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Série "Todo Mundo em uma Ilha"
André - 31 março 2010 - 21:38
Temporada 06, Episódio 10
Décimo episódio e contando. Começamos vendo o acampamento do Locke Fumacê, onde a galera senta em roda, esquenta marshmallows na fogueira, conta histórias de terror, essas coisas. Locke vai conversar com o Jin, diz que vai logo ali buscar a Sun e já volta - mas enquanto ele está ausente, a CAMBADA DO BARULHO de Widmore dá as caras, atira dardos tranquilizantes em todo mundo (solução dos roteiristas sempre que precisam desacordar alguém sem matar. É como as chaves de braço de Jack Bauer em 24h), pega o Jin e liga o modo "sebo nas canelas". Locke SMOKE ON THE WATER encontra Sun e tenta chamar ela pra dar um rolê, só que a japinha dá o toco nele e sai correndo, parando só ao beijar involuntariamente um galho de árvore. Quando Ben a socorre, descobre que ela desaprendeu a falar inglês, o que, aparentemente, não possui relevância nenhuma na história.

O Jin e a Sun da realidade alternativa não são casados, mas mandam no TICO-TICO COM FUBÁ de vez em quando. Numa viagem aos Estados Unidos, os dois (ele é segurança dela) são pegos com a mão na massa e um mercenário, contratado pelo pai da Sun, tenta matar o namorado dela. É aí que a história se cruza com a realidade alternativa do Sayid, e por alguns segundos fica até interessante, mas depois que os pombinhos escapam a trama dá com os burros na água de novo.

Voltemos à ilha: quando Locke SMOKE ON THE WATER chega no seu acampamento e vê todo o fuzuê que foi armado, acorda o Sayid, pergunta o que houve e diz pro iraquiano que eles vão lá no submarino do Widmore rodar a baiana. Ao chegar perto, Locke Fumacê vê que o bilionário construiu aquelas barreiras de som, provavelmente armadas com Legião Urbana no último volume, e que ele não pode passar. Widmore chega, os dois trocam farpas, Locke Gasoso fica de birrinha e diz que vai ter troco, e a coisa termina por aí. Mas Sayid, maroto como um pirralho de ESTILINGUE, mesclou-se ninjamente às sombras para descobrir qual é o segredo citado no episódio do Sawyer (e que também foi mencionado na superficial conversa de Widmore com Jin). Então, enquanto no time Jacob o Richard ressurge e diz que eles vão esfregar a fuça do Locke Fumacê no chão, Sayid descobre que o grande segredo, o pacote, o mistério da turma do Widmore é ninguém mais, ninguém menos que.... Desmond Hume (Sayid só não ergue os braços em comemoração à volta da melhor personagem da série porque seria visto)! E aí bróda, aí o episódio chega ao fim.

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Until the end of the world
André - 30 março 2010 - 23:12
Como vocês sabem, o LHC, também conhecido como "acelerador de partículas", "Grande Colisor de Hádrons" ou "TUBÃO", foi ligado hoje. Graças à Cruyff o mundo não acabou, mas nunca se sabe, talvez a coisa vá por partes. Portanto, fiquem atentos aos eventos que descreverei abaixo, pois eles podem ser o sinal de que a vaca está realmente indo pro brejo:

O iPAD não parece tão impressionante agora, certo?

- Elano desconvocado da seleção;
- Ônibus chegando precisamente nos horários;
- Pessoas conseguindo cancelar cartões de crédito que elas não haviam requisitado;
- Ivete Sangalo não sorrindo;
- Um pão caindo com o lado da manteiga pra cima;
- Josué desconvocado da seleção;
- Um trending topic brasileiro no Twitter que possua alguma coisa minimamente relacionada à bom senso;
- Uma pessoa que REALMENTE usa o celular pra telefonar;
- Guns and Roses saindo em turnê com seu mais novo disco, Chinese Democracy, após este ser lançado.
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Dragões completamente em chamas
André - 28 março 2010 - 19:33
Como Treinar seu Dragão (How to Train Your Dragon)
5/5

Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders
Roteiro: Dean DeBlois e Chris Sanders, baseado em livro de Cressida Cowell

Elenco
Jay Baruchel (voz do Soluço)
Gerard Butler (voz do Stóico)
America Ferrera (voz da Astrid)
Jonah Hill (voz do Melequento)

Desde que Toy Story inaugurou o mercado dos longa-metragens de animação computadorizada, a Pixar utilizou-se de algum código da Konami e largou na frente, deixando o resto da galera comendo poeira. Só que em algum momento a Dreamworks percebeu que não bastava colocar um ogro verde parodiando cenas de filmes para fazer algo memorável, e decidiu que ia tocar o terror pra cima da Disney. Porque este Como Treinar Seu Dragão é um salto, uma catapulta, um BURACO DE MINHOCA de qualidade em relação ao que a empresa estava apresentando. E a Pixar deve estar sentindo bafo quente de dragão no cangote.

Já no início somos apresentados aos problemas da vila, que sofre ataques constantes de mulheres feias dragões (por outro lado, devem ter poucos mosquitos por lá). E ao mesmo tempo que isso estabelece a posição dos vikings enquanto predadores dos animais, apresenta Soluço como um pirralho espirituoso e sensível que destoa daquele mundo. Por isso, não é surpresa quando, ao invés de matar um dragão Fúria da Noite (apelidado mais tarde de Banguela. Ah, as crianças e sua criatividade...), o guri se torna bróder dele. Da mesma forma, vamos percebendo a inteligência daquele garoto ao perceber diversos detalhes, interpretá-los, aplicar seu conhecimento, construir sua própria personalidade, que não é o que esperavam dele (e nem mesmo o que ele queria no início), mas sim o caminho que ele descobre no meio das dificuldades. Um avassalador trabalho de construção de personagem, que faria Tchekov chorar no cantinho de inveja.

