Se não está no Google, não existe. Quantas vezes você já ouviu essa piadinha? Ela deve ter a idade do próprio mecanismo de busca. E ficou tão enraizada na cabeça das pessoas, que deixou de ser piada há muito tempo e se tornou uma espécie de slogan extra-oficial do Google por aqui.
Fácil perceber que a Google-dependência acometeu um número mais avassalador de pessoas do que a mais assustadora das previsões da OMS para casos de gripe suína. Experimente! Pergunte às pessoas à sua volta o que mudou na vida delas depois que descobriram essa maravilhosa ferramenta. Certamente choverão respostas das mais variadas, mas dificilmente alguém não vai ter nada a dizer a respeito.
Apesar desse caráter onipresente, a marca Google (ainda) não é a mais valiosa do mundo. Perde para a Apple e para a IBM. Repare, duas outras marcas relacionadas a comunicação/internet/etc. Alias, das 10 marcas mais valiosas de hoje, 7 são desse segmento. Alguém não apostou em Coca-Cola e McDonalds entre os 3 intrusos?
Esse número mostra, de forma exagerada, o quanto essa tal de internet borbulha em oportunidades. Mas hoje eu li uma pesquisa muito interessante da FGV que mostra que 1/3 dos brasileiros não tem interesse em usar a internet e que mais da metade das pessoas não vê necessidade em usá-la com freqüência.
A pesquisa se aprofunda mais, a ponto de chegar à conclusão de que não basta disponibilizar computadores para promover inclusão digital. O debate é interessante, mas ao me deparar com um numero tão expressivo de pessoas optando por não ter um contato excessivo com a grande rede, uma pergunta esperançosa ocupou a minha cabeça: Será mesmo que precisa estar no
Google pra existir?
Quando se fala em inúmeras possibilidades, é preciso entender que elas aparecem também offline.
Retomando a coluna com comentários sobre publicidade e imagem de marca (provavelmente inspirado pelo diploma retirado essa semana junto à UFRGS). No IDG Now!, uma retrospectiva com 12 anúncios da Apple divulgados desde a década de 70 me fez apreciar ainda mais as estratégias de comunicação da empresa.
Essa história me fez lembrar de uma outra campanha da Apple, amplamente divulgada via YouTube - o formato era perfeito pra web. Estou falando da histórica briga entre o Mac e o PC, que resultou em vídeos memoráveis como esses abaixo.
Acabo de ver no Terra o novo player da Creative, o ZEN. Do tamanho de um cartão de crédito, ele tem capacidade de armazenamento de até 32Gb, roda vídeo, música, rádio FM, tem um tamanho de tela considerável e sai por US$300,00 nos EUA.
Também tive a oportunidade de, no sábado passado, ver de perto um iPhone. Por não ter proximidade o suficiente com o dono do aparelho, não quis pedir pra manuseá-lo, mas à primeira vista parece bastante com aquilo que já foi dito por aí: tela grande, touch screen, interface amigável, blá blá blá.
Esse post, na verdade, não é pra falar de nenhum player, nem é pra comentar nenhum pseudo-celular revolucionário. É, isso sim, pra comentar que eu não me senti lá muito entusiasmado nem com o tal ZEN, nem com o tal iPhone, assim como não tenho ficado lá muito animado com notícias de tecnologia, informática, código aberto e o escambau. Talvez sejam tempos de repensar a coluna, ou de achar outra coluna que me entusiasme mais.
O André já demonstrou o seu receio de, mais dia menos dia, sermos completamente dominados pelas máquinas que nos cercam. Hoje, li a notícia abaixo, que me fez pensar que não só as máquinas, mas os seus símbolos também podem, eventualmente, nos dominar.
Mario e Pac-Man são mais famosos que Matt Damon, diz pesquisa [do Terra]
O fato de Mario e Pac Man serem mais famosos do que certas personalidades, na verdade, não é o mais assustador. O interessante é que tais personagens ganham de muitas personalidades no que diz respeito à popularidade e apelo.
"O apelo de Mário não é tão diferente do de Tom Hanks ou Will Smith", afirmou Bill Glenn, vice-presidente de análise e visão para a Davie Brown Entertainment, que criou o DBI. "Ele é uma figura fascinante e de boa natureza. E, assim como Hanks, tem estado conosco por 25 anos, já se tornou familiar. Para atestar as celebridades, esses são fatores cruciais", acrescentou em comunicado.
