uno, dos, tres...
André
Bruno
Kleiton
Laura
Leandro
Rafael
Thiago
14

hello, hello!
Cão Uivador
Dilbert blog
Forasteiro RS
GPF
Improfícuo
La'Máfia Trumpi
Limão com sal
Malvados
Moldura Digital
Notórios Infames
PBF archive
Wonderpree

hola!
De pizzas e respostas
Só um pensamento
Retrospectiva 2011 ou The Verve estava certo
Trivialidades dolorosas
Um blog com a idade do Calvin
Falta de tato
Sobre os shows do Pearl Jam
Em círculos
Os argentinos
Jornalismo Imagemnário

Swinging to the music
A 14 Km/seg
Expressão Digital
Peliculosidade
Suando a 14
Tá tudo interligado
Cataclisma14 no Pan
Libertadores 2007

dónde estás?


all this can be yours...





RSS
De pizzas e respostas
André - 25 Janeiro 2012 - 22:52
A sociedade atual se sustenta em duas bases delicadas: a pizza congelada e as respostas vagas. A primeira, ao contrário do que muitos pensam, não é a Shangri-La dos solteiros, e sim o ônibus deles - afinal, apesar de dura e desalmada, é ela quem faz a rotina se mover. Sem essa pizza congelada, estariam todos os solteiros condenados a uma existência de mendigância em restaurantes, padarias e, principalmente, carrinhos de cachorro-quente. Disso podemos concluir que toda a auto-estima dessa espécie reside em um produto de substâncias químicas desconhecidas pelo homem e embrulhado em uma embalagem chinfrim. Um pensamento nada animador, certamente.

Já as respostas vagas possuem tanto ou mais recheio do que as pizzas congeladas. Elas se resumem a uma lista de frases e perguntas pré-selecionadas que devem ser aplicadas em momentos-chave de conversas com estranhos. Vamos pegar os diálogos trocados em academias, por exemplo: eles são uma simples troca de senso comum, onde os interlocutores simplesmente dançam em volta do bom senso até que possam cada um seguir seu caminho. E é através dessa superficialidade de discursos que, varrendo opiniões pra debaixo do tapete, pessoas não se sentem ofendidas, egos são mantidos e o maior medo das pessoas (passar por idiota) é repelido pra longe.

Ah sim, e tem mais uma semelhança entre as pizzas congeladas e as respostas vagas: ambas não tem gosto.
Comentários: 0
 
Só um pensamento
André - 08 Janeiro 2012 - 23:45
Vocês perceberam que, ao chegarmos em um exato ponto onde boa parte das pessoas finalmente tem um canal para dizer o que quiser da forma que quiser e em quantas palavras/vídeos/qualquer coisa quiser, parece existir um movimento procurando enaltecer justamente a comunicação curta, preguiçosa e superficial?

O melhor tuíte de 140 caracteres (e existem muitos ótimos) ou o melhor post no 9gag (e existem muitos ótimos) sequer fazem sombra aos melhores livros/artigos ou filmes ou histórias em quadrinhos ou etc. A impressão que eu tenho é a de que entramos em um buffet livre apenas para encher o prato de alface. Entramos no cinema só pra assistir aos trailers. Torcemos para ganhar a Copa do Brasil pelo título em si, e não pela Libertadores.

Sugiro deixarmos esse comportamento de lado e investirmos também em coisas mais elaboradas, que exigem um comprometimento maior. Quando boas, o resultado delas é bem mais satisfatório, podem acreditar. A vida não é apenas uma punchline.
Comentários: 0
 
Retrospectiva 2011 ou The Verve estava certo
André - 29 Dezembro 2011 - 00:39
Ouvir Bittersweet Symphony, do The Verve, é algo que inevitavelmente faz o cara sentar, refletir e pensar sobre a vida (e depois sair na rua empurrando pessoas). Porque, por mais clichê que possa parecer, os caras estão certos: essa vida é uma grande sinfonia agridoce. Tive alguns anos bem meia-boca ultimamente, inclusive o pior de todos, mas esse 2011 veio repleto de coisas impossíveis, me deu um tapa na cara e disse "GET YOURSELF TOGETHER, MAN!" (na real eu não tava despedaçado, mas assim fica mais dramático).