Já o visual é completamente desnorteador, tanto pelos efeitos 3D (também conhecidos como "cuidado, está vindo na nossa direção!") como pela qualidade da animação - percebam a fluidez com que as barbas e cabelos dos vikings se movimentam, e também a preocupação com os PÊLOS DOS BRAÇOS das personagens, o que denota uma muito bem-vinda obsessão de CONTROLAR A NATUREZA por parte dos diretores. Da mesma forma, a aldeia viking, localizada em uma estrutura irregular de rochas, cujas construções são feitas à base de madeira e pedras, torna-se não apenas sem vida como também opressiva. Mesmo os grandes salões são tão envoltos em sombras quanto a Igreja Católica, o que também ajuda no contraste com Soluço, que é um molecote com cabelo stáile e pra lá de empolgado (não à toa o lugar onde ele e Banguela fazem amizade é repleto de verde, rios, sol, pássaros cantando e Scarletts Johanssons correndo nuas pela RELVA). E o trabalho da direção de arte é tão enveredado com o roteiro que, conforme a percepção dos vikings se altera ao longo da narrativa, a aldeia ganha uma atmosfera completamente diferente.

Também faz-se necessário reverenciar o trabalho dos diretores Dean DeBlois e Chris Sanders: totalmente alucinados, com ambições JAMESCAMERONIANAS, eles criam sequências que levam a expressão "poesia visual" ao ponto de ruptura, que pegam a expressão "grandiosidade" e a devoram como se fosse uma CAIXA DE BIS. Impossível não ter os batimentos cardíacos descompassados enquanto Soluço e Banguela sobrevoam paisagens sensacionais, derrapam nos mares, tocam nas nuvens, em inacreditáveis planos abertos que enchem os olhos e dão nós nas gargantas dos espectadores. Uma das melhores utilizações não apenas do 3D, mas também das oportunidades oferecidas pela animação (a câmera segue o menino e o dragão onde eles forem, sobe, desce, dá a volta, sem medo de ser feliz). Como se tamanha beleza não fosse o suficiente para ABATER o público, a trilha sonora dispara melodias épicas sem perdão, praticamente obrigando o pessoal da sala de cinema a despejar adrenalina no formato de lágrimas.

Como Treinar seu Dragão é puro deleite visual, mas também uma comovente história de crescimento e aprendizado. Possui uma profundidade até então inédita nas produções da Dreamworks, transmitindo sua mensagem de forma cativante, sincera e verdadeira (há uma preocupação em evitar as "concessões felizes", tão presentes em blockbusters). Fazer o paralelo com Coração de Dragão, outra espetacular obra onde homem e réptil alado forjam uma amizade singela diante de circunstâncias desfavoráveis, é inevitável, o que não deixa de ser um elogio. Porque esse Como Treinar seu Dragão é uma verdadeira experiência que faz a galera acreditar na tão clichê e abandonada expressão "a magia do cinema".

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Ready for the laughing gas
André - 25 março 2010 - 21:53
Foi só o Big Brother Brasil entrar em sua reta final que já lançaram um novo reality show. Como sempre, o programa tomou de ASSALTO a mídia nacional, que reverbera qualquer acontecimento dentro do recinto onde os participantes estão selados com uma importância inversamente proporcional à que possuem. Espirros viram furacões, choros viram tsunamis, discussões viram terremotos. A histeria coletiva dos fãs, torcendo desesperadamente por alguma das personagens, também está presente, e não seria surpresa total se alguém levantasse a camiseta com os dizeres "RIO 2016", "Copa 2014" ou "TIM: com você a todo momento" - por falar nisso, podem esperar algum merchandising completamente nonsense e que desafia os limites não apenas da lógica, mas da REALIDADE, vindo de alguma grande empresa. Enfim, todo o recheio que compõe um reality show.

Vocês já assistiram algum episódio? Não vi nenhum, mas disseram que é intenso. O nome é "Julgamento dos Nardoni".
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Série "Todo Mundo em uma Ilha"
André - 24 março 2010 - 21:51
Temporada 06, Episódio 09
Vamos embora. Na rodinha da turma do Jacob, os losties descobrem que são "candidatos", que a mina da metranca foi incumbida de protegê-los, e que Richard HIGHLANDER sabe qual é o próximo passo. É aí que Richard tem um chilique histérico, diz que na verdade todos eles estão literalmente mortos e no inferno - provavelmente falava dos fãs de LOST que aguentaram episódios como aquele da Kate - e sai emburrado atrás do Locke Fumacê.

Ao invés de realidade alternativa, aqui temos mais um flashback, como nas primeiras temporadas, porque essa fórmula fazia mais sucesso. Descobrimos que Richard morava nas Ilhas Canárias no século dezenove, que ele tinha uma esposa e que ela morreu de uma doença conhecida como "PROFUNDIDADE DRAMÁTICA PARA OUTRA PERSONAGEM". Richard mata acidentalmente (o que acontece muito em LOST, aliás. Mas divago) um médico na tentativa de afanar um remédio que poderia salvar sua mina, e é preso. Mas antes de ser enforcado o capitão Hanso liberta ele e o chama para uma viagem de navio até o "novo mundo" (abraço, Terrence Mallick!).

Claro que acabam dando com os burros na água (trocadilho obrigatório): no meio do aguaceiro que é o oceano, eles avistam uma ilha, e uma forte tempestade faz com que o navio (nome do navio? Black Rock) se choque com uma estátua enorme (dedos no pé da estátua? Quatro) e ambos fiquem em pedaços. Toda a galera morre e Richard e é solto pelo Locke SMOKE ON THE WATER (que está na versão 1.0, com aparência diferente). O Fumacê diz que eles estão literalmente no inferno, explica que Richard precisa matar "o diabo" Jacob (aparentemente, os dois são uma versão live action do Coiote e Papaléguas) pra escapar, só que na hora H o Highlander Cover toma um SAFANÃO e muda de lado. Jacob explica então que a Ilha é como um rolha protegendo uma garrafa inteira do que Richard chama de "inferno", "maldade", "Robinho", etc., e que, caso escape, o homem-fumaça vai tocar o terror no mundo e deixar o mal bandear pra tudo que é lado. Diz também que o Fumacê acredita que todo mundo é corruptível, e que ele (Jacob) chama as pessoas na ilha para provar o contrário. Por fim, oferece ao Richard um TRAMPO pra ser uma espécie de mensageiro entre o Jacob e os próximos visitantes da Ilha, provavelmente a primeira vaga de atendimento publicitário a surgir no mundo. Em troca, Richard vira imortal.

