteceu naquela partida foi puro futebol. O futebol raiz, pré-fair play. Valdívia provocou o mais que pode, e desde antes do jogo, com declarações polêmicas a respeito dos adversários. Fez o dele, não vou recrimina-lo por isso. E teve a resposta que mereceu! Ou talvez não: eu bateria mais um pouco...
Aí aproveitam esse jogo – que não foi jogâo porque faltou um pouco de bola, mas que foi acima da média só pelo clima – e chamam o Grêmio de violento. Não quero usar números porque qualquer primata sabe que os números mentem sim e que o jeito mais fácil de manipular é usando números. Só que se cada falta contasse um gol, o Grêmio estaria na zona de rebaixamento. Talvez se batesse como dizem que bate, o time estaria disputando o título ainda.
Não estou sendo tão radical, é claro que não incito o clima de guerra entre torcidas, mas o que acontece dentro das quatro linhas não devia ser tão controlado quanto está sendo ultimamente.
A questão é que aquilo é acontecimento de jogo, algo natural. Recriminar esse tipo de acontecimento é podar a competitividade. E se a competitividade não é importante no futebol, então é melhor os 22 jogadores se darem as mãos em volta do círculo central do gramado e brincar de ciranda!
Olhando a tabela do brasileirão, neste momento, fico arrepiado em pensar como uma fórmula diferente seria benéfica para o campeonato. Hoje, faltando 7 rodadas para o final, meio de outubro, já sabemos o campeão, nos resguardando a observar quem será o vice, sem um confronto direto que decida isso numa emocionante partida.
Penso numa fórmula simples, na qual o 1º colocado enfrenta o 4º colocado em duas partidas, com o segundo jogo na casa do time de melhor campanha na primeira fase. Outros dois jogos entre 2º e 3º colocados, com a mesma regra.
Grêmio e São Paulo, com o Olímpico borbulhando de gente. Jogaço. Santos e Cruzeiro, com a Vila entupida e o Mineirão numa festa linda numa tarde de domingo, cheião! Nesta fórmula, os clubes brigariam durante a primeira fase, não apenas pela vantagem nos confrontos finais, como pelas vagas na Libertadores. Assim, até o final de novembro, teríamos uma briga pelas 4 vagas do torneio continental. Seria uma briga bacana com um foco apenas.
A partir daí, com a vaga já garantida na Libertadores, os 4 times então não precisariam mais poupar ninguém, já saberíam do seu próximo ano e partiriam com tudo para ver quem é o melhor do brasileirão. O "dezembro fervente" seria o mês de ver quem é o melhor do pais, uma prévia pra ver quem tem maior força no mata-mata para a Libertadores que viria a seguir.
Me arrepio só de pensar. Por outro lado, seria a oportunidade de fazer com que o eixo Sp-Sp, ou Tietê-Morumbi, disputasse em pé de "quase" igualdade com outros clubes. É a oportunidade das equipes que tinham compromissos com os estaduais, ou mesmo com outros torneios importantes no início de abril, chegarem com força na reta final e provarem que são melhores.
Seria uma festa, seria muito melhor, teria graça pois as equipes brigariam pelo título e não por uma vaga na libertadores. Só os 4 primeiros, 4 partidas (2 de semi, 2 de final). Seria "ducaralho". Mas o pessoal que inventa o campeonato não pensa assim.
Digo e repito pra quem não concordar pensar a respeito: Não tem fórmula certa em que "ganha o melhor". Se é melhor, tem que ganhar do início ao final. É assim que se faz um campeão, ganhando quando VALE! Terminou em 4º a primeira fase porque era o que precisava pra chegar nas finais e arrebentar!.. É ou não é?
PS: O Grêmio, campeão de 1996, foi líder do campeonato na primeira fase, ao lado do Atlético PR, faltando umas 4 ou 5 rodadas para o final. Com a vaga garantida, perdeu as últimas 3 partidas da primeira fase e foi campeão. Era o melhor e terminou a primeira fase em sexto. É isso. Pontos corridos são pura bobagem... bobagem sem graça!
Exatamente. Aliás, eu nunca sequer fui indicado para um, o que é uma injustiça maior do que aquele gol Winning Eleven que a República Tcheca tomou da Grécia, sendo eliminada na semifinal da Eurocopa 2004.
Como protesto, enumerarei aqui os principais motivos que me levam a querer um Oscar, na esperança de que a Academia veja o post, sinta-se culpada e me dê pelo menos uma indicação:
1 – Fazer um filme ruim
Pelas leis do cinema, sempre que o cara ganha um prêmio da Academia o segundo filme dele é uma bomba. E fazer um filme ruim deve ser ducaralho: em primeiro lugar, não há por que se preocupar com a qualidade do mesmo (já que, na condição de pós-Oscar, ele será ruim de qualquer jeito), dando mais espaço para a diversão descompromissada; em segundo, porque os filmes ruins sempre têm uma mina gostosa participando. E todos sabemos que para atrair mais mulheres do que um Oscar na prateleira, só um show do Roberto Carlos.