Então resolvi juntar aqui algumas coisas, alguns momentos, e contar como foi o ano pra mim. Um ano onde coisas que eu mal esperava que fossem acontecer em um espaço de cinco anos se juntaram. Uma blitzkrieg de conquistas. Obrigado, 2011. E diga a 2012 pra manter o nível, ok?

Estúdio Marquise 51, Porto Alegre, 26/04

Estádio do Morumbi, São Paulo, 09/04 - U2

Trocadero, Paris - 05/05

Palácio de Westminster, Londres - 09/05

Portão de Brandemburgo, Berlim - 14/05

Amsterdam Arena, Amsterdam - 17/05

Dublin Castle, Dublin - 23/05

Bruxelas - 26/05

Bruges - 27/05

Estádio do Morumbi, São Paulo - 04/11 - Pearl Jam

Estádio do Zequinha, Porto Alegre - 11/11 - Pearl Jam
(não apareço na foto, mas juro que estava lá)

Estúdio Marquise 51, Porto Alegre, 18/11
Comentários: 3
 
Trivialidades dolorosas
André - 22 Dezembro 2011 - 00:38
Estou com uma afta na boca. Bem ali no canto superior esquerdo (no meu canto superior esquerdo), no outro lado do lugar da bochecha mais utilizado (onde as pessoas dão os beijos de cumprimento, onde eu bato sem querer quando estou caminhando no escuro). Surgiu do nada a desgraçada, tal qual aquele motorista que, atrasado pra algo menos importante do que ele realmente acha que é, desdenha do sinal vermelho e arremessa o carro na faixa de segurança.

Quase simpatizo com ela, entretanto. Se for parar pra pensar, a afta é como uma versão do tecido conjuntivo para a história da Davi e Golias: pequena, humilde e subestimada, ela com frequência derruba adversários muito maiores (já comeu alguma coisa salgada com uma afta na boca?) - e, pior, o faz sem nenhum esforço, apenas sendo ela mesma. Tipo, mesmo parada, a dita-cuja consegue alterar a realidade ao seu redor. É telecinésia pura.

Mas todas essas virtudes são aniquiladas pela personalidade insidiosa da afta. Quando o cara menos espera, quando tá tudo bonito e perfeito, quando ele tá correndo em câmera lenta pra abraçar a Rachel McAdams na praia, essa despeitada vem na ponta dos pés, tira uma lança afiadíssima Deus sabe de onde e a crava sem piedade no seu hospedeiro. Não há como se preparar, não há como evitar. Assim como a vida, a afta vem do nada e te joga na sarjeta.

E não, esse texto não é uma metáfora sobre relacionamentos.
Comentários: 1
 
Um blog com a idade do Calvin
André - 07 Dezembro 2011 - 00:58
Há exatos seis anos, eu postava aqui a parte 1 de um relato sobre o show do Pearl Jam em Porto Alegre em 2005 (claro que teve a parte 2 depois). E é emblemático que algo tão especial tenha sido o pontapé inicial deste blog, pois, ao longo dos últimos seis anos, o Cataclisma virou uma mistura de autobiografia, produção de conteúdo, diário, veículo para desabafar sobre futebol, entre muitas outras coisas. Aqui deixei pra posteridade não só o show do Pearl Jam, mas também o do U2 (dividido nas partes um, dois, três, catorze, cinco, seis), do Oasis,  Green Day, Paul McCartney, Pearl Jam de novo, etc. Além disso, foi aqui que eu e meus amigos - pois nem sempre este foi um blog solitário - demos vida a diversos projetos, como a cobertura da Libertadores 2007, as colunas (Tá Tudo Interligado, Expressão Digital, Suando a 14, A 14 km/seg, Peliculosidade), o Cataclisma no Pan, os trocadilhos com as notícias, a cobertura da Copa do Mundo de 2006 e por aí vai. Sem contar, claro, que este espaço foi palco de diversas críticas de cinema (a de Lua Nova teve cinco mil acessos em um dia), devaneios, opiniões, raciocínios, foi onde as pessoas puderam ver minha irritação com o Winning Eleven e minha tristeza após a morte do meu pai.