Ufa. Voltamos à Ilha nos tempos atuais, onde Richard foge da turminha do Jacob e pega de volta uma corrente que sua esposa havia lhe dado e que estava escondida num canto lá. Mas Hurley, que tem o dom de falar com os mortos quando o roteiro precisa, conversou com a esposa dele e seguiu o cara. O gordinho diz pro Highlander Cover o que a noiva-cadáver falou, é um momento emocionante, blablabla. No final, Hurley avisa que ela pediu para Richard impedir que o Fumacê saia da Ilha, senão "vamos todos para o inferno" (incluindo eu e você, leitor!). Um plano rápido mostra o Locke SMOKE ON THE WATER olhando os dois enquanto faz expressões misteriosas.

De volta ao passado, vemos Jacob encontrar o Fumacê 1.0, trocar uma ideia com o cara e depois entregar a ele a garrafa de vinho que usou na explicação pro Richard. Após Jacob vazar, o Fumacê solta uma frase de efeito e quebra a garrafa numa rocha, em um claro sinal de que coisas ruins vem por aí. E então o episódio chega ao final.

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Redes sociais, frases sofríveis
André - 22 março 2010 - 20:59
A implementação de diferentes redes sociais pela TEIA mundial de computadores criou uma nova necessidade: a de se definir de forma interessante suficiente, em caracteres suficientes, parecendo legal o suficiente para que pessoas suficientemente bacanas adicionem você à TEIA de contatos delas.

Para tornar isso mais fácil, a galera utiliza alucinadamente frases de efeito, sentenças pré-fabricadas, citações atribuídas erroneamente a determinados autores, e por aí vai. Na minha grande batalha por trazer justiça ao mundo, peguei algumas dessas frases e resolvi descontruí-las, o que inevitavelmente trará a paz mundial ao planeta e fará com que Jonas seja reconhecido como o maior atacante brasileiro da atualidade:

Garotas boas vão pro céu, garotas más vão pra onde quiserem.
Essa nem exige muita reflexão, pois há um erro grotesco de lógica ali: se as garotas más não podem ir pro céu, então elas não podem ir pra onde quiserem, o que invalida toda a frase. Tentem de novo.

OBCECADO é a palavra que os preguiçosos usam para definir as pessoas DETERMINADAS!
Vi essa frase em alguns perfis de pessoas que praticam exercícios físicos de forma... bem, de forma obcecada. Vamos virar o parafuso pro outro lado: um sujeito franzino, de óculos, que se mata trabalhando aos fins de semana apenas para comprar uma miniatura da Millenium Falcon que custa doze mil dólares. A galera da HIPERTROFIA acharia ele determinado ou obcecado? Exatamente.

Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Hein? O que seria "quase viver"? Será que ficar utilizando citações alheias ao invés de construir uma ideia própria se encaixaria nesse conceito? E ainda usam essa frase como se fosse do L. F. Veríssimo? IGNOMÍNIA!

Críticas não me abalam, elogios não me elevam.
Aqui temos duas situações: imagine você, mulher, encontrando-se com um sujeito pelo qual possui forte apreço romântico, alguém que mexe com seu coração e sua digestão, e ouvir dele um "ô, tá gordinha, hein?" seguido de um apertão na região do umbigo saliente; e imagine você, homem, indo pro quarto com aquela loira de seios titânicos, onde ela tira suas calças, olha pra você desnudo e solta um "er... deve ser o frio, né?", enquanto fazem 39°C lá fora. Acho que provei meu ponto.

Sua inveja é o meu sucesso.
Gatinhos de botas do SHREK são EMPALADOS toda vez que alguém usa essa frase em algum lugar. A simples presunção de assumir que os outros estão com inveja já torna a pessoa desprovida de QUALQUER COISA que possa remotamente instigar algo além de PENA DESCONTROLADA.
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Scorsese na cabeça
André - 21 março 2010 - 17:12
Ilha do Medo (Shutter Island)
4/5

Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis, baseado em livro de Dennis Lehane.

Elenco
Leonardo DiCaprio (Teddy Daniels)
Mark Ruffalo (Chuck Aule)
Ben Kingsley (Dr. Cawley)
Michelle Williams (Dolores Chanal)

Em 1954, Teddy Daniels é um agente federal que vai para uma ilha isolada investigar uma paciente que tomou chá de sumiço. No entanto, para acompanhar o sucesso de LOST, coisas estranhas começam a acontecer na Ilha, e logo Teddy envolve-se em situações que colocarão em xeque sua própria sanidade.

Como sempre, o título brasileiro não faz jus ao original e à história - o correto seria algo como, por exemplo, Ilha do FREUD EM CHAMAS. Porque o que realmente toca o terror ali, com o perdão do trocadilho, é o desgaste psicológico no qual o protagonista é DESOVADO. É angustiante. Scorsese cria uma ambientação opressiva, que vai desgastando o espectador conforme a história se desenrola. Mais ou menos o equivalente a assistir uma convocação da seleção brasileira e torcer pro Gilberto Silva não ser chamado.

A tramóia já começa sinistra, com um navio surgindo no meio da névoa, e a primeira fala basicamente resume o filme. Daí a coisa engata em uma história intrincada, onde Teddy desconfia de tudo e de todos, e sai ESCARAFUCHANDO a ilha pra tentar descobrir a verdade. As motivações do protagonista sempre soam plausíveis, e a história envolve perfeitamente o espectador na paranóia que se forma na cabeça do Teddy, a não ser quando algum flashback se mete no meio e quebra um pouco o ritmo da narrativa (sim, eu sei que eles são importantes; sim, eu sei que eles são bonitos; sim, eu sei que eles possuem significados que vão fazer psicanalistas lamberem os beiços; mas aqui e ali eles não são tão orgânicos assim). Além do mais, o roteiro não se adequa a estruturas pré-concebidas, e a imprevisibilidade da trama mantém a engrenagem do filme rodando alucinadamente.