2 – A comemoração
Tipo, eu nunca farei um gol em uma Copa do Mundo. Já desencanei disso. No entanto, receber um prêmio da Academia pode ser a chance de pelo menos comemorar de forma insana: além de virar para os outros indicados e gritar “CHUUUUUUPA!!”, dá pro cara fazer trenzinho, aviãozinho, dar um salto mortal... vale tudo. Que o diga Roberto Begnini que, ao vencer o prêmio de melhor ator, saiu caminhando por cima das cadeiras do Kodak Theater e ninguém reclamou. Tente você, não-oscarizado, fazer isso nas poltronas do Cinemark e veja se vão deixar.
3 – Brincadeiras à parte
A cerimônia é transmitida para, literalmente, uma caralhada de gente, o que dá ao vencedor a oportunidade de ir até o microfone e contar piadas internas, cumprir apostas, enfim, fazer papel de idiota e gostar. Além disso, estamos falando de um prêmio que é um homenzinho pelado e dourado – brincadeiras do tipo “Ei, esse cara aqui está pelado, nunca vão deixar isso ir ao ar!”, ou “Eu já vi mulheres dessa cor nos desfiles carnavalescos no Brasil”, ou ainda erguer como se fosse um troféu e perguntar se pode dar a volta olímpica são sempre bem-vindas.
4 – Ganhar dinheiro
No final das contas, todo mundo sempre lembra quando o cara ganha um Oscar, ou seja, não há motivo real para manter o troço na prateleira. Portanto, uma idéia bastante coerente é derreter o prêmio e vender como se fosse a Taça Jules Rimet. Eu sei, já fizeram isso com a verdadeira taça, mas ei, como o cara poderia provar que aquela é verdadeira e essa é falsa? Um marketing bem planejado pode dar conta disso, e o valor de venda pode deixar o cara tranqüilo pro resto da vida. Na pior das hipóteses, a VEJA faria uma capa com algo tipo “A verdadeira Taça Jules Rimet foi vendida novamente – chamem o Capitão Nascimento”, o que é sempre engraçado.
Ok, faz horas que eu não falo de fórmula 1, também ninguém aqui tá afim de ler a mesma coisa que encontra escrita em tantos outros lugares, ainda mais que não tem brasileiro na briga este ano. Buenas, mesmo assim, fiquei eu imaginando o GP Brasil depois daquelas lambanças que foram os últimos 2 GPs. Depois de um ano inteiro sem problemas, a McLaren perdeu os pontos no tribunal e o céu virou inferno pra equipe inglesa. Fora da disputa pelos construtores, os pilotos se acham agora no direito de fazer “o que der na telha” pra ganhar o campeonato de pilotos. Isso quer dizer que a McLaren deixou de ser uma equipe para transformar-se em duas, absolutamente opostas.
É óbvio que o GP Brasil vai ser uma droga. Os pilotos estão juntos na pontuação, mas eu ainda acho que Hamilton tem muito mais sorte que os demais. Acho que o GP Brasil vai ser monótono e o Hamilton, com algum segundo ou terceiro lugar, deve levar o título.
Mas, se fosse eu quem escrevesse o roteiro desse último GP, eu o faria bem assim:
(...) Buenas, Lewis Hamilton chega ao Brasil pressionado pela imprensa que já o vê como campeão há umas 3 ou 4 corridas. Logo na superpole, nos treinos, dá uma escapada de pista um tanto inexplicável na subida pro laranjinha, o que o faz largar numa humilde 8ª posição.
Sem querer tomar conhecimento dos adversários, Fernando Alonso, voa dentro do circuito com sua McLaren, entretanto, como a equipe ajuda mais o “companheiro” de equipe do que ele, o seu melhor resultado é um 3º lugar na largada. Na frente as duas Ferraris, com Massa na pole, para delírio da galera, e Raikkonen em segundo.
Vamos para a largada!! Largando por fora na curva, Massa poderia passar em primeiro, mas é óbvio que quem passa na frente no S do Senna é Raikkonen. Hamilton no meio dos outros carros e pilotos meia boca (tipo o Rubinho, tá ligado?), está suando para passar por ali, conseguindo no máximo uma posição, é sétimo. No fim da primeira volta, estamos com Raikkonen fazendo 10 pontos e indo pra 110, Alonso fazendo 6 e indo para 109 e Hamilton fazendo 2, indo pra 109 também.
O tempo vai passando e Raikkonen dispara. Massa segura o Alonso até que o espanhol adianta a parada pra sair daquela encrenca. Massa está mais pesado que os outros. Raikkonen pára e volta em segundo, mas Alonso vem voando com um carro bem acertadinho e em poucas voltas chega perto de Raikkonen. Massa, o então líder, pára e volta em terceiro. Hamilton já é 5º, mas o 4º é o Heidfeld, com a BMW, que não vai entregar a posição barato!
Depois da metade da prova, Alonso está colado em Raikonen e, após a segunda troca de pneus, ainda frios, ele “ginga” pra cá e pra lá e passa Raikkonen. Mas Massa ainda não parou. Agora, Massa é líder, mas ainda tem que parar, Alonso é segundo e está subindo pra 111 pontos. Raikonen é terceiro e sobre pra 106. Hamilton é quinto, fazendo 111 também. O campeonato é da McLaren, não tem jeito...
... Espere!!! Começou a chover!!! Nossa, e agora?