Como podem ver, tem muito mais aqui do que parece ter. E eu fico bem feliz que ele seja essa mistura nonsense de um monte de coisas, sem buscar um foco específico, sem tentar ser referência em alguma coisa. Apenas um espaço onde as pessoas despejam ideias. Eu gostava tanto do conteúdo postado aqui que algumas vezes até alimentei esperanças de ganhar dinheiro com isso. Principalmente porque houve uma época onde os posts eram quase diários, sempre interessantes e sempre com uma perspectiva única. Mas, como vocês devem ter percebido, atualmente a coisa toda está às moscas. Devido ao trabalho, textos para o b33p, banda e outros projetos legais, as atualizações estão tão escassas quanto a safra de boas notícias para os torcedores do Atlético-MG. O que me levou à lógica conclusão de encerrar as atividades por aqui. Evitaria bastante frustrações da minha parte. E que oportunidade melhor pra fazer isso do que no aniversário do blog?

Mas daí eu pensei melhor sobre a terceira frase do parágrafo acima, sobre o fato de que nunca vou ganhar dinheiro com isto, nunca vou virar uma celebridade e, certamente, nunca uma loira deslumbrante de pernas roliças vai me abordar na rua e dizer "tu escreve no Cataclisma 14, não escreve?". Acho que muita coisa que está à solta na internet se preocupa demais em como se promover e menos no que está promovendo. Com o resultado, e não o trabalho. Assim, vou manter o blog como um Clube da Luta virtual, um lugar onde eu posso publicar o que quiser a hora que quiser e sobre o que eu quiser. Sem grandes amarras ou responsabilidades. Talvez demore um mês pra ter uma atualização. Talvez um dia. De qualquer jeito, sempre vou anunciar os posts via Twitter ou Facebook pra quem se interessar pela produção textual/trocadilhos daqui. Garanto que sempre vai ser algo interessante.

Tenho consciência de que esse papo de "acho que vou fechar o blog" é mais do que batido. Provavelmente não mudaria a vida de ninguém se eu o fizesse, ou mudaria muito pouco. Mas a questão é que o Cataclisma 14 existe há seis anos. É o projeto mais longo que eu já fiz, e o que mais deu certo. Possuo um carinho e orgulho descomunal por todos os posts que estão aqui embaixo, todos eles, sem exceção. Ao falar que pensei em terminar tudo, não estou tentando comover um dos três leitores já citados; estou tentando mostrar o quanto esse monte de páginas e links e caracteres que eu chamo de "blog" é importante para mim. Porque uma coisa sempre diz duas, e se eu falo que pensei em fechar este lugar, foi só pra ilustrar o valor dele e o quanto me faz feliz o esforço de continuar mantendo ele vivo.

Feliz aniversário de seis anos, Cataclisma 14.

Comentários: 9
 
Falta de tato
André - 26 Novembro 2011 - 01:18
Desde que foram lançados os smartphones, todos os celulares que eu tive sempre realizaram no máximo três funções: cair no chão, tocar música e fazer e receber chamadas. E, ao longo destes poucos anos, pude contar com a companhia de um número considerável deles, já que todos se comprometiam de alma e coração com a primeira tarefa. Daí sempre que eu desbravava as ruas desta capital, Mark Lanegan definindo a vida com voz rouca e distorção nos fones de ouvido, e o tocador de música chegava em uma que eu não queria ouvir (vocês sabem qual, aquela que a gente nunca ouve mas deixa na lista porque um dia já gostou muito e tem pena de tirar), o ritual era o mesmo: bolinar o aparelho até achar o botão de pular a faixa e, bem, pular a faixa.

Mas o último membro dessa raça que eu adquiri é um daqueles celulares dopados de ecstasy e que têm necessidade de serem tocados (acho que "touchscreen" é o nome científico). Não que eu esteja reclamando: ele ainda cai no chão, toca música e liga normalmente. Só que obviamente o ritual de pular a faixa é mais complicado, porque o botão é tipo o título mundial do Corinthians, ele não existe no plano físico. Eu preciso puxar o telefone, ligar, ver na tela onde é o botão semi-imaginário e apertar naquele local acreditando que ali existe um botão (normalmente funciona). Mas isso me fez perceber, com o tanto de tablets, smartphones, coisas touchscreens, nintendos wiis, kinnects (onde o ato físico é substituído por uma simulação chinfrim) etc, que o sentido do tato parece meio escanteado nesse século XXI. Uma pessoa paranóica poderia inclusive pensar que há uma conspiração para eliminar o tato. E, como bom paranóico, tenho algo a dizer a vocês: existe uma conspiração para eliminar o tato.