Claro que nada disso faz diferença, porque Martin Scorsese dirige película de forma tão emblemática que, caso a história fosse uma BULA DE REMÉDIO, ainda assim seria digna dos mais exacerbados elogios. É impressionante o domínio que o sujeito tem da narrativa - a cena em que Teddy caminha por um corredor escuro, por exemplo, é de uma tensão devastadora (Scorsese sabe que, enquadrando DiCaprio no canto, deixa um espaço que sugere que algo vai acontecer ali, e assim transforma o coração do espectador em uma bateria de escola de samba). Além do mais, busca sempre enquadramentos elegantes, nunca se rendendo a soluções ou sustos fáceis, seja em cenas mais íntimas ou mais violentas (o travelling na hora da execução dos nazistas é colossal. Fui obrigado a criar um sétimo sentido para apreciar a cena de forma adequada). Com exceção de um ou outro chroma key meio truncado, Ilha do Medo é visualmente irretocável, graças também à ótima direção de arte, que cria um mundo cinzento e sem vida, com exceção dos flashbacks (e um deles, de tão colorido, torna o momento ainda mais cruel e horrível). Para fechar a questão da ambientação, a trilha minimalista, com notas limpas e sem aquela barulheira súbita tão característica dos filmes de "terror", mantém o espectador em estado constante de "PUTAQUEPARIU ACABA LOGO COM ESSA TENSÃO".

Para não jogar pelo ralo tanto esforço em prol de um filmaço, Scorsese escolheu um elenco homogêneo: Mark Ruffalo demonstra tranquilidade e serenidade como Chuck Aule (e é dono de um aceno de cabeça no final que levaria às lágrimas até o zagueiro mais adepto da brutalidade física), Ben Kingsley atua de forma tão racional que torna o Dr. Cawley uma personagem ao mesmo tempo dúbia e confiável, e Michelle DAWSON'S CREEK Williams é extremamente gata. Só Leonardo DiCaprio exagera às vezes na intensidade, fazendo com que o drama de Teddy soe um pouco teatral.

Ilha do Medo é uma película de trama complexa, direção segura, elenco cativante, aspectos técnicos EM RIBA. E como se não bastasse, Scorsese ainda joga uma última linha de diálogo que eleva a discussão de realidade para outro nível. Sabe muito esse menino.

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Post exclusivo
André - 19 março 2010 - 23:52
Esses dias estava pensando sobre a palavra "exclusivo", que os anúncios costumam usar para atrair os consumidores, algumas festas usam pra fazer seus convidados sentirem-se mais importantes, enfim, uma palavra que apela ao tradicional instinto humano de querer ficar na CRISTA DA ONDA.

O engraçado é que a galera não parou pra pensar muito na expressão em si. Tipo, "exclusivo". Vem de "excluir". Reflitam. Não é "inclusivo". Ou seja, naquela festa onde apenas o sujeito e mais noventa pessoas foram convidadas, incluindo a morena cujo decote instiga mais do que a última temporada de LOST, não é que o cara foi "bom" o suficiente pra ser incluído; ele apenas não fez parte dos "excluídos" (a morena, sim, fez por merecer. Deus abençoe os seios fartos). Então a tal festa é quase a mesma coisa que uma triagem médica, com exceção de que tem muito mais substâncias químicas e pessoas doentes na festa.

O que nos leva a toda uma cultura de exclusão. Todo mundo quer ser exclusivo, e daí podemos inferir que todo mundo quer excluir os outros. Egoísmo em nível 99 no Winning Eleven. Quando os anúncios dizem "promoção exclusiva", eles já estão dizendo "ok, essa promoção não é pro fulano, mas não vamos fazer muito alarde a respeito". As festas idem. Sei que eles acham que estão na verdade chamando diretamente a alguém, e massageando o ego dessa pessoa, que por sua vez também acha que possui um brilho especial, e assim por diante, mas não é. Basicamente, o que fazem é apenas empurrar o resto da galera um passo pra trás quando alguém pergunta "quem quer ser convidado pra festa/participar da promoção, dê um passo à frente".

Então lembre-se: você não é um floco de neve especial (abraço, Tyler Durden). Você não passa de um grande excluidor, assim como eu e todo mundo, e todas as vezes que pensou que era especial, na verdade você estava privando outros de alguma coisa. E boa parte da construção do ego através de sentimentos como orgulho, altivez e individualidade estão diretamente relacionados com uma sensação agradável de excluir pessoas. Passamos a vida assim. Não me surpreende, então, que sejamos capazes de atos tão estúpidos, tão mesquinhos, tão bestiais. É algo inclusivo a nós, humanos.
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Quem é vivo, às vezes, quem sabe, aparece..
Anônimo - 18 março 2010 - 10:17
10:15. Faz um calor bem forte em Itajaí. Quem diria eu, numa quinta feira pela manhã, escrevendo este texto no hall de um hotel aqui, tão longe de Porto Alegre? Rumo neste instante para São Paulo, nova cidade, nova etapa da minha vida.

Este blog que raras vezes entrei no último ano, elo que ainda une gaúchos e paulistas, agora vai ter mais um cara pendendo para o lado deste último grupo. Sou gaúcho com muito orgulho e amo minha terra, mas estou contente em ter um novo desafio pela frente.

Espero encontrar o Leandro e o Thiago por lá, e, se possível, ver alguns jogos do Grêmio ao vivo lá também, hehehe... Estou indo de malas, cuia, bomba, erva-mate, e todas as minhas quinquilharias para a maior cidade do país. Quero crescer mais. Deixo um grande abraço àqueles que ficam e um conselho: o tempo não para!! \o/

Abraços
Bruno
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Série "Todo Mundo em uma Ilha"
André - 17 março 2010 - 22:01
Temporada 06, Episódio 08
Vamos em frente, já que o seriado continua estagnado. No episódio de hoje, Sawyer encontra Jin na OCA que a Claire construiu, e logo se juntam ao resto da turminha do Locke FUMACÊ. Eles decidem caminhar para a floresta, porque ficar parado é chato e tal, e lá se vão. No meio do caminho, Locke SMOKE ON THE WATER manda Sawyer pra ilha B, verificar qual é a do avião que desceu lá (o que levou Kate, Jack e os outros, imagino) e se naquele mato tem coelho. Enquanto isso, na ilha A, baixa uma POMBA-GIRA na Claire e ela tenta matar a Kate gostosa. Provando que realmente não é humano, e muito menos homem, o sr. Fumaça lá interrompe a briga das minas, ao invés de tomar a atitude certa, que seria colocá-las num ringue com gel.