Massa, na sua vez de parar, entra nos boxes e põe os pneus certinhos (por milagre!!). a McLaren manda Hamilton ficar uma volta a mais que os demais na pista, pois ele precisa sair de trás do Heidfeld, e nem tá forte a chuva assim... Quando ele sobre pro laranjinha de novo, a chuva desaba, todos estão nos boxes trocando os pneus. Ele desce o pinheirinho beeeeem na mânha, faz o bico de pato e quando entra na junção, pra pegar a subida da reta, naquela curvinha FDP que o Senna derrapou no único GP que ele fez no Brasil com a Williams, em 1994, é ali que o Hamilton passa reto. Aquilo tudo já está uma nuvem só, não dá pra ver nada na frente e o cara dá um 180º.. fica ali até que resolve sair e o Ralf Schumacher, que não perde uma boa “pechada”, acerta ele no meio, sem piedade, sem ver nada na frente!!
É um dilúvio, vem ali do lado da represa!!
Os outros todos vão parando e com isso Felipe Massa deu uma tremenda sorte e ficou na frente! Mesmo assim, o carro dele não é o melhor na pista e Alonso e Raikkonen vão chegando. Sim, faltam 10 voltas e o Alonso, seguido pelo Raikkonen, vai tirando 1 segundo por volta do Massa. Incrível, quando faltam 5 voltas pro final o Galvão Bueno, que ficou uns 20 minutos dizendo que o Felipe Massa devia estar com “problemas hidráulicos” (o que não explica nada), se toca que a Ferrari pode estar pedindo pro Massa segurar..
É claro!! Se o Raikkonen ganha e o Alonso fica em terceiro, a Ferrari leva! Última volta, Alonso, em segundo, entra voando em Massa, que faz o S do Senna beeeeem na mânha, segurando o que dá. Raikkonen vai começando a colar em Alonso também.. Nossa, os três estão descendo a curva do pinheirinho juntos!! Após o bico de pato, Alonso ataca na descida da junção, “ginga” pra cá e pra lá, até que vê uma brecha por dentro daquela mesma curva que o Hamilton rodou. Massa fecha, Alonso ainda tenta o X e vai por fora, Massa o espreme em cima da zebra, os dois quase tocam. Com essa balançada, enfim acontece aquilo que eu tentei dizer ali em cima, Raikkonen põe o carro por dentro e começa a subida na frente, seguido por Massa e Alonso, esse último por fora. Raikkonen vai bem pelo lado de dentro, tentando cortar caminho, na "pontinha dos dedos" (parece que vai entrar nos boxes!!!), Alonso pega o vácuo de Massa na entrada da reta, ele precisa do segundo lugar, se não perde o título pra Raikkonen, que vencendo, soma 4 pontos a mais e será campeão no desempate, pelo número de vitórias. Eles vão chegando, os 3, quase um ao lado do outro. Alonso pegou o vácuo de Massa, colocou pro lado, da TV se enxerga Alonso, Massa e Raikkonen, da esquerda pra direita, todos lado a lado, Alonso entrou mais rápido, vai passar o Felipe antes da chegada, vai passando, o bico da McLaren tá na mesma linha do capacete da Ferrari de Massa, vai passando, vai passando, caraaAALEEEO!! ..passou Raikkonen em primeiro, mas Felipe e Alonso passaram muito colados!! Não deu pra ver!! Bota o Replay!! Se ele passou, ele é campeão, se não passou, ganha o piloto da Ferrari!!
Eu tinha pensado em trocar a coluna dessa semana com o André, pra poder escrever sobre Tropa de Elite, que não à toa foi um dos melhores filmes lançados esse ano, e provavelmente um dos melhores do cinema brasileiro até hoje. Desisti, porque ele foi mais rápido que eu, e também porque falou todas as coisas que eu tinha pensado em falar.
Mas enquanto nós, quase formandos de uma faculdade de comunicação, ficamos falando sobre como é bom ver um filme que "apresenta os integrantes do BOPE não como heróis ou vilões, mas sim como produtos da necessidade: o Capitão Nascimento do filme não é a solução, apenas uma tentativa de reduzir os sintomas" (COSTA, 2007), aparece um veículo de comunicação com uma tiragem de 1 milhão de exemplares que estampa na capa a seguinte chamada:
"Pegou Geral" O filme Tropa de Elite é o maior sucesso do cinema brasileiro porque trata bandido como bandido e mostra usuários de drogas como sócios de traficantes.
Eu sei, a tendenciosidade da dita revista já foi discutida várias vezes, mas é deprimente ver que muita gente compartilha dessa visão. Ao assistir o trailer do filme no youtube, os comentários são claros:
"não tao errado nao tem q mata boy e tem que mata os cara que distribuem foda-se os 2 não tem lado certo nem coerente com o que faz perante a lei."
"Acho que depois de Cidade de Deus e Cidade dos Homens, dá pra ver que dessa vez bandido é realmente visto como bandido, e é punido como deve realmente ser punido."
"filme show demais, assisti no cinema, bandido tem que morrer, num tem que matar 6 ou 12 , tem que matar todos"
A superficialidade de opiniões desse tipo é tão grande quanto aquelas apontadas pelo André: resume um problema complexo em uma solução simples. E se fossem só opiniões de piás inconseqüentes num vídeo do youtube tava tranquilo. O problema surge quando um veículo do tamanho da Veja começa a estampar isso na capa e reforçar esse tipo de visão.