Claro, talvez muitos já tenham identificado a falha monumental nesse raciocínio, a procriação maciça de academias por todas as cidades do universo. Elas surgem a cada esquina, sem aviso nenhum, praticando bullying estético na galera e fazendo com que você se sinta mal por ter tomando um cerveja ALENTADORA após um dia de trabalho infernal (academias são como a gripe: se proliferam em qualquer lugar, atingem todo mundo e, quando pegam um hospedeiro, o deixam de cama por vários dias). Ora, se as academias, ápices da obsessão pelo físico, estão crescendo mais do que a China, como pode existir uma conspiração para eliminar justamente a parte física da nossa existência?

A questão é que os nerds, essas grandes odes ao sedentarismo e à obesidade, estão por trás dessa conspiração. Eles que eliminam os botões, os movimentos e querem um dia fazer tudo controlado por voz. Eles que buscam o mundo da preguiça total, porque é o cenário ideal (o único, na verdade) onde podem ser os cools e pegar mulheres. Percebendo isso, os marombeiros estão arquitetando um movimento de resistência que busca construir justamente a cultura do físico, do anti-sedentarismo. E os dois grupos continuam a crescer, aumentando suas fileiras com mais e mais combatentes para a derradeira batalha.

Quanto ao resto de nós, que não podemos ficar brincando de ideologiazinha porque temos uma vida a viver, resta esperar pra ver quem sairá vencedor dessa disputa: smartphones ou supinos.
Comentários: 0
 
Sobre os shows do Pearl Jam
André - 17 Novembro 2011 - 20:08
Acredito que seja seguro dizer que as coisas existem apenas com relação a alguma outra. Por exemplo, o frio só existe por causa do calor. Não é a questão de que ambos são opostos, mas sim o fato de que eles se definem, de que cabe a um deles fazer o outro existir. Não há como ter o frio sem o calor e vice-versa. A presença de um é absolutamente essencial para que o outro exista, sempre foi assim, sempre será. São duas partes diferentes do mesmo todo. E, seguindo nesse raciocínio, temos também o céu e o chão, o dia e a noite, a alegria e a tristeza, o som e o silêncio, a imagem e a escuridão, passado e futuro, sonho e rotina.

Seguindo nesse raciocínio, temos eu e os shows do Pearl Jam.

Comentários: 0
 
Em círculos
André - 14 Novembro 2011 - 01:29
É curioso como as vezes bate uma urgência de dizer alguma coisa, mesmo sem ter nada pra dizer. Talvez seja o equivalente criativo àquela vontade absurda de simplesmente sair correndo pela rua que nos toma de assalto toda vez que escutamos nossa música favorita no último volume. E o resultado acaba sendo um texto como este aqui, sem nenhum conteúdo, nenhuma ideia, nenhum insight. Só forma. A versão escrita de uma Panicat.

Seria algo totalmente condenável, destituído de qualquer relevância artística ou, pior, a redação dos sonhos pra adolescentes colocarem no "about me" do Orkut, se não fosse por um interessante paradoxo (perdão pela redundância): independente do conteúdo, o texto expõe perfeitamente o estado de espírito do artista. É uma tradução perfeita do que ele está sentindo no momento, ainda que esse sentimento seja tão vazio quanto uma partida do São Paulo no Morumbi.

Assim, ao não se validar enquanto uma autêntica forma de expressão artística, o texto acaba se validando como uma autêntica forma de expressão artística. A não ser, claro, que vocês consigam enxergar a manipulação que eu fiz neste raciocínio para chegar a uma conclusão ilusória. Nesse caso, este post não seria nada além de um texto com bastante forma e nenhum conteúdo, embora ainda expressando o que eu sinto. Ou seja, ele seria algo totalmente condenável, destituído de qualquer relevância artística, ou, pior, a redação dos sonhos para adolescentes colocarem no "about me" do Orkut, se não fosse por um interessante paradoxo...
Comentários: 2
 
Os argentinos
André - 29 Outubro 2011 - 13:49
Li A Invenção de Morel em uma sentada. Debrucei-me sobre o livro como um gordo em um buffet livre, devorando o mais rápido possível a trama, os acontecimentos, os mistérios, as respostas e a bela narrativa de Adolfo Bioy Casares. Assim, entendi perfeitamente a admiração de Borges pela obra, exposta na contracapa com elogios significativos que talvez só encontrem paralelos na improvável hipótese da Scarlett Johansson vir a público e declarar que alguém é o melhor amante do universo: é o equivalete a uma bomba nuclear de ego.

Entretanto, é inevitável que uma obra classificada por Borges como "perfeita" fique um pouco abaixo da expectativa gerada, ainda que seja espetacular. Afinal, se o sujeito que provaelmente fez até Deus chorar com um texto sobre um BRIOCHE garante a perfeição da trama, o leitor imagina nada menos que um pequeno Big Bang surgindo do livro. A Invenção de Morel com frequência é arrebatadora e proporciona reflexões interessantes, mas está a poucos centímetros desse nível de causar curtos-circuitos na cabeça dos leitores.

Só que isso implica em um porém devastador: dizer que os elogios da contracapa são hiperbólicos. Que são exagerados. E, partindo do princípio de que Borges está totalmente certo em tudo pra sempre, tal atitude nos atira em um paradoxo dos mais complexos e poderosos já vistos. E, levando em conta a verdadeira paixão de torcedor que eu tenho por paradoxos, muitas vezes já exposta de forma empolgada aqui neste blog, acredito que isso seja mais do que o suficiente para que todos vocês tomem a leitura de A Invenção de Morel como uma prioridade imediata em suas vidas.
Comentários: 1
 
Jornalismo Imagemnário
André - 25 Outubro 2011 - 23:07
Khadafi bateu as botas. Dê uma volta pela internet e veja se consegue fugir dos vídeos que mostram o ex-ditador sendo castigado de quase todas as formas possíveis. Linchamentos, espancamentos, todo tipo e qualquer tipo de "mentos" foi devidamente captado e atirado nessa grande curiosidade mórbida que é a rede mundial de computadores. O mais incrível, entretanto, é que não é necessário chafurdar por páginas mais alternativas para encontrar tais obras: elas estão bem chamativas nas capas dos grandes portais brasileiros.

Já faz um tempo que a pauta da mídia online não é ditada pela notícia em si, mas sim pelos vídeos/imagens que estão ao alcance para serem divulgados - não importa se o acontecimento só é relevante para uma pessoa no mundo todo, desde que ele tenha uma imagem sangrenta para ser divulgada. Assim, as capas de globo.com e Terra da vida são tomadas de assalto por uma blietzkrieg de assuntos que não significa nada para ninguém, mas ei, geralmente tem alguém morrendo/sendo ferido em um vídeo, então as pessoas vão querer ver. Sabem aquelas mulheres que só conseguem ficar excitadas inventando draminhas e historinhas sofridas? Pois é, o jornalismo online é uma delas.

Fico imaginando no dia que o mundo acabar. Esses jornais terão a manchete que sempre sonharam, um monte de fotos destrutivas com a legenda "Mundo acaba e todos morrem! Veja!". Nem os mendigos com aquelas placas de "amanhã será o fim de tudo" ficarão tão felizes.
Comentários: 0
 
Onde discuto a questão do chuveiro
André - 12 Outubro 2011 - 12:46
A globalização padronizou muitas coisas planeta afora, criando uma unidade entre praticamente toda a rotina do dia-a-dia - prova disso é que, se o cara estiver perdido em alguma Turquia da vida, onde sabe-se lá de que parte genital dos animais eles conseguem suas iguarias alimentíceas, pode fugir do perigo e ir almoçar no McDonalds como se estivesse na sua própria cidade. Assim, a globalização é basicamente uma forma de sair correndo pra casa mesmo estando longe de casa. Entretanto, existe um elemento que continua desafiando essa força e se mantém um mistério quando fora do nosso lar: o chuveiro.

Não sei se vocês já repararam, mas o único chuveiro que as pessoas conseguem manejar com eficácia são os de suas próprias residências. Nesse caso, o cálculo do quanto é preciso botar de água quente e fria - dividindo tudo pela temperatura externa, claro - é basicamente instintivo, pois já sabemos como aquela configuraçao funciona, não precisamos pensar a respeito do quanto devemos girar a torneira. Mas, fora das nossas casas, nosso conhecimento vale tanto quanto um ingresso para um jogo do Avaí: quando em hotéis, albergues, casas de amigos e etc, precisamos ficar experimentando aos poucos a relação quente/frio para tentar chegar a um resultado aceitável. E isso não acontece só da primeira vez, acontece da segunda e até da décima se houver uma décima. É como se o nosso córtex orbitofrontal soubesse que não moramos ali e se recusasse a assimilar aquele novo padrão, nos obrigando a raciocinar e experimentar hipóteses cada vez que vamos tomar um banho. Fora de nossas casas, estamos completamente à mercê desses cuspidores de água, e acredite, por mais que você se esforce, se esmere, se informe, em algum momento você acabará queimado graças a um pequeno mas significativo erro de cálculo.

Frente a tal raciocínio - que, acredito que todos irão concordar, parece desprovido de falhas ou falácias -, esqueçam todas as filosofias e ideologias e conceitos de auto-ajuda já criados sobre o que realmente constitui um lar. Lar não é onde está o nosso coração, não é onde nos sentimos bem ou seguros: lar é simplesmente o lugar onde sabemos exatamente o quanto girar da torneira para conseguir a quantidade certa de água quente.
Comentários: 2
 
Feliz Segunda-Feira
André - 03 Outubro 2011 - 18:56
Camilla Belle
Comentários: 0
 
Fanatismo
Thiago Silverolli - 28 Setembro 2011 - 12:59

Muito antes de começar a ter aulas de História e Geografia na 6ª série. Antes mesmo de ter noções de Estudos Sociais na terceira, eu já comecei a ser educado pelas transmissões de jogos de futebol. O primeiro campeonato de que tenho lembrança foi o Brasileirão de 1988, vencido pelo Bahia. Foi aí que eu descobri que existia o Nordeste.

Até hoje eu brinco que sei que Estoril fica em Portugal, Piacenza e Treviso ficam na Itália e Málaga fica na Espanha por que os narradores me contaram ou porque li no álbum da Copa. Além disso, lembro de acontecimentos remotos com rara riqueza de detalhes simplesmente por que o evento ocorreu no mesmo dia que um jogo importante.

Na faculdade, lembro que futebol era um assunto dos menos populares, até posso dizer discriminado. E nessa fase, as desconfianças de que eu não batia bem da bola, visto os fatos descritos nos parágrafos acima, praticamente se confirmaram. Mas depois de ser docemente apresentado a uma rica literatura que se inspira no esporte bretão, meus anseios se aplacaram. Afinal, se eu não consegui provar minha sanidade, pelo menos me tranqüilizou o fato de estar amplamente acompanhado nessa arquibancada.

Na semana passada, li “Como o Futebol explica o Mundo”, de Franklin Foer. Um cara tão ou mais doente do que eu. Não que ele seja mais fanático – faz parte da patologia afirmar que ninguém seja mais apaixonado por futebol do que a gente - , mas é difícil de explicar como é que ele foi acometido por esse vírus, tendo nascido na terra do beisebol. O livro trata das engrenagens e conseqüentes problemas ocasionados pela globalização culminados na primeira década do corrente século.

Com casos de jogadores, torcedores, times e dirigentes das mais variadas partes do globo, o autor ilustra questões de nacionalismo, religiosidade, mercado, corrupção, mídia, xenofobia, política, tecnologia, choques culturais... tudo o que se discutia na universidade com aqueles colegas avessos ao futebol. Claro que a analise nem sempre é isenta, mas pensando bem, em qual desses temas podemos esperar imparcialidade? Ainda mais de um torcedor fervoroso convicto.

Comentários: 4
 
Why so Sirius?
André - 26 Setembro 2011 - 18:50
Comentários: 0