Na realidade alternativa, descobrimos que James "Sawyer" Ford é um policial, que tem Miles como parceiro e que continua atrás do Sawyer original, que arrasou sua família (o pai do Locke. O Locke verdadeiro, não o Locke "Água a 100° C"). Ele mente aqui, mente ali, Miles fica brabinho com isso, mas James Ford acaba desabafando tudo, Miles desemburra e parece que a vida vai seguir seu curso quando subitamente os dois MEGANHAS precisam sair atrás de um suspeito a pé, pegam ele, e descobrem que, na verdade, essa pessoa é... ela é... quem será que ela é? .... ela é a... a Kate! (atenção para as pessoas tapando a boca e dizendo "oh" com os olhos arregalados, agora)

De volta à ilha B, então. Sawyer encontra uma mina, cai no XA-LÁ-LÁ dela e de repente se encontra sob a mira de oitocentas metralhadoras. É levado então até um submarino, onde se encontra com Charles Widmore, e faz um acordo: vai levar o Locke Fumacê até lá como se estivesse tudo tranquilaço pra Widmore abater o sujeito, em troca de uma passagem pra vazar da ilha. Quando volta a se encontrar com o Locke SMOKE ON THE WATER, Sawyer explica TINTIM POR TINTIM o que viu lá, fala do acordo, e diz que se mudarem os planos de ataque, vão pegar Widmore com as calças na mão. Após mostrar que é dúbio e, por isso, uma personagem PROFUNDA, Sawyer encosta na Kate e diz "enquanto a cobra estiver fumando entre os dois lá, nós dois pegamos o submarino e daí é sebo nas canelas". Então o episódio acaba.

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Nick Hornby, cadê você?
André - 15 março 2010 - 21:06
Educação (An Education)
3/5

Direção: Lone Scherfig
Roteiro: Nick Hornby, baseado em livro de Lynn Barber

Elenco
Carey Mulligan (Jenny)
Peter Sarsgaard (David)
Alfred Molina (Jack)
Olivia Williams (Miss Stubs)

Na Inglaterra de década de 60 a menina Jenny, uma colegial de 16 anos, praticante de violoncelo, inteligente feito o GOOGLE e bastante aplicada nos estudos, acaba se apaixonando por David, um homem mais velho, trambiqueiro e metido a cool. Então a história corre de forma a passar lições de moral que... bem, que são de acordo com a inglaterra da década de 50, pode-se dizer.

Apesar de se passar numa época onde as pessoas eram tão imaginativas quando um quadro do Zorra Total, Educação segue por um caminho bastante dinâmico, o que já fica claro nos animados e serelepes créditos de apresentação. Entretanto, apesar das tentativas, a película não consegue manter o CLIMÃO por muito tempo, perdendo-se nas previsíveis reviravoltas dramáticas, falta de coesão entre as cenas e um terceiro ato apressado. Além do mais, a mina gatinha lá sequer aparece pelada em cena. Sacanagem!

Escrito por Nick Hornby, também conhecido como "o Cruyff das letras" (alcunha criada por mim, e conhecida apenas por mim), o roteiro inicia de forma assaz interessante, levando para aquela inglaterra os diálogos rápidos e envolventes de Hornby. Assim, como quem está com FEBRE DE BOLA, a história vai envolvendo o espectador, mostrando o valor da ALTA FIDELIDADE de Jenny para com as artes e tornando David um sujeito que poderia dar uma aula de COMO SER LEGAL. Mas antes que pensemos "é UM GRANDE GAROTO esse Nick, mesmo", a tramóia sofre UMA LONGA QUEDA e resvala para situações forçadas, cujo único propósito parece ser jogar a história pra frente. E é aí que a vaca vai pro brejo, pois o que antes parecia ser uma simpática narrativa sobre duas pessoas se descobrindo, torna-se uma trama de folhetim.

Contando com uma perspicaz direção de arte, que além de recriar uma Londres de outra época de forma convincente abusa das linhas retas como se não houvesse amanhã (o que dá um ar de chatice digna de um torneio de pontos corridos, e ajuda o espectador a compreender os pensamentos de Julie), o filme se mantém bastante seguro e convencional na maior parte do tempo. A diretora Lone Schergif economiza nos enquadramentos e até nos movimentos de câmera, guardando estes para os momentos onde Jenny e David estão juntos e conferindo assim mais veracidade à diversão entre ambos. Mas as escolhas da diretora acabam esmorecendo junto com a história, e conforme o filme vai chegando ao final, aquela JOVIALIDADE inicial é substituída por uma mensagem extremamente CARETA.

O grande destaque da película mesmo é a atuação de Carey Mulligan, completamente em chamas como Jenny, que mesmo sem grandes trejeitos ou exageros consegue transmitir emoção, e tem um sorriso que faria Hitler dar comida na boca dos judeus. De resto, apenas um "ok" para o resto do filme, que só foi indicado ao Oscar porque o número de candidatos aumentou pra 10 esse ano, e porque ninguém ali teria coragem de deixar a gatinha da Carey Mulligan com beicinho de triste. Entendo.

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Apartamentoheid
André - 12 março 2010 - 22:48
Ao longo da história da humanidade, muitos preconceitos foram criados, multiplicados e depois vencidos. Contra as mulheres, contra os negros, contra a utilização de dois volantes, enfim, idiotices que a galera aprendeu a superar e hoje são parte natural da nossa rotina. Entretanto, entre os vários preconceitos que ainda espalham balbúrdia mundo afora, um é o mais cruel e desumano e impensado de todos. E se faz presente toda vez que alguém diz "mas é um guri de apartamento mesmo".

Como vocês podem imaginar, sou um guri de apartamento. E muito me orgulho disso. Duvido que socializar com amigos da mesma idade, pra brincar de peão e pique-esconde na rua, construa um caráter melhor do que ver Sessão da Tarde comendo Trakinas de morango. Poucos ensinamentos ao ar-livre são mais filosóficos do que os devaneios do Homem-Aranha pela Big Apple. Nenhuma tática de sobrevivência sobrepuja a estratégia de ALOCAR o adversário no canto e disparar Hadoukens como se não houvesse amanhã, deixando o Shoryuken engatilhado para ANIQUILAR OSSOS HUMANOS SEM PIEDADE. Sim senhor, um guri de apartamento tem todas as artimanhas necessárias para atravessar a vida sem sobressaltos.