O filme - isolado - pode levar à reflexão, e isso é incrível. Mas refletir não interessa à Veja: ela quer mesmo é matar bandido. Porque é assim que as coisas vão se resolver.
Na pelada com os amigos quando o teu time perde a bola, ao inves de mudar instantaneamente a direção do seu pique, tu mantem teu rumo a espera de uma retomada milagrosa da posse de bola ou de alguma placa de retorno no meio do caminho.
Saiu numa ZH destes dias uma reportagem com os gastos que as empresas têm em função do regime da CLT. Não quero aqui entrar na discussão da reforma da dita cuja, mas sim comentar os gastos, que eu não sabia ao certo. Recortei uma tabelinha que diz o seguinte:
O tamanho da conta:
Os encargos que as empresas têm com os funcionários todos os meses, do tipo Obrigações Sociais são: INSS: 20%; FGTS: 8,5%; Entidades (boiei!):3,3%; Seguro acidente (se for o caso): 2%; Salário educação (esse eu nunca vi!!): 2,5%.
Sobre o tempo não trabalhado, do empregado, incidem os seguintes gastos para o empregador: Repouso semanal (também não conhecia): 18,91%; Férias: 9,45%; Abono de férias: 3,64%; Feriados: 4,36%; Aviso Prévio: 1,32%; Auxilio Enfermidade: 0,55%; 13º Salário: 10,91%; Rescisão contratual: 3,21%.
Na tal reportagem, a ZH abre a coluna com o seguinte título: “Cadê a reforma?”. Eu acho que eles devem estar pensando: “PQP, anda logo com essa m**** que eu não agüento mais pagar essa fortuna pros meus funcionários!”, pelo menos é a impressão que me dá lendo o título e o início da nota.
Embaixo disso, há uma tabelinha que mostra a média salarial de alguns órgãos da sociedade, agrupados de uma forma que eu não entendi o porquê até agora:
Militares de funcionários públicos (?!?!?): 1.843,20 Empregados com CTPS assinada: 1.086,80 Trabalhadores por conta própria (?!?!?): 888,30 Empregados sem CTPS assinada: 748,30
Não há indicação do universo de pesquisa. Se tivesse, eu ia tentar ser funcionário público lá, porque aqui não ganho isso nem com 6 horas extras por dia. E qual é a diferença de trabalhador por conta própria e trabalhador sem carteira assinada, hein?
Daqui até o fim do ano, Interligado vai ser só isso mesmo. Se serve de consolo, está rolando uma SUPERPROMOÇÃO! >> Dê nomes para os personagens da tirinha e não ganhe uma camiseta oficial do Cataclisma 14!
Olha gurizada, eu tava aqui de boa vontade escrevendo a minha coluna dessa semana. Uma coluna que até tava ficando bacana e tal, mas eu vou ter que deixar pra publicar ela na semana que vem.
Tudo porque eu caí na bobagem de ligar a TV bem na hora em que estavam comentando sobre a estréia do Brasil nas eliminatórias para a Copa 2010. Realmente a atuação foi discreta, e digo isso pra manter uma linha com o mínimo de educação aqui. Tão discreta que eu nem iria considerar aquele jogo uma estréia e, assim como a seleção, deixaria o fato passar em branco.
Como não tinham o que falar sobre a atuação dos jogadores, resolveram falar da atuação do árbitro. E estavam barbarizados com o que ele ameaçou fazer.
O comentário era sobre a decisão de atrasar o inicio do jogo devido às condições do gramado. O juiz cogitou adiar a realização da partida para a segunda-feira se o campo não secasse. A indignação era visível no tom da voz do comentarista ao relatar o caso. Um interlocutor alertou que o arbitro tem autoridade para tanto. O que provocou um chilique por parte do dono do programa: “o árbitro pode muito mais do que deveria!”.
Ora, se o árbitro não tem autoridade para decidir sobre a realização de uma partida, então quem tem?
Peço licença para citar Paulo Autran, numa entrevista que a Zero Hora republicou em razão de sua morte neste final de semana, como resposta:
“o teatro é a arte do ator; o cinema é a arte do diretor; e a televisão é a arte do anunciante.”
Antes mesmo de achar alguma informação sobre o Senado pós-Calheiros, aha! Passei o olho no cantinho do editorial de um jornal que citava a playboy desse mês como a pauta mais avaliada dessa semana no Senado Federal... ai, ai, ai, o pessoal está muito curioso pra saber a vida do antigo presidente da casa, já viram a grana, agora a ex-mulher, poxa! Daqui a pouco vão por a mãe no meio, e por a mãe no meio só da merda...
