Atendendo mais ou menos às exigências do Valter nesse post aqui, coloco abaixo mais ou menos como seriam os indicados ao Oscar desse ano se fossem produzidos na década de oitenta, e visando o inesgotável mercado da Sessão da Tarde
Quem Quer Ser um Milionário? Um garoto chega até o final de um programa de TV, podendo ganhar um milhão de dólares se responder corretamente à última pergunta - no entanto, para isso, ele precisa de um objeto que esqueceu na casa de seu amigo após uma festa. Agora, com a ajuda da charmosa assistente do cínico diretor do programa, eles precisam reconstituir seus passos desde a infância até o trago fenomenal dos últimos festejos para descobrir o paradeiro do objeto que pode torná-los milionários, encontrando no caminho situações pra lá de esquisitas e muita confusão.
O Lutador Randy "Carneiro" Robinson é um solitário lutador de wrestler que, após atingir o auge da carreira no final dos anos 80, agora vive de pequelas lutas e participações em eventos. Mas quando a grana fica curta, ele aceita um trabalho como babá de três endiabradas crianças durante uma semana. E esse grandalhão está prestes a descobrir que essas pestinhas dão mais trabalho do que qualquer outro inimigo.
O Leitor Um adolescente se apaixona por sua professora de alemão, e os dois começam a viver um caso, até que o diretor ranzinza do colégio descobre. Agora, com a ajuda de sua turma, o adolescente precisa armar um plano pra tirar sua professora dessa enrascada, antes que ela seja despedida e todos levem bomba na matéria.
Frost/Nixon Emilio Estevez interpreta um professor que treina uma equipe de debate do colégio. Mas pra se tornarem os campeões nacionais, eles têm que enfrentar uma escola que gosta de jogar sujo. Agora o novo astro do time, David Frost, vai superar todos os obstáculos para se firmar como o melhor debatedor e impressionar a gata mais desejada do colégio.
Milk - A Voz da Igualdade Quando um novo diretor é nomeado para a escola, a turma de Harvey Milk acaba sendo deixada de lado enquanto a elite dos alunos recebe cada vez mais privilégios. Mas essa galera não vai deixar barato, virando o colégio de pernas pro ar e deixando o diretor enlouquecido, em uma aventura enlouquecida cheia de confusão.
O ano está em seu derradeiro final, e ao longo destes 365 dias muitas e muitas películas castigaram ou fizeram meus olhos brilharem - foram 99 filmes, pra ser mais exato, sem contar os que eu já tinha assistido (abraço, Clube da Luta, O Poderoso Chefão e tantos outros) ou assisti mais de uma vez. Até pensei em assistir mais um pra fechar 100 e tal, mas tenho um pouco de medo de números redondos.
Então é hora de fazer a melhor retrospectiva cinematográfica da imprensa mundial, arruinar carreiras, elevar produções, dar um sacode em Hollywood, essas coisas que todo mundo faz. Sintam-se à vontade para criticar as listas e refrescar a minha já vacilante memória.
Destaques de 2009 (em parênteses, o título original e o nome do diretor. Menos neste parênteses aqui, obviamente. Mas acho que vocês já haviam deduzido isso)
*filmes que foram lançados antes de 2009, mas que eu não havia assistido porque moro em uma terra selvagem onde algumas produções não conseguem chegar.
O Pior
A concorrência foi forte esse ano, tanto é que não existe um vencedor, e sim três. Porque G. I. JOE, Lua Nova e The Spirit extrapolaram completamente, atirando seus respectivos espectadores em um abismo infinito de ruindade e roubando as almas das pessoas nos cinemas.
Os Melhores
Vamos ver se eu consigo definir esse Top 3 de forma não muito exagerada: cada um deles vale por, pelo menos, dois ou três cursos de graduação. Dos bons.
Escrito e dirigido pelo estranho mas genial Charlie Kaufman, Sinédoque, Nova Iorque joga bobagens como linearidade e EXPLICATIVIDADE pro espaço. Certas coisas no filme não ficam muito claras - entretanto, da forma com que é conduzido, ele oferece ao espectador a oportunidade de interpretar e construir um significado pessoal em cima da trama. E quando a película acaba, o sujeito está com a cabeça fervilhando de idéias que ele mesmo construiu conforme a narrativa ia se desenrolando. Pedir mais do que isso, apenas se...