Claro, volta e meia o mundo exterior clamava pela nossa presença, em grandiosas e desconcertantes partidas de futebol (motivo mais nobre que existe para fazer qualquer coisa), onde a exuberância de nossos aprendizados INDOOR era mais que suficiente para declarar os outros como perdedores. De resto, nos perdíamos em alucinantes partidas de Rock'n Roll Racing, enchendo a cara de Coca-Cola, gritando uns com os outros bordões de filmes conhecidos e entrando em DEFCON 1 toda vez que o narrador berrava "LET THE CARNAGE BEGIN!".

Esses somos nós, os guris de apartamentos, que não empinaram pipa, não jogaram peão, saíam à rua apenas nos veraneios e jogos de futebol, e viviam dentro de toda a liberdade que sua imaginação alcançava. E jamais subestimem quem passou a infância desbravando a magia dos aparelhos eletrônicos: nessa época digital em que vivemos, são eles que já tem as mãos calejadas de tanto capinar e explorar o mundo virtual.

Praticantes de Mega Drive, praticantes de Super-Nintendo, praticantes de NEO-GEO, uni-vos. Esta pequena bola azul há de ser nossa. É tudo uma questão de saber usar a devastadora tática do "meia lua pra frente + soco" na hora certa.
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Série "Todo Mundo em uma Ilha"
André - 10 março 2010 - 22:24
Temporada 06, Episódio 07
Em frente, então. No início deste novo episódio, vemos Benjamin Linus vagando solitário pela floresta, como um nerd em uma festa. Ele então vislumbra uma turminha caminhando pelo meio das folhagens, formada por Sun, Miles, Lapidus e a mina com a metralhadora do tamanho de um continente, vai lá todo serelepe e se junta à galera. Mas daí o Miles empata-foda chama o CHICO XAVIER na chincha, descobre que o Ben matou o Jacob e a casa cai pro lado dele. E quando eles chegam à praia, aquela onde os losties tinham se estabelecido na primeira temporada, a mina da metranca, alucinadamente na TPM, manda o Ben cavar uma cova porque ela vai ALVEJÁ-LO.

Enquanto isso, a realidade paralela mostra um Ben professor de história num colégio público, que inveja o emprego do diretor, gosta e cuida do próprio pai, sente um afeto paterno pela aluna chamada Alex Rousseau, enfim, é o anti-Ben. Com a oportunidade de AFANAR a vaga do tal diretor, ele arma uma maquiavélica tramóia à prova de falhas. Só que tudo vai pras CUCUIAS quando Ben tem que escolher entre derrubar o diretor ou ajudar a Alex - e, claro, óbvio, sem sombra de dúvida, ele escolhe... ajudar a Alex. Sim, na realidade paralela, é o BEN DISNEY quem tá na área.

De volta à ilha, Jack e Hurley estão caminhado pela floresta enquanto o seu Lobo não vemquando Highlander Richard surge mais perdido do que idoso no Twitter. Ele misteriosamente diz que precisa morrer, e guia os dois losties até o navio Black Rock, com o qual misteriosamente ninguém havia topado nas últimas QUINZE temporadas. Richard explica que foi tocado (ui) por Jacob, e que assim ele recebeu um "dom", mas que tá de saco cheio de ser imortal e quer chutar o balde. Então pede pro Jack acender uma banana de dinamite (de acordo com Richard, ele não pode matar a si mesmo. No sentido de que não consegue. No sentido que é impossível. Ah, vocês entenderam) e os dois ficam lá, proseando. Jack diz que viu o espelho de Jacob e que nem a pau o cara ia ter observado ele durante toda sua vida pra nada, e que a banana de dinamite vai se apagar sozinha, o que de fato acontece, e mostra que o doutor passou de sujeito racional e cientista a.. bem, a um fã de LOST, praticamente.

Lá na praia, enquanto Ben ta amarrado que nem cachorro e vai literalmente deitar na cama que arrumou (num sentido tétrico), o Locke SMOKE ON THE WATER aparece e convoca ele pro outro grupinho. Usando a Força ele solta o Benjamin, que liga o modo SEBO NAS CANELAS até achar um rifle e rende a mina da metralhadora. Ele então desanda a chorar dizendo que abriu mão de tudo, inclusive da própria filha, pela ilha, e que só vai se juntar à galera do fumacê lá porque eles são os únicos que o aceitariam. A mina se compadece, chama ele pra fazer parte da turma, Jack, Hurley e Richard chegam à praia e encontram o pessoal, enfim, um fuzuê danado. E acabaria até bem, se não tivessem mostrado um submarino chegando à ilha onde, no último plano do episódio, um Charles Widmore com cara de poucos amigos diz para seguirem com o plano, mesmo que tenha pessoas na praia.

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Oscar minuto a minuto
André - 07 março 2010 - 22:33
Assistindo e acompanhando a transmissão da 82ª cerimônia do Oscar. Leia de baixo para cima.

- That's all, folks. Guerra ao Terror saiu vitorioso no quadro de medalhas, com seis Oscars. Vocêm podem ler a crítica cataclísmica do filme aqui. Ano que vem tem mais torcida infrutífera por um prêmio que não vale nada artisticamente. Obrigado pela companhia, pela audiência, e por me corrigirem quando eu não conseguia ver a premiação em nenhum link da internet.
- Melhor Filme de 2009, de acordo com a Academia: Guerra ao Terror. James Cameron sentou num cantinho pra chorar, enquanto sua ex-mulher sobe de novo ao palco, completamente em chamas. No final das contas, quem fez a diferença não foi o Iraque, nem Pandora, e sim o DIA DA MULHER.
- Ao vender o Oscar de Melhor Direção por Guerra ao Terror, Kathryn Bigelow prova de que as mulheres realmente tiram tudo de seus ex-maridos.
- Sandra Bullock venceu o Oscar de Melhor Atriz por Um Sonho Possível. Ontem ela ganhou o Framboesa de Ouro. Uma atriz de extremos, pode-se dizer.
- Graças àquele papinho de "diretos iguais", a apresentação de Melhor Atriz é igual à de Melhor Ator. Politicamente correto não é o canal.
- Intervalo comercial. Compre o dvd de O Grande Lebowski, onde Jeff Bridges aniquila o mundo com a atuação definitiva.
- Jeff Bridges ganha o prêmio de Melhor Ator por Coração Louco e prova que existe justiça no mundo. Em algum lugar do planeta, Eddie Vedder descobre seu irmão mais velho.
- Na apresentação de Melhor Ator, colocaram cinco atores no palco para falarem sobre seus colegas. Domingão do Faustão feelings.
- Mais um intervalo comercial. Não à toa dizem que Hollywood é uma indústria.
- Melhor Filme Estrangeiro foi para o argentino O Segredo de Seus Olhos, pra compensar o provável fracasso da seleção de Maradona na Copa.
- Intervalo comercial. Compre a ideia de que José Wilker entende alguma coisa de cinema.
- Vitória de Guerra ao Terror no prêmio de Melhor Montagem, e Kathryn Bigelow está MONTANDO em cima de seu ex-marido (ok, foi fraca, mas não consegui pensar em nada melhor).
- E o Oscar de Melhor Documentário vai para... The Cove, sobre o abate de golfinhos no Japão? Greenpeace em chamas.
- Intervalo comercial. Compre um óculos 3D para que seu mundo fique tão legal quanto o de Avatar.
- Oscar de Melhores Efeitos Visuais? Deu Avatar. Foi como ver alguém dar o título mundial de Fórmula 1 pro Schumacher.
- Melhor Trilha Sonora foi pra Up - Altas Aventuras. O compositor deve estar se sentindo NAS NUVENS.
- Um grupo de dança se apresentando ao som dos indicados a melhor Trilha Sonora. A Academia sempre inventa alguma ideia BREGA pro Oscar.
- Intervalo comercial. Comprem um volante para o Grêmio.
- Clipe homenageando os falecidos em 2009. Pra apresentar, botaram a Demi Moore, cuja carreira já faleceu há muito tempo.
- Prêmio de Melhor Fotografia foi para a COLOSSAL produção visual de Avatar. Conexão direta de Cameron com Deus é a única explicação possível.
- Intervalo comercial. Comprem o dvd de Crepúsculo e taquem fogo nele.
- Guerra ao Terror RAPTOU também o de Melhor Edição de Som. James Cameron está chorando pelos cantos.
- Guerra ao Terror venceu como Melhor Edição de Som. O mais barulhento sempre vence.
- Clipe de Batman - O Cavaleiro das Trevas. Maior acerto da história da Academia.
- Taylor Lautner e Kristen Stewart apresentando uma homenagem aos filmes de terror. Pertinente, pois a saga Crepúsculo é medonha.
- Intervalo comercial. Compre uma passagem para que eu vá até Hollywood casar com a Charlize Theron.
- Melhor Figurino = A Jovem Rainha Victória. Sempre dão o prêmio pra filmes de época onde as pessoas vestem verdadeiros COBERTORES.
- Avatar venceu por Direção de Arte. Eu torcia por Sherlock Holmes, mas ninguém nunca me ouve, né...
- Intervalo comercial. Compre uma Globo e transmita o Oscar.
- Mo'Nique venceu como melhor Atriz Coadjuvante. Nick Hornby subiu correndo no palco, roubou o prêmio dela, ESCAPULIU dos seguranças e saiu porta afora em direção à vitória (dedos cruzados).
- Como a Globo comprou os direitos do Oscar e prefere transmitir o BBB, e os links da internet estão dando com os burros na água, só me resta tentar adivinhar o que está acontecendo agora.
- Roger Coreman e Laura Bacall recebem Oscars especiais. Não sei dizer o motivo porque o link saiu do ar na hora.
- Oscar de Melhor Roteiro Adaptado para Preciosa. Nick Hornby concorria. Pior mundo esse no qual vivemos.
- Rachel McAdams no palco. Rosas vão nascendo no chão onde ela pisa.
- Intervalo comercial. Compre um dvd não-pirata.
- Star Trek PAPOU o Oscar de Melhor Maquiagem. Pelos bares do mundo inteiro nerds estão enchendo a cara de OVOMALTINE.
- Ben Stiller sobe ao palco para certificar todos de que seu talento para a comédia foi sugado por um BURACO NEGRO quando ele nasceu.
- Prêmio de melhor Curta-Metragem: The New Tenants. Diretor ofegante ao receber o prêmio, ou seja, ofegante ao segurar nas mãos um homenzinho dourado nú. Hm.
- Music By Prudence saiu vitorioso como melhor Documentário Curta-Metragem. Não que alguém realmente se importe.
-French Roast Logorama ganhou como melhor Curta de Animação. Sacanagem não indicarem a luta do Fênix contra o Shaka em Cavaleiros do Zodíaco.
- Intervalo comercial. Compre um 14.
- Clipe de Up. Que é muito mais do que um filme bala, é um filme BALÃO [/sacou]
- Homenagem a John Hughes, sujeito por trás de Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado. Prêmio Nobel seria pouco pra ele.
- Guerra ao Terror venceu como melhor Roteiro Original. Cameron deve estar tremendo nas bases.
- Intervalo comercial. Compre um Cataclisma.
- Coração Louco venceu de melhor Canção Original com The Weary Kind. Em algum lugar lá em cima, Johnny Cash bebeu uma dose de uísque em celebração.
- Desenhos da Disney sempre recebem indicações pra melhor animação e melhor canção original. Já é clichê. E como a Disney gosta de clichês, fecha-se o círculo vicioso.
- Up venceu como melhor animação. Pixar oscarizada? Foi a maior surpresa da noite desde a vitória de Christoph Waltz.
- Boa sacada essa de botar as personagens de animação comentando as indicações. Ainda há vida inteligente em Hollywood.
- Intervalo comercial. Compre um Blogger.
- Ryan Reinolds fez uma apresentação extremamente MURRINHA de Um Sonho Possível, um dos indicados a melhor película.
- Christoph Waltz venceu como melhor ator coadjuvante por Bastardos Inglórios. Ah sim, e o céu é azul.
- Penelope Cruz no palco. Obrigado, Deus.
- Engraçada a introdução do Steve Martin e do Alec Baldwin. Mas espero que o SEINFELD apresente o Oscar 2011.
- Pqp, Kathryn Bigelow GATA PRA CARALHO aos 52 anos. Cameron pegador.
- O canal seria a galera ir no Oscar de BERMUDÃO e REGATA. Mas divago.
- Ok, cheguei só agora. Neil Patrick Harris fez um musical bem estilo Barney.

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Esclarecimento oficial
André - 06 março 2010 - 12:35
Nós, do Cataclisma 14, gostaríamos de esclarecer que, embora o título do blog seja CATACLISMA, não temos nada a ver com a recente onda de terremotos que vem assolando o mundo, e muito menos com o gol do Ferdinando na final do primeiro turno do Gauchão.

Entretanto, o departamento jurídico do blog está cogitando processar Deus por PLÁGIO, uma vez que Ele vem causando cataclismos mundo afora sem pedir nossa autorização para utilizar tal conceito (que foi devidamente registrado quando estávamos em um bar bebendo cerveja e alguém gritou "CATACLISMA: REGISTRADO" - forma de patente mais oficial do que essa eu não conheço). Pessoalmente eu acho uma estratégia ruim, já que precisaremos muito de Deus para vencer a Copa do Brasil e o Brasileirão, mas até que existe uma lógica por trás, afinal, os advogados não são o diabo?
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Série "Todo Mundo em uma Ilha"
André - 03 março 2010 - 22:44
Temporada 06, episódio 06
Finalmente LOST engatou a segunda marcha. No início deste episódio, Sayid peita o Shang Tsung do templo lá e, ecoando todos os fãs da série no mundo, exige respostas. O bate-boca cresce e ambos vão às favas, o que resulta em uma luta absurdamente mal coreografada, onde no final Sayid leva um IPPON do baixinho e é obrigado a deixar o local. Entretanto, antes do iraquiano sair pra bandear pela floresta, Claire entra alucinada no templo e diz que o Locke SMOKE ON THE WATER quer conversa com a galera. Aí o Shang Tsung dos templários fica com o cu na mão e pede pro Sayid quebrar o galho indo lá.

Ah sim, tem a realidade alternativa. Bem, nela Sayid vai visitar sua amada Nádia, que é casada com seu irmão, e tem dois pimpolhos chatos como filhos. O bróder do iraquiano confessa que pediu empréstimo pra um mafioso e agora está na degola. Ele pede pro Sayid ir lá resolver tudo de forma CANGACEIRA, e embora eventualmente dê o papinho de "não sou mais aquele homem", o lostie encontra os sujeitos e CHUCKNORRISEIA eles.

Já na ilha, o iraquiano encontra o Locke fumacê e crava uma espada no peito do cara, cumprimento típico entre amigos. Mas como esse Locke é duro na queda, ele simplesmente dá de ombros e convence o Sayid a voltar pro templo e passar uma mensagem dizendo exatamente isso: "é o seguinte NEGADA, quem não se PIRULITAR do templo até o pôr do sol vai ter a chance de abraçar o John Lennon, falou? Peace". Uns vão, outros ficam. Kate e vários outros losties chegam convenientemente no local, mostrando que a ilha inteira é aproximadamente do tamanho de um campo de bocha. Entediado pacas, Sayid mata o Shang Tsung, permitindo que o Locke entre lá no seu visual SMOKE ON THE WATER e toque o terror na galera. Claro que sobrevivem apenas as personagens que aparecem no pôster da sexta temporada. Destas, Sayid, Claire e Kate Gostosa vão passear pela floresta com Locke, enquanto Ben, Sun, Miles, Lapidus e uma mina com uma METRANCA ficam bem pianinhos escondidos numa passagem secreta. O que acontece então? Exatamente: o episódio chega ao fim.

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Erro de identificação
André - 02 março 2010 - 23:53
Algo aconteceu ao final da Copa do Mundo de 2002. Após o pentacampeonato, a parte do meu cérebro que dizia "torcer para a seleção brasileira" foi desligada. Em parte porque, no caso do hexacampeonato, o Brasil se distanciaria demais dos outros países e a competição perderia um pouco de sua graça. E em parte, também, talvez principalmente, porque todos os aspectos relativos à ela me dão DESGOSTO.

Começa pela vitrine, onde a CBF e comissão técnica utilizam o time para atirar jogadores medíocres na direção de equipes européias (Elano é o exemplo mais notório e inaceitável) . Continua pela repetição de 2006, onde os jogadores são chamados por fazer parte de um clubinho, e não por suas virtudes propriamente ditas (Josué, por exemplo, é desprovido de toda e qualquer virtude, tornando-se basicamente um grande saco amarelo de FAROFA dentro de campo). Ganha ainda mais peso graças à incapacidade do técnico de pensar coerentemente qualquer coisa relativa a futebol, limando da equipe CHOCARRICES como triangulações, aproximações, ultrapassagens, talento. E chega no fundo absoluto do poço quando coloca Robinho, que não apenas come porções generosas de MAU-CARATISMO toda manhã como pode muito bem ser o filho do COISA-RUIM em pessoa, como o jogador-símbolo dessa era (tive que ROER um dos meus joelhos pra conter o desprezo que tive por mim mesmo ao escrever a última frase antes do parênteses).

É tudo isso. É tudo isso e muito mais. E, principalmente, é o fato de que a seleção canarinho realizou 24 amistosos na Era Dunga - e destes, 16 foram realizados entre as 9 horas e as 18 horas. Ou seja, horário comercial no Brasil. Ou seja, apenas UM TERÇO dos amistosos da seleção BRASILEIRA ocorreu em um horário onde os BRASILEIROS pudessem assistir.

Falam tanto que a seleção não tem mais a identificação com os torcedores, e perguntam-se como isso aconteceu, soltam hipóteses dizendo que a culpa é dos jogadores indo pra Europa e blábláblá. Ora, não parece óbvio? Como é que os torcedores vão se identificar com uma equipe que eles sequer conseguem ver jogar?
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