Consumidor de Internet
Saiu uma notinha no jornal falando da pauta do sétimo Congresso de Marketing e Vendas, realizado pela ADVB/RS, sobre a idéia de que o consumidor digital está mudando a publicidade, exatamente nestas palavras. Achei que era uma boa notícia pro pessoal aqui no blog, encarregado destes assuntos, dar uma vasculhada. Na notinha, nada de muito útil, apenas um comentário de uma pessoa chamada Gustavo Donda – diretor da unidade de marketing on line da paulista TV1, agência responsável por contas de grandes anunciantes do setor automotivo, telefonia e bebidas, segundo ZH – sobre compradores de livros pela Internet: “comprar um livro com base nas opiniões de leitores comuns, publicadas em um site ou blog, por exemplo, em vez de se basear na dica de um especialista ou crítico literário, é uma das mudanças em curso”.
O capitão de uma força especial da polícia, cansado da guerra diária contra o tráfico, está prestes a sair da equipe - mas, para isso, precisa encontrar um substituto a altura, alguém tão honesto, inteligente, incorruptível e impiedoso quanto ele.
Ao longo de quase duas horas de duração, Tropa de Elite busca abordar não o problema da venda de drogas, mas sim os problemas que surgem a partir do tráfico e da corrupção da polícia. Em uma narrativa coesa, persegue todos os aspectos que levaram a situação a esse extremo, onde uma "polícia especial" tem carta branca para entrar nas favelas e fazer o que bem entender.
O ritmo frenético e a câmera na mão, sempre chacoalhando, combinam com a urgência do tema: as favelas, cuja quantidade absurda é mostrada através de planos aéreos, tornam-se verdadeiras zonas de guerra. Os becos e corredores são sempre cheios de sombra, aumentando o clima de claustrofobia, enquanto os tons de amarelo ajudam a criar uma sensação de pobreza e desolação. Contrastando com os cortes secos e rápidos das cenas de ação, o diretor prefere mostrar os diálogos em um plano só, enquadrando todas as personagens ou pulando a câmera de uma para outra - e esses momentos de "calmaria" só acentuam a tensão, como se algo estivesse prestes a acontecer.
Mas o grande trunfo do filme é mesmo a amplitude do seu raciocínio: ao invés de focar em um evento isolado, consegue mostrar como o problema 1 leva ao problema 2, que leva ao problema 3, que volta ao problema 1... a idéia aqui não é apresentar respostas, mas sim explicitar como cada coisa, por menor que possa parecer, é uma engrenagem que ajuda o tráfico a continuar funcionando - e aí vão desde os policiais corruptos até os estudantes e seus baseados. Seguindo essa lógica, a obra surge como um espelho da realidade, fazendo o espectador confrontar seus próprios sentimentos e ideais sobre as situações mostradas. É fácil, por exemplo, aceitar a narração em off do Capitão Nascimento e chegar a conclusão de que os policiais do BOPE têm o direito de julgar, condenar e executar um suspeito. Mas é certo? É fácil também dizer que a polícia "é violenta e já chega descendo o pau sem motivo nenhum". Mas as coisas são assim mesmo?
É nessa fuga dos discursos convencionais que a película se torna extremamente pertinente, criticando e até ridicularizando as respostas prontas. Ao invés de se render à frases como "tem que matar tudo mesmo" ou "policial é tudo violento", o diretor joga na cara das pessoas o quão simplistas e frágeis são esses argumentos, dando ao espectador a oportunidade de realmente questionar as bases da situação. Apresenta os integrantes do BOPE não como heróis ou vilões, mas sim como produtos da necessidade: o Capitão Nascimento do filme não é a solução, apenas uma tentativa de reduzir os sintomas. Há muito mais no complexo sistema tráfico/polícia do que as análises superficiais que são feitas constantemente, e enquanto esses dianósticos precipitados levam a resultados negativos, as pessoas continuam morrendo. À toa, como diria o Capitão.
Conversa que eu ouvi no T2A, entre uma senhora que estava na parada e o motorista do ônibus:
- Moço, o T9 vem por aqui? - Vem sim. - Mas ele não veio ainda. - Deve estar vindo. - E quando ele vem? - Vem logo, acho. - Então o T9 vem por aqui mesmo? - Vem, senhora. - Acho que vou ficar esperando ele vir. - Isso, daqui a pouco ele vem. - Mas e se ele não vier? - Aí a senhora pega o próximo T2A.
Viajar de avião é, sem dúvida, uma das coisas mais estranhas que já fiz. Primeiro porque o avião é mais pesado do que o ar, ou seja, o lógico seria ele não sair do chão (a não ser que alguém fique controlando lá do céu com cabos - apagados depois na pós-produção, claro), e também porque eu, que já fico tonto ao subir em elevador panorâmico, não tive vertigem mesmo a milhares de pés de altura.
Talvez o medo de altura só apareça quando eu consigo enxergar o nível do mar. Tipo aquela vez em Santa Catarina, na Praia Brava, quando a gurizada subiu a trilha que tinha de um morro e eu só fui até a metade, sendo forçado pelos meus instintos a descer quase engatinhando e esperando que os bombeiros aparecessem com um helicóptero. Pelo menos pude ficar admirando as belezas naturais - e algumas claramente siliconadas - da praia do Guga.
E, acreditem, é até compreensível que ele não tenha voltado à velha forma com tanta coisa pra se ver naquela praia. Se bem que não faria diferença, já que no tênis masculino o ciborgue produzido pela Skynet e apelidado de Roger Federer (já repararam como ele é parecido com o Tarantino?) tornou-se o Schumacher dos tenistas. Qualquer torneio do esporte terá raquetes, bolinhas, redes e o Federer na final.