A publicidade se utiliza de personalidades para vender seus produtos em função de seu apelo e, mais do que isso, de sua credibilidade. Penso, então, que as máquinas, ao decidirem dominar a humanidade, utilizarão esses personagens eletrônicos para mobilizar as massas. Mario ou Pac Man, por exemplo, não possuem restrições morais: eles podem, devidamente programados, irem à TV (ou ao YouTube) comunicar ao mundo a rebelião das máquinas. O que é pior: de uma forma simpática e animadora. Nós, humanos, acharíamos tudo tão incrivelmente non sense, ficaríamos tão, mas tão impressionados que não teríamos reação. Teríamos:
O APELO E A CREDIBILIDADE DO PERSONAGEM + A LÓGICA DO RACIOCÍNIO DAS MÁQUINAS --------------------------------------- UMA TEORIA IRREFUTÁVEL DE CONTROLE DA HUMANIDADE
A emoção de acompanhar a bola, após um chute forte e bem colocado, atravessar o espaço entre as traves, e logo após o grito da torcida. Apreciar um belo trabalho tático, contendo os atacantes do outro time, impedindo-os de avançarem rumo ao seu próprio campo. Sentir o gosto de um lançamento na medida, o atacante correndo, a plástica da jogada aliada à eficiência, enfim, vocês me entenderam.
Na verdade, vocês acham que entenderam. Todos aqui sabem do gosto dos presentes blogueiros por futebol, mas hoje o enfoque é outro: o negócio aqui é o football. Estamos falando de Madden, a minha mais recente aquisição em termos de jogos eletrônicos. Surpresa positiva, possui um potecial de vício - pasmem! - pouca coisa menor do que Winning Eleven.
Antes de mais nada, mostra-se necessário entender pelo menos um pouco das regras: o que são touchdowns e field goals, quem é o quarterback, como funciona a lógica interna do jogo (4 chances para avançar 10 jardas, até chegar à linha de fundo). Depois disso, é só começar a jogar e se adaptar a esse esporte tão desconhecido para nós.
Jogabilidade nota 10 e gráficos muito bem acabados definem bem o jogo. Além disso, alguns modos de jogo diferentes permitem treinar e adquirir experiência: os Minicamps são ótimos para treinar e testar as funções das várias teclas existentes; o Two minute drill é uma diversão rápida pra quem só quer fazer uns touchdowns e o modo Franchise permite jogar uma temporada completa. E ao correr livre rumo a um touchdown, algumas teclas permitem que o atacante corra de forma cômica, tirando um sarro direto com os adversários - coisa que provavelmente a CBF reprovaria, aconselhando a punição com cartão vermelho.
Só pra dar um gostinho, vai um trailer oficial. Só desconsiderem a música: deixa a desejar tanto no trailer quanto no jogo. Mas nada que tire o brilho geral do espetáculo.
Finalmente uma coluna sobre um assunto que há dias estava com vontade de abordar: o Adobe Photoshop Express. Sim, a Adobe resolveu seguir o fluxo mundial de evolução tecnológica e elaborar uma versão online - e gratuita! - para o software de edição de imagens mais famoso de todo o planeta. Pois bem, resolvi dar uma testada no dito cujo, e as perspectivas não são lá muito animadoras.
(Novidade? Sim, mas nossos leitores assíduos lembrarão que o assunto já havia sido abordado em março do ano passado - Cataclisma14, sempre um passo à frente).
O site permite que se faça um test drive, o que dá uma dimensão convincente do que é o programa. Não satisfeito, me cadastrei, subi algumas fotos e dei uma fuçada. No geral, permite a criação e organização de álbuns pessoais, além da edição e do compartilhamento das imagens. Edição, na verdade, é um exagero: as opções de edição são básicas e um tanto quanto sem graça.
Ao que me parece, a Adobe foca seu projeto na organização e no compartilhamento das imagens, ao invés de tentar oferecer um verdadeiro web-based software para edição de fotos. Existem dois problemas nesse enfoque: (1) espaços para compartilhamento de imagens existem aos montes na internet; (2) qualquer adolescente de 13 anos consegue publicar suas fotos com edições básicas - seja usando o GIMP, o Paint ou uma cópia pirata do Photoshop. Basta olhar os milhares de flogs espalhados por aí.
Acredito que o projeto seria muito mais bem-sucedido se, ao invés de querer concorrer com o Flickr, ele tentasse fazer frente ao Splashup (antigo Fauxto, citado no post do ano passado). Nesse último, nos sentimos realmente dentro de um editor de imagens, com possibilidades de seleção, filtros e layers. Ou seja: tem mais cara de Photoshop do que o próprio Photoshop Express.
Cortar, rotacionar, ajustar o branco, aplicar filtros (e apenas alguns, predeterminados). Isso é o web-based Photoshop? É pouco, muito pouco. Para ser sincero, é um projeto que já nasce obsoleto e que, caso não ofereça mais funcionalidades, em pouco tempo vai manchar a imagem da empresa.
E essa imagem, amigos, não dá pra corrigir com o Photoshop.
Hoje é a estréia oficial do Hulu, site de vídeos elaborado pela News Corp. e pela NBC Universal que pretende bater o Youtube e o iTunes, ambos projetos bem-sucedidos de oferta de conteúdo multimídia na internet. Pelo que pude ler a respeito, a idéia é oferecer conteúdo de graça, ganhando dinheiro com a publicidade. Ou seja, estão todos vendo que o modelo de gestão de negócios do Google tá dando certo, e agora resolveram aplicá-lo também.
Não é preciso ser um gênio para enxergar que conteúdo na internet é algo tão incontrolável quanto o uso de drogas: por maior que seja a fiscalização e a pressão dos grandes conglomerados de mídia, sempre haverá gente copiando e repassando conteúdo protegido. Sempre. Ou seja: já tá mais do que na hora de pensar num novo modelo de negócio, que reconheça essa nova realidade.
Na home do Hulu, um grande banner inicial oferece várias opções (só para ter uma idéia, as opções são: Welcome to Hulu > Os Simpsons - Dial N for Nerder > Top 10 NBA > Os Suspeitos (filme) > As 3 temporadas de Arrested Development > The Big Lebowsky > Estréia da série Canterbury's Law > Saturday Night Live. Tá bom ou quer mais?). Infelizmente ainda não dá pra assistir aqui, porque o serviço só está disponível para internautas dos Estados Unidos, mas a perspectiva é das melhores.
É bom ver que enquanto gravadoras esperneiam e tentam nadar contra a maré, peixes grandes da indústria do entretenimento estão adaptando-se e fazendo algo a respeito. Algo positivo. Que seja o primeiro de muitos serviços do gênero, e que chegue logo por aqui.
Eu fico otimista ao observar tentativas de governos em projetos de inclusão digital e educação, até porque realmente acredito que o caminho é esse mesmo. O futuro está nas novas redes telemáticas e no uso que as pessoas podem fazer delas.
Lula promete anunciar banda larga em escolas públicas nos próximos dias [IDG Now!]
Ao ler notícias como essa, a minha primeira reação é sempre de otimismo. Mas esse otimismo não vai muito longe, e eu vou buscar lá nas leituras pra minha monografia a explicação pro desânimo que se segue ao sentimento de esperança num futuro melhor.
(1) o técnico, que vai dar suporte estrutural à construção das idéias e pode ser exemplificado pelas estradas, prédios, meios de comunicação (coisa);
(2) o cultural, mais abstrato, representado pelo conhecimento registrado em livros, enciclopédias, na World Wide Web (signo);
(3) o social, que corresponde ao vínculo entre as pessoas e grau de cooperação entre elas (cognição);
(4) o intelectual, que será a soma dos três capitais anteriores (e que é o núcleo do que chamamos de inteligência coletiva).
Basta olhar pro diagrama acima para entender meu pessimismo: banda larga em escolas públicas são um avanço estrondoso no capital técnico, mas que não irá resolver nada enquanto os capitais cultural e social estiverem capengas do jeito que estão. Constatado o problema estrutural, nada nos resta a não ser chorar no cantinho.
No último dia 24, a primeira coluna de tecnologia Expressão Digital foi postada, num projeto de trazer, semana após semana, informações e impressões acerca da nova cena mundial tecnológica (a coluna mais recente foi exatamente no dia 24, mas não tinha me dado conta da data, então vai hoje mesmo).
Por falta de assunto, não vai ter coluna hoje: vai ter só o profundo agradecimento aos leitores, aos companheiros de blogue e aos cliques no adsense que, por bem ou por mal, são o principal motivo das postagens (nem sempre) freqüentes por aqui.
"Fato: durante toda nossa vida cresce cerca de 560km de cabelo na nossa cabeça". Quem foi criança na década de 90 sabe que, toda frase precedida por "Fato" será uma verdade surpreendente. E sabe também que um cara de cabelo estranho e jaleco verde, uma assistente esperta e um cara estúpido com roupa de rato podem fazer história na TV.
Beakman's World é, provavelmente, o máximo que já se atingiu quando o assunto é TV educativa. A sua forma de explicar o mundo para crianças e jovens foi (ainda é) revolucionária, e esse mérito continua valendo - tente encontrar, hoje em dia, programas com essa qualidade.
A idéia de escrever sobre esse programa veio da minha última aquisição: o dvd The Best of Beakman's World. Mesmo sem legendas ou áudio em português, é simplesmente demais.
E não é só pelas tiradas cômicas do Lester, pelos diálogos non-sense dos pingüins Herb e Don a cada início / término de programa ou pela forma hilária como eles explicam a ciência. É principalmente pela nostalgia que isso provoca, e pela renovação da esperança de que sim, pode existir TV educativa com qualidade.
Pois é, cada vez mais se fala de TV digital no Brasil. Com propagandas engraçadinhas na TV, o ministro Hélio Costa tá tentando nos convencer de que (1) a escolha pelo modelo japonês foi realmente a melhor opção e que (2) isso traz uma revolução na forma como as pessoas vão assistir à TV.
Bueno, a gente sabe que a tendência clássica, no Brasil, é de fazer a coisa "do jeitinho brasileiro". Nós pegamos a culinária japonesa e fizemos sushis sem peixe nem algas, pegamos o country americano e transformamos num pseudo-country caipira em Barretos, pegamos a democracia e transformamos nisso que temos hoje em dia. Já estamos acostumados, e provavelmente nos acostumaremos a essa "nova" TV.
Na verdade, a cagada já tá feita. O modelo japonês, escolhido pelo governo, favorece os grandes grupos de mídia, mantendo a concentração da informação nas mãos de alguns poucos. Para esclarecer um pouco mais o assunto, o TV Digital no Brasil é um bom começo. Mesmo com o aumento da capacidade do espectro, a oferta de conteúdo deve continuar com os mesmos de sempre, o que é uma grande chance perdida para pluralizar a informação. Lobby é lobby, não adianta.
Mesmo às vésperas do "lançamento" da TV digital, algumas coisas ainda não estão bem claras. E apesar do discurso otimista do governo e da Globo, de novo ficaremos contentes com a mediocridade daquilo que podia ser mas não é, tudo porque o poder público tem medo de enfrentar os conglomerados de comunicação.
O termo acima ficou muito famoso depois do filme homônimo, mas seu significado é anterior: "O Armagedon (ou Armagedão) é identificado na Bíblia como a batalha final de Deus contra a sociedade humana iníqua" [Wikipédia]. É mais comumente conhecido como o fim do mundo.
Pois rolam boatos que isso poderia acontecer aqui, na internet.
Internet pode ficar sem capacidade em 2010, diz estudo [IDG Now!] Washington - Internet vai criar 161 exabytes em 2007, o equivalente a 50 mil anos de vídeos com qualidade DVD, diz estudo da Nemertes Research.
Provavelmente mais uma das inúmeras previsões catastróficas que não se concretizarão. Por via das dúvidas, guardem esse post; ele pode ficar famoso caso isso venha a acontecer.
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Entreguei ontem as três cópias da monografia. Caminho a passos largos rumo à liberdade.
É engraçado como a produção de conhecimento está restrita ao meio acadêmico - tanto que, nas normas da ABNT, sempre se pressupõe que haja uma instituição de ensino, como se o indivíduo, sozinho, não pudesse produzir conhecimento. Ela também precisa ser apresentada numa determinada forma, para que seja considerada válida. O que isso tem a ver com internet?, vocês perguntam. A relação fica mais clara quando lembramos daquela campanha do Estadão.
O conhecimento precisa ser legitimado de alguma forma. A monografia, por exemplo, precisa ter um embasamento teórico, precisa ter um embasamento metodológico, precisa seguir certas normas formais, para que possa ser considerada um trabalho científico. Fonte X, margem Y, paginação padrão, referências bibliográficas. O Foucault fala disso no "Ordem do Discurso", que eu acho um baita livro e recomendo.
Ele lembra que a forma não valida automaticamente o conteúdo, o que é uma afirmação interessante de se ter presente em épocas de blogues e crescimento da produção de conhecimento na internet. É possível escrever baboseiras normatizadas, em formato acadêmico, bem como é possível que algum blogueiro-cientista possa revelar ao mundo uma grande descoberta e ser menosprezado por ser um blogueiro e estar fora do meio acadêmico.
Com certeza, a partir da atual profusão de informação, se faz necessária a existência de um filtro. E a definição desse filtro é que deve ser cuidadosa, para que não os apeguemos a certos tipos de informação/conhecimento legitimados somente pela forma. A melhor legitimação se dá pelo conteúdo.
A coluna já sai atrasada, e todos sabem que a causa é a monografia. Na verdade, tudo nos últimos tempos gira em torno da monografia. Então decidi que a coluna dessa semana também vai girar em torno dela. Às favas com o assunto originalmente proposto para a coluna - tecnologia. Só não quero deixar os leitores no vácuo.
Estive pensando como será minha participação no Cataclisma14 nas próximas semanas. E acreditem: a perspectiva não é nada animadora. Os dias abaixo são as quartas-feiras que, teoricamente, deveriam trazer uma coluna Expressão Digital.
31/10 - Dois dias antes, terei entregue o formulário com os nomes dos 3 professores que farão parte da banca, bem como o título e as definições de data/hora. Ou seja, não dá mais pra voltar atrás. Bate o desespero, tento analisar os portais governamentais até de madrugada, e a coluna talvez saia na quinta-feira, talvez não.
07/11 - A data de entrega das três cópias da monografia está a exatas duas semanas de chegar. Vejo que não tenho o número de páginas que esperava ter, e o desespero volta. Um lembrete do Google chega no meu email: "Postar Expressão Digital". Putz. Num golpe de covardia, escrevo sobre as observações que fiz na análise da minha monografia, que têm a ver com o assunto da coluna, e que são as únicas coisas que passam pela minha cabeça no momento.
14/11 - 1 SEMANA!!!! PUTA QUE PARIU!!!! 1 SEMANA!!! Nada de coluna, como vocês podem imaginar. Últimos ajustes na monografia. Olho para o relógio (do celular) a cada 5 minutos, pensando que são 300 segundos a menos para entregar o trabalho final que vai me libertar dos grilhões da faculdade. Ansiedade pegando.
21/11 - Êxtase total. Levo as três cópias da mono até a secretaria, provavelmente peço um recibo, para garantir. Volto pra casa, abro uma champanhe, comemoro com as pessoas próximas e escrevo uma coluna light e desconexa, mas finalmente dentro do prazo.
28/11 - A ansiedade da espera pelo dia da banca é terrível. Além disso, ainda tem o trabalho de Especialização (quem mandou não fazer antes...?) e o trabalho final de Psicologia Social I, pra complicar mais minha vida. Não me importo de tirar um C, desde que acabe o pesadelo. Coluna burocrática, provavelmente sobre alguma notícia tirada do IDG Now!.
05/12 - Já terei apresentado o trabalho para minha banca. Mais êxtase, outra champanhe aberta, talvez um jantar fora para celebrar. Outra coluna desviada do assunto, com expressões como "UHUUU!!!" e frases desconexas sobre formatura.
A partir daí, espero manter a regularidade, voltando a postar às quartas-feiras.
Eu tinha pensado em trocar a coluna dessa semana com o André, pra poder escrever sobre Tropa de Elite, que não à toa foi um dos melhores filmes lançados esse ano, e provavelmente um dos melhores do cinema brasileiro até hoje. Desisti, porque ele foi mais rápido que eu, e também porque falou todas as coisas que eu tinha pensado em falar.
Mas enquanto nós, quase formandos de uma faculdade de comunicação, ficamos falando sobre como é bom ver um filme que "apresenta os integrantes do BOPE não como heróis ou vilões, mas sim como produtos da necessidade: o Capitão Nascimento do filme não é a solução, apenas uma tentativa de reduzir os sintomas" (COSTA, 2007), aparece um veículo de comunicação com uma tiragem de 1 milhão de exemplares que estampa na capa a seguinte chamada:
"Pegou Geral" O filme Tropa de Elite é o maior sucesso do cinema brasileiro porque trata bandido como bandido e mostra usuários de drogas como sócios de traficantes.
Eu sei, a tendenciosidade da dita revista já foi discutida várias vezes, mas é deprimente ver que muita gente compartilha dessa visão. Ao assistir o trailer do filme no youtube, os comentários são claros:
"não tao errado nao tem q mata boy e tem que mata os cara que distribuem foda-se os 2 não tem lado certo nem coerente com o que faz perante a lei."
"Acho que depois de Cidade de Deus e Cidade dos Homens, dá pra ver que dessa vez bandido é realmente visto como bandido, e é punido como deve realmente ser punido."
"filme show demais, assisti no cinema, bandido tem que morrer, num tem que matar 6 ou 12 , tem que matar todos"
A superficialidade de opiniões desse tipo é tão grande quanto aquelas apontadas pelo André: resume um problema complexo em uma solução simples. E se fossem só opiniões de piás inconseqüentes num vídeo do youtube tava tranquilo. O problema surge quando um veículo do tamanho da Veja começa a estampar isso na capa e reforçar esse tipo de visão.
O filme - isolado - pode levar à reflexão, e isso é incrível. Mas refletir não interessa à Veja: ela quer mesmo é matar bandido. Porque é assim que as coisas vão se resolver.
Impressora sem tinta leva impressão para a era da mobilidade [IDG Now!]
Primeiro o celular, depois as redes sem fio, agora isso. Quem poderia imaginar que...
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Assim começaria a minha coluna dessa semana, atrasada como de praxe. Mas nos comentários do post anterior do Leandro, foi possível constatar que alguns ânimos estão um tanto exaltados em função de uma situação específica.
Quando comecei a pensar numa defesa para nosso blog, recebi o texto abaixo do André. Que seguramente fala por todos os integrantes deste veículo de comunicação, alvos de acusações infundadas e ofensas gratuitas. Espero que tais mentiras despropositadas não afetem o sentimento dos nossos leitores assíduos em relação ao blog.
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A campanha anti-blogs do Estadão só comprovou: o Brasil não sabe o que fazer com a Internet. Não sabe usar, não sabe legislar, não sabe aproveitar esse veículo que se tornou muito mais do que uma simples ferramenta, diminuindo distâncias e facilitando o contato com novas pessoas e culturas.
Pois o mesmo Estadão, demonstrando total falta de ética jornalista e se rendendo ao sensacionalismo barato, publicou nota acusando este blog de corrupção e manipulação do interesse público. E não podemos ficar quietos enquanto a nossa integridade está em xeque: a falta de provas e as contradições no texto demonstram que as informações não foram conferidas, sendo originadas por boatos infundados.
O compromisso do Cataclisma14 é apenas oferecer diversão e pontos de vista diferentes sobre as questões pautadas pelo agenda-setting. Nossa política interna, baseada na liberdade de expressão, sempre foi de oferecer o melhor ao público. Se o concurso das camisetas foi (temporariamente) suspenso, existem motivos justos para isso, e ao invés de sair acusando, as pessoas deveriam tentar entender melhor o funcionamento complexo de um blog que preza pela qualidade, e não pela quantidade.
Coluna atrasada, com título roubado do André e com pequenas notas sobre superficialidades. Monografia, trabalho e preguiça dão nisso.
Sem fazer alarde, Microsoft permite que usuários do Vista retornem ao XP [IDG Now!] Isso é o que eu chamo de "confiança no produto". Apesar de não ser um péssimo sistema operacional, o Vista é "diferente" demais, e o pessoal tá rejeitando. Já pensou se o primeiro "Service Pack" pro Vista deixar ele igualzinho ao XP? Irônico.
Esperma de salmão melhora emissão de luz em LEDs [Terra] Alguém pode me explicar como RAIOS conseguiram descobrir isso? Vida de cientista deve ser uma merda.
Crianças estão insatisfeitas com próprio corpo, mostra estudo em MG [Folha] Ok, ok, não tem nada a ver com tecnologia, mas achei pertinente destacar essa notícia por estar diretamente associado à postagem Ah, esses publicitários.... Cada vez mais me convenço que o mundo caminha para aquele vídeo. Deprimente.
Eu poderia escrever um texto falando sobre o prazer de escrever num blog e ver que outras pessoas lêem,e voltam, e gostam do que foi escrito. Poderia falar dos nossos grandes planos de, com nosso talento, criatividade, sorte e tino nos negócios, comprar o Google, a Yahoo e a Globo, e nos tornarmos os empresários de comunicação mais poderosos, influentes e bem humorados de todo o universo. De como utilizaríamos nosso primeiro US$1 milhão ganho com esse blog. Um blog que desde dezembro de 2005 - ou setembro de 2004, se considerarmos o LaMáfia - vem trazendo suas idéias à internet, despretensiosamente.
Poderia falar de tudo isso, mas lendo essa notícia eu me deprimi, e resolvi não escrever mais nada.
Interesse em comum + falta de assunto + um pouco de preguiça = post parecido com o do Leandro.
1. Um aspecto muito discutido a respeito dos blogs é a credibilidade das informações. Qual é a sua opinião sobre isso?
"Acho que credibilidade não é algo que se possa esperar ou exigir dos blogs, porque eles não tem o compromisso de verificar as informações que publicam."
Concordo com o Leandro, e é exatamente por isso que não busco informação em blogues. Como já falei no questionário anterior, acho que os blogues se prestam muito bem para apresentar diferentes opiniões, e só. Tanto que hoje em dia as notícias continuam sendo geradas - na sua maioria - pelos grandes conglomerados de mídia, e não por blogueiros. O blogue vai participar com a discussão posterior, auxiliando as pessoas a formarem seu próprio ponto de vista.
2. Na sua opinião, quais os aspectos positivos e negativos em um blog?
Positivo: possibilidade de dar voz a qualquer pessoa que tenha (1) um pouco de inteligência, (2) acesso a um computador e à internet e (3) alguma coisa a dizer.
Negativo: às vezes, o primeiro quesito dos aspectos positivos não é - nem parcialmente - preenchido. Muitas vezes, diga-se de passagem.
3. Você procura conhecer que é o(s) autor(es) do(s) blog(s) que costuma ler? Ou isso não é importante para você?
Não é importante. Como o Leandro falou, só o que importa, no final das contas, é o conteúdo.
4. O que leva você a comentar um post? Você faz muitos comentários no(s) blog(s) que lê?
Normalmente utilizo os comentários como uma estratégia sórdida para divulgar o próprio Cataclisma14. Mas só costumo comentar se tenho algo a adicionar sobre o assunto discutido. Coisas como "Muito legal seu blog, visita o meu!" são ridículas. É muito mais repelente do que atrativo.
5. Na sua opinião, um blog precisa de muitas atualizações diárias? Ou isso não é um aspecto importante?
Cada blogue é um blogue, não há regra. A tendência é que muitas atualizações diárias tornem o blogue superficial demais, então prefiro aqueles que, mesmo sem atualizar com altíssima freqüência, aprofundem um pouco mais o assunto do qual tratam. Como já falei, o que me atrai são opiniões.
6. Qual a importância dos links nos textos dos posts? Você costuma acessar as outras informações que o autor do blog disponibiliza? Você acha isso importante?
"Acho importante saber de onde o autor do blog retirou os dados ou idéias que ele está publicando, para se ter mais informações e detalhes sobre o assunto."
Concordo plenamente com o Leandro. Se eu visito a fonte, eu posso ter a minha própria opinião sobre o assunto do qual o autor fala, e contrastá-la com a opinião dele. Além disso, não podemos esquecer que a hipertextualidade é uma das "almas" da internet. Os links estão aí para serem usados.
"Penso que os links nos textos aproximam o blog dos fatos e da realidade, o que enriquece seu conteúdo e o torna mais relevante - mesmo que não se clique em todos os links indicados."
Isso se chama "concretude", é uma estratégia narrativa, e aprendemos nas disciplinas de Comunicação em Língua Portuguesa I, II e III. Ah, bons tempos aqueles.
8. Existe algum outro aspecto sobre os blogs que você ache importante comentar?
Acho que um aspecto importante é a possibilidade de formação de comunidades entre blogues - por unidade temática, por afinidade entre os autores ou por proximidade geográfica, tanto faz. Apesar de parecer paradoxal, oferecer algumas outras opções interessantes para o seu leitor é uma técnica interessante para cativá-lo. E a criação de uma comunidade cria identificação, e acaba atraindo ainda mais leitores.