... alguém totalmente megalomaníaco resolve que vai mudar o cinema por completo, e ao invés de um filme, faz uma experiência. Avatar é tudo que disseram que ia ser, tudo que se propôs a ser, e mais do que eu esperava que seria. Cameron criou um mundo inteiro completamente crível, e fez platéias do mundo inteiro ficarem novamente maravilhadas em uma sala de cinema, como se fossem crianças vendo a telona pela primeira vez. E Avatar teria ocupado o primeiro lugar dessa lista com louvor, se não fosse...
... o diretor Darren Aronofsky sequestrar Deus, colocar ele no corpo do Mickey Rourke e jogar ambos na história mais cativante do mundo desde a conquista da Libertadores pelo Grêmio em 1995. O Lutador é um filme intenso, brutal (trocadilho obrigatório), com personagens que ficam na cabeça do espectador. Uma obra-prima, daquelas que tiram lágrimas até do zagueiro mais grosso e que ficam ecoando na cabeça até do atendente de telemarketing mais insensível.
Essas são as minhas considerações cinematográficas de final de ano. Todos os filmes citados aqui, e mais outros, estão comentados lá no twitter Dicas de Filmes. Agora é esperar e ver que tipo de lutadores e espíritos 2010 trará.
Comprei um videogame ontem. Um Xbox, pra ser mais exato. Aliás, pra ser mais exato ainda, comprei um RODADOR de Winning Eleven (a versão 2010 do jogo está "real" demais e bastante imune às manhas de versões anteriores. Desprezo-a). E, enquanto deixava os rins dos meus netos na loja, uma coisa me chamou a atenção: o tamanho da área direcionada apenas a videogames.
Vejam bem, quando eu estava na adolescência, videogames e histórias em quadrinhos (vocês devem conhecê-los hoje como games e graphic novels, porque tudo que é nomeado de acordo com a língua inglesa é por definição melhor) eram coisas de nerds - e nerds, na época, não passavem de pessoas desajustadas socialmente, cuja função básica na hierarquia escolar era servir de chacota. Ou seja, admitir qualquer intimidade com as duas atividades citadas podia ser considerada o equivalente social a dar um tiro na testa.
Por isso tenho uma certa estranheza ao perceber a proporção que os quadrinhos e os videogames tomaram, ocupando lugares de destaque em grandes lojas. Parece que a maré virou, hein? Hoje em dia ser nerd é até motivo de orgulho, e não duvido que logo seja a ordem social vigente. Até já imagino um bando de geeks (ah, a força das nomenclaturas) pegando um dos atletas do time de futebol na saída do colégio e jogando ele em uma lata de lixo no formado de R2-D2. Daí vem um monta de gostosas com o cabelo PRINCESA LEIA STÁILE e ri do atleta, enquanto sai pra tomar milk-shake com os nerds.
Se é que esse tipo de coisa já não acontece, sei lá. Tem até aquele slogan do seriado The Big Bang Theory, que diz "Smart is the new sexy", não tem? Bem, se for o caso, então podem cair em cima e me disputar a tapa, meninas: agora eu tenho um Xbox.
O Lutador - 5/5 Mickey Rourke MARLONBRANDEIA afu na película, que só não venceu o Oscar para não ter seu nome associado com Shakespeare Apaixonado. É imperativo assistir no cinema, de preferência em uma sessão com pouca gente, e ficar durante os créditos enquanto rola a canção The Wrestler do Bruce Springsteen. Chorei feito um bebê.
Milk - A Voz da Igualdade - 4/5 Segue a cartilha das cinebiografias, sem muitas inovações e ousadias além de mostrar Sean Penn (afetadamente competente no papel) e James Franco se beijando. Mas, assim como em Gênio Indomável, mesmo através de uma narrativa convencional o diretor Gus Van Sant consegue fazer a diferença, em parte graças ao roteiro fluído, em parte graças ao elenco sem pernas-de-pau.
Walk Hard - The Dewey Cox Story - 3/5 Não acho que as cinebiografias de músicos tenham chegado a um ponto onde possam ser satirizadas (como as de super-heróis ou de filmes de terror, por exemplo), mas talvez tenha sido isso que impediu Walk Hard de ser apenas uma colagem de cenas famosas para se tornar um filme realmente engraçado em alguns momentos, apesar de passagens cansativas e pouco inspiradas.
Correndo com Tesouras - 3/5 Um daqueles filmes indie onde nada parece acontecer a não ser eventos estranhos sem conexão nenhuma com qualquer coisa que seja. Mas, sei lá, é bastante interessante durante boa parte do tempo e, pasmem, tem até algumas cenas divertidas (algo normalmente proibido pra filmes indicados ou premiados em festivais alternativos).
2 Dias em Paris - 4/5 Diálogos, diálogos, diálogos. Como toda produção francesa, o filme se regozija de diálogos, come eles no café da manhã. Só que aqui isso funciona, tanto para prender o espectador como para definir (e desvendar) as personagens e, claro, para fazer observações astutas sobre o mundo. Diversão inteligente e pertinente e até certo ponto descompromissada, se é que isso é possível.
Antes Que o Diabo Saiba que Você Está Morto - 5/5 A coisa é mais ou menos assim: se Phyllip Seymour Hoffman está no cartaz do filme, assista. Antes que o Diabo Saiba... é, mais do que outra performance lacrimejantemente boa do ator, uma complexa e intrincada teia de acontecimentos, desejos, enganos, insatisfações, traições, dores e todas aquelas coisas que definem nós, seres humanos(?).
O Homem-Elefante - 5/5 Não, não é nome de filme pornô, e sim a história de John Merrick, sujeito que nasceu deformado como um esquema de três zagueiros que utiliza dois volantes. Claro que, apesar disso, ele se mostra uma pessoa gentil e educada, e claro que isso cativa muita gente "normal", e claro que a cena do teatro toma o espectador nos braços e espreme ele até não sobrar nem uma gotinha de água salgada ali dentro.
Die Welle - 4/5 A narrativa ágil e descolada [/MTV], quase urgente em determinados momentos, acaba se mostrando a escolha ideal para essa história de como os jovens são facilmente manipuláveis, principalmente quando a arrogância deles não permite que admitam isso. O final é melodramaticamente previsível, mas até lá o filme flui como cerveja em estádio de futebol.
Il Divo - 3/5 Um filme de máfia que começa bem, dinâmico, estiloso e tendo como protagonistas pessoas poderosas da Itália. Mas logo a película começa a empilhar personagem atrás de personagem, dando à história uma atmosfera de lista telefônica, e a coisa desanda.
Pecados Íntimos - 4/5 Uma interessante análise sobre a eterna insatisfação humana, como sempre queremos algo a mais, como nunca nos contentamos quando conseguimos, como as nossas relações são baseadas em estruturas frágeis e que, ao mesmo tempo, tornam tão difícil ir embora. Ah, e rola putaria.
O Escafrando e a Borboleta - 4/5 Daquelas obras que as pessoas assistem e dizem "Uau, isso mudou minha vida", embora continuem levando suas existências exatamente da mesma forma. Visualmente interessante e sem tornar-se um chororô desenfreado (fosse novela da Globo, gastaria mais em lágrimas falsas do que todos os Sexta-Feira 13 juntos gastaramcom sangue artificial), o filme simplesmente conta muito bem uma história muito bonita. Cativante como uma balada de três notas no violão.
Esses dias, percorrendo a Avenida Ipiranga no sentido PUC-Praia de Belas, percebi um frontlight da Reebok que tinha as seguintes expressões: Enjoy the ride. Run Easy. I am what I am.
Embaixo tinha o logo da Paquetá Esportes, sendo "esportes" a única palavra em português que aparecia no anúncio. Pra quem quiser ver, é ali no ginásio da Brigada, esquina com a rua Silva Só, perto do McDonalds, onde se pode comprar hamburguer, cheeseburguer, sundae, milk-shake e, pelo jeito que as coisas andam, french fries.