Por falar em final, sigam o meu raciocínio: se um campeonato não tem final, ele não tem fim, ou seja, não acaba. A prova é esse Brasileirão que vem se arrastando há meses, com um jogo mais chato e irritante do que outro. E agora que o time do Pernalonga vai ser campeão com oitocentas rodadas de antecipação, o que sobra pro resto do torneio? Uma vaga na Sulamericana? Uau.
A grande verdade é que logo os clubes farão planejamento para conseguir vaga na Libertadores, e não o título. Pelo menos é um torneio de verdade, com final, e na pior das hipóteses dá um pouco de grana pros participantes - e, convenhamos, é legal ver o teu time jogar contra adversários internacionais. Melhor ainda seria se eu tivesse grana pra pegar um avião e acompanhar todos os jogos do Grêmio na Libertadores 2008.
Se bem que viajar de avião é, sem dúvida, uma das coisas mais estranhas que já fiz.
A vida é feita de momentos, já dizia o velho clichê. Momentos bons, ruins, de euforia, de tensão, de alívio... e, por mais batido que isso possa parecer, apenas um grande momento pode transformar o memorável em inesquecível.
Pois a cada quatro anos, esses grandes momentos se multiplicam na velocidade de (no mínimo) quatro ou cinco craques por noventa minutos (4 ou 5 C/j): é a Copa do Mundo de futebol.
Parece simples, certo? Uma bola, duas goleiras, onze pra cada lado e seja o que Cruyff quiser. Mas, muito mais do que um torneio, a Copa do Mundo é um acontecimento (não um evento, um acontecimento, pois "evento" são aqueles jantares para a terceira idade) que consegue fazer o planeta inteiro realmente gostar de sofrer, chorar e se desesperar.
A cada quatro anos, presenciamos a maior invenção da história da humanidade. Dentro de campo, apenas os melhores, aqueles que em milésimos de segundo conseguem deixar a sua marca na história. Fora de campo, uma festa emocionante, normalmente pacífica e que celebra os valores de vitória, luta, superação e patriotismo.
Afinal, a Copa do Mundo é praticamente uma utopia: dá chances a todos (Américas, Europa, Ásis, Oceania, África e 24 territórios a sua escolha) , eterniza os bons além dos vencedores (Holanda 74), premia tanto a inspiração (Brasil 70) como a transpiração (Itália 06), cria mitos (Maradona), heróis (Hagi, Felipão), lendas (O Carrossel Holandês), derruba pré-conceitos (Camarões 90), transforma um esporte que já é por si só memorável em algo inesquecível.
Senão, como explicar as ruas pintadas? As bandeiras e faixas? O país todo parando? Certo, o futebol é o ópio do povo, mas também não é a toa: como ficar indiferente quando o time de Kaká e Ronaldinho enfrenta, por exemplo, a França de Zidane e Henry? Uma Copa do Mundo é o equivalente a colocar Jaspion e Changeman juntos, lutando contra o mal, em três episódios diários durante um mês, obrigando as professoras a interromper a aula para que a gurizada possa assistir.
E o mais incrível é que mesmo com a coisificação do futebol, mesmo com a transformação do glorioso esporte bretão em um negócio, a busca pela taça Jules Rimet ainda reserva um pouco de putaquepariulidade, como a prorrogação do jogo Itália x Alemanha e a partida Portugal x Holanda demonstraram em 2006. Há algo de surreal em reunir tantos talentos sob um único sol, e isso nem mesmo a publicidade consegue matar. Pois qualquer minuto de uma Copa do Mundo é promessa de emoção, e cada lance, cada carrinho, cada comemoração, cada gol, cada imagem pode acabar sendo eternizada. No maior torneio do maior esporte já inventado, cada segundo pode ser um momento inesquecível, seja Taffarel fazendo o V com os dedos após defender o pênalti de Massaro, Zidane saindo de campo e passando ao lado da taça ou Dennis Bergkamp - conhecido como "Homem de Gelo" por sua frieza - se atirando no gramado após classificar a Holanda para a final.
Mais do que grandes imagens, são momentos. Inesquecíveis.
Err... a trama é tão inteligente e complexa que não fui capaz de identificar o plot propriamente dito, mas envolve alguma coisa de zumbis e mulheres gatas matando eles (o que, obviamente, é sexy, certo?).
Esse Resident Evil é pura adrenalina, brou! Desde o início o diretor imprime um ritmo alucinante, evitando aqueles planos tediosos que duram mais de um segundo e meio (mesmo que a cena seja apenas a personagem caminhando tranquilamente) e mostrando várias tripas e sangue. Yeah! Inclusive, nas cenas de luta as câmeras com mal de Alzheimer tremem tanto que o espectador não faz absolutamente nenhuma idéia do que está acontecendo, podendo assim realmente sentir a confusão dos sobreviventes (e muitas tripas voam nas cenas de luta! Yeah!).
E a decisão do roteiro(?) de esterotipar as personagens é acertada, pois assim as cenas dramáticas são rasas, superficiais e não exigem muito tempo, sobrando mais minutos para tripas voarem! Yeah! Inclusive, o diretor(?) recorre a inovações na hora de assustar o público, como ir aumentando a trilha aos poucos para, subitamente, jogar na tela qualquer coisa que estava fora do enquadramento, com as caixas de som no máximo. Mas, e aí está a esperteza da coisa, o primeiro susto é falso (como um pote caindo e quebrando no chão atrás da Alice, por exemplo), para só então pegar todos despreparados com os zumbis de verdade e jogar tripas na tela! Yeah! E o pequeno número de vezes que isso acontece durante a projeção (não passam de vinte) mantém a imprevisibilidade do recurso.
Já a beleza estonteante de Milla Jovovich é utilizada ao máximo, com planos fechados nos lindos olhos verdes, nas lindas pernas e nos diversos clones da protagonista que acabam surgindo em cena (nuas, em algumas vezes). Se isso vai ou não despertar fantasias nos adolescentes, não posso dizer, mas caso resolvam fazer um quarto filme da franquia (e torço fervorosamente por isso), imagino que terá uma qualidade tão grande quanto qualquer filme B de terror. Aposto no título Resident Evil 4: A Penetração, com muitas Millas, sexo, sangue e tripas voando! Yeah!
Impressora sem tinta leva impressão para a era da mobilidade [IDG Now!]
Primeiro o celular, depois as redes sem fio, agora isso. Quem poderia imaginar que...
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Assim começaria a minha coluna dessa semana, atrasada como de praxe. Mas nos comentários do post anterior do Leandro, foi possível constatar que alguns ânimos estão um tanto exaltados em função de uma situação específica.
Quando comecei a pensar numa defesa para nosso blog, recebi o texto abaixo do André. Que seguramente fala por todos os integrantes deste veículo de comunicação, alvos de acusações infundadas e ofensas gratuitas. Espero que tais mentiras despropositadas não afetem o sentimento dos nossos leitores assíduos em relação ao blog.
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A campanha anti-blogs do Estadão só comprovou: o Brasil não sabe o que fazer com a Internet. Não sabe usar, não sabe legislar, não sabe aproveitar esse veículo que se tornou muito mais do que uma simples ferramenta, diminuindo distâncias e facilitando o contato com novas pessoas e culturas.
Pois o mesmo Estadão, demonstrando total falta de ética jornalista e se rendendo ao sensacionalismo barato, publicou nota acusando este blog de corrupção e manipulação do interesse público. E não podemos ficar quietos enquanto a nossa integridade está em xeque: a falta de provas e as contradições no texto demonstram que as informações não foram conferidas, sendo originadas por boatos infundados.
O compromisso do Cataclisma14 é apenas oferecer diversão e pontos de vista diferentes sobre as questões pautadas pelo agenda-setting. Nossa política interna, baseada na liberdade de expressão, sempre foi de oferecer o melhor ao público. Se o concurso das camisetas foi (temporariamente) suspenso, existem motivos justos para isso, e ao invés de sair acusando, as pessoas deveriam tentar entender melhor o funcionamento complexo de um blog que preza pela qualidade, e não pela quantidade.
Hoje ontem, apenas algumas notícias sobre internet e tudo que tá interligado.
• Fãs escolhem preço do download de "In Rainbow", novo disco do Radiohead [G1] E segundo esta notícia, a ousadia da banda já é um sucesso: embora a idéia de que é o consumidor quem decide o quanto pagar (inclusive não pagar nada), a maioria das pessoas estão optando comprar pelo preço padrão de um CD na loja. Some a isto o fato de o Radiohead ter lançado "In Rainbow" por conta própria, sem gravadora, fazendo cada centavo pago pelo novo álbum ir direto para a banda. Se a indústria fonográfica surgiu para acabar com um problema -- armazenar e distribuir músicas--, a internet está acabando com outro: a ganância das gravadoras.
• São Paulo começa a instalar chips nos carros em 2008 [Folha] "Para o monitoramento dos veículos, devem ser instalada 2.500 antenas na cidade". E quem não quiser participar desse Big Brother? Se o projeto vingar, a Prefeitura de SP vai poder monitorar a circulação de automóveis por toda a capital paulista. Tudo bem, o acesso a estas informações pode ajudar a diminuir os congestionamentos (identificando rotinas de fluxo de trânsito, por exemplo), e fiscalizar veículos em dia de rodízio ou com IPVA atrasado (uma sacanagem, é verdade, mas é pra isso que serve o Estado mesmo). E num país high-tech de primeiro mundo, uma integração dessas informações com um Google Maps, por exemplo, seria um baita serviço de utilidade pública on-line. Mas, no nosso país... Será que não tem tudo pra cair em mãos erradas?
- Não importa se vai contra as leis da Física, Química, Geografia, Matemática, Probabilidade e FIFA: a bola sempre sobra com o adversário;
- Toda bola cruzada pelo adversário resulta em gol;
- Todo carrinho resulta em falta e cartão amarelo - a menos, claro, quando você pensa "putz, o craque do time vai receber amarelo". Nesse caso, o juiz dá vermelho direto;
- Certos jogadores simplesmente não perdem a bola, é desperdício tentar. Aceite a vida como ela é e deixe o cara fazer o gol, senão cabelos brancos surgirão muito cedo;
- Quando Bruce Banner se irrita, ele vira o Hulk; quando o Hulk se irrita, vira o Chuck Norris; quando o Chuck Norris se irrita, é porque ele está jogando Winning Eleven;
- O fabricante deve colocar, nas próximas versões do jogo, o aviso "O Ministério da Saúde adverte: Winning Eleven pode causar danos psicológicos e rachaduras nas estruturas perto do console";
- Aliás, prevendo que piratear os jogos do Play2 seria fácil, a Sony inventou o Winning Eleven: calcula-se que pelo menos 70% do PIB mundial vem da venda de controles para o videogame;
- Se a reposição de jogo vai ser do adversário, mesmo que a dividida tenha sido no meio de campo a bola vai dar um jeito de sair pela linha de fundo, e eles terão um escanteio a favor, e vão fazer um gol;
- Se a reposição de jogo vai ser do seu time, então você não está jogando Winning Eleven;
- Todos que jogam Winning Eleven já contaram até o infinito. Duas vezes. E continuaram irritados.
Se quiserem adicionar mais coisas nos comentários, sintam-se à vontade.
Nos últimos 5 anos, o São Paulo veio a Porto Alegre várias vezes. Mas, como se vê, o retrospecto não é muito bom pro tricolor paulista. E levando em conta que nunca pude ir ao Morumbi quando morava em Sorocaba, e que em Porto Alegre eu só tenho parceria pra ir ao estádio quando o São Paulo não joga contra o Grêmio, imagine o quão pé frio eu estava me sentindo ontem ao final do 1º tempo de São Paulo 0x1 Inter. Dito de outra forma, quem não ficaria incomodado em nunca ter assistido ao vivo uma vitória do seu time?
Obviamente a culpa só podia ser minha, nunca do São Paulo. Vejam, em 2003, mesmo com o Cruzeiro atropelando os outros times sendo campeão com 100 pontos, meu tricolor até fez uma boa campanha e ficou em 3º lugar, com 78. Em 2004 também ficou em 3º, mas a diferença já era menor: 7 pontos atrás do Santos. Em 2005, enquanto o resto do país assistia o campeonato nacional virar piada, meu tricolor conquistava a América e o Mundo mais uma vez, reafirmando a origem do orgulho que sentimos ao cantar "As tuas glórias vem do passado". Em 2006, após 27 rodadas na liderança, fomos campeões brasileiros pela quarta vez, e ontem, até o final do 1º tempo, o São Paulo era líder isolado no campeonato e vinha de uma raçuda classificação na Sulamericana contra o Boca Juniors - vulgo campeão da América de 2007. O azarão do restrospecto em Porto Alegre, portanto, só podia ser eu.
"Mas não é nem questão deles estarem jogando muito, é o São Paulo que não criou nada!", concordei com o Thiago, também inconformado, quando o juiz apitou o reinício do jogo. Já nos 10 primeiros minutos do 2º tempo, entretanto, dava pra sentir que o jogo estava mudado: o São Paulo veio com fôlego e agora corria mais, e era o Inter quem parecia estar sentindo o desgaste de ter se arrebentado contra um time argentino na última quarta-feira. Era a hora da verdade batendo na porta: o São Paulo tem mais time, mais preparo, mais títulos, mais camisa, mais história. E se tem alguma coisa que o Inter em 2007 tem mais que outros times é instabilidade; não demorou e eles erraram: gol contra! 1x1! E logo em seguida a virada, na cobrança de Jorge Wagner para Borges marcar, de cabeça, exatamente em frente à pequena torcida sãopaulina no Beira-Rio, que explodiu de alegria -- e eu inacreditavelmente estava lá!
Daqui pra frente podem falar o que quiser, mas não me venham com "jogo roubado pro São Paulo": o colorado cometeu duas faltas pra cartão amarelo em menos de 10 minutos e ainda fez gol contra; e na melhor oportunidade que teve de buscar o 2x2, Fernandão (aquele, ex-herói em Tóquio) completamente livre dentro da área sãopaulina foi ridiculamente barrado por Rogério Ceni que, na condição de o melhor goleiro do Brasil (quiçá do mundo), usou apenas uma mão: uma puta defesa. Final de jogo, então, "derrota" foi resultado mais do que justo pro Internacional.
Mas mais importante do que isso, foi que o azarão aqui, aos 23b anos de vida, finalmente descobriu o que é assistir seu time ganhar pela primeira vez. Pode não ser nada para alguns, mas, pra quem importa, até espaço na "Suando a 14" eu ganhei em troca do depoimento. Thiago tricolor paulista parceiráço!
E sobre o sentimento em si, só o que posso dizer é que o dia em que eu levar meus filhos para o estádio ver o o São Paulo ganhar pela primeira vez, acho que saberei exatamente a emoção que eles estarão sentindo..."
Precisou elas irem até a China e derrubarem grandes adversárias para que, enfim, a CBF resolvesse querer organizar um campeonato feminino no Brasil. Mesmo com o vice-campeonato, as mulheres da seleção merecem o reconhecimento - mais até do que a seleção masculina, eu diria.
Futebol é, sim, coisa de mulher. E parafraseando o Thiago: com vocês, futebol: