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Eistein estava certo
André - 30 julho 2008 - 22:22
Eu trabalho até as seis e meia. Logo na primeira semana na agência, tive uma consulta médica no final da tarde - ou seja, saí mais cedo do trampo, fui no médico e, como não valia a pena voltar, fui direto pra casa. Ao me ver chegando trinta minutos antes do final do expediente, minha mãe disse apenas "Conseguiu sair cedo hoje, então".

No tempo presente as coisas mudaram um pouco. A correria no trabalho tá tão absurda que ontem cheguei em casa às oito da noite. Uma hora e meia depois do final do expediente. Entretanto, e pra vocês perceberem o nível de intensidade da situação, ao me ver chegando nesse horário inóspito, minha mãe disse apenas "Conseguiu sair cedo hoje, então".

É tudo relativo, mesmo.
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Por una cabeza
André - 26 julho 2008 - 21:06
Eu acho muito legal quando um filme, mesmo não sendo um clássico do cinema, te dá vontade de fazer alguma coisa. Tipo quando tu assiste Goonies e tenta montar uma turminha do barulho pra ir atrás de algum tesouro, ou vê Piratas do Caribe e quer ser um corsário cruzando os sete mares, ou então se esbalda assistindo Ducks 2: Nós somos os campeões e quer montar um time pra ser campeão enquanto rola We Will Rock You de trilha.

Acho esse um elemento importante das EQUEL!s. E bem, algo que eu nunca soube fazer, nem quis aprender, foi dançar - a não ser, claro, quando o álcool entra na roda. Mas toda vez que eu vejo a cena abaixo, e acreditem, eu já vi muitas vezes, me dá uma vontade absurda de aprender... tango.


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Stop the chairs!
Leandro Corrêa - - 18:57
Wrestling com realismo é muito mais engraçado!

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Separemo-nos
Kleiton - 25 julho 2008 - 11:22
Me lembrei desse post do André ao perceber como a imprensa do centro do país faz questão de nos lembrar que podemos ser tudo, menos brasileiros como eles.

- No Jornal da Globo, ontem, as chamadas do futebol eram "Palmeiras faz 4 a 2 no Santos no Palestra Itália; Grêmio vence e assume a liderança". A grande quantidade de gols não foi comentada em nenhum momento nas chamadas, só quando foram efetivamente mostrar os tentos gremistas, como se resultados de 7 x 1 ocorressem duas vezes por semana no brasileirão.

- O Jornal da Noite, na Band, foi mais separatista ainda. Boris Casoy mostrou, com detalhes, os seis gols de Palmeiras 4 x 2 Santos. Ao final, disse: "Nos outros jogos da rodada, o Sport derrotou o Atlético PR por 1 x 0, e o Grêmio venceu por 7 x 1 o Figueirense e assumiu a liderança do campeonato". Para compensar a falta das imagens do jogo, ele olha para a câmera e dispara: "Isso mesmo, o resultado final foi de 7 x 1 para a equipe gaúcha".

Não considerem esse texto uma ode ao gremismo desmedido, até porque tenho certeza que torcedores colorados também se identificam com essa situação. Só fico imaginando que 7 gols de Flamengo ou SPFW SPFC seriam amplamente divulgados em todas as chamadas, e mereceriam até um comentário do Cléber Machado no Jornal da Globo - coisa da qual senti muita falta ao fim do noticiário.
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SEEEEEEEEEEEETE X UM
Anônimo - 24 julho 2008 - 22:50
Uma machete desta quinta feira, 24 de Julho.

Zero Hora:
"O Grêmio tenta melhorar seu aproveitamento, um dos piores ataques do campeonato brasileiro, no jogo desta noite em Florianópolis, etc..."

Uma manchete desta sexta feira, 25 de Julho.

Zero Hora:
"Grêmio, do MELHOR SALDO DE GOLS DO CAMPEONATO e SEGUNDO MELHOR ATAQUE, vence fora de casa o Figueirense em um jogo atípico." (Editor pouco bairrista e bom com as palavras)

... e no domingo...

Fantástico:
"Sempre pioneiro, o Grêmio, primeiro campeão da Copa do Brasil e primeiro no ranking da CBF, não podia deixar a chance escapar. Hoje, o Grêmio apresenta a primeira Dupla Sertaneja do 'quem faz três gols num jogo canta a música', com Reinaldo Chitãozinho e Perea Xororó..."

Abraços!!

Bruno
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Around the world
Kleiton - 23 julho 2008 - 16:24



Free Travel Blog since 1997.

Pra pôr a prova os conhecimetos geográficos... Ou pra passar o tempo livre. Eu fiz 110 pontos, mas quando começaram a perguntar a localização da capital de Burkina Faso ou de alguma cidade no Sudão, não teve jeito. Dica: estudem a África.

Achei no ClicRBS, mas não vou linkar porque eles não merecem. Vai o link direto mesmo.
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Série "Desliguem o mundo"
André - - 02:11
Caracóis Velocistas disputam corrida
Com direito a banda de música, o campeonato mundial de corrida de caracóis foi realizado no último fim de semana na Grã-Beretanha pelo 27° ano e reuniu mais de 170 invertebrados.

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Quando alguém pega uma piada e transforma em um campeonato, é sinal de que a coisa tá feia. Só seria uma atitude perdoável se fosse organizada pelo Bruno.
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Por falar em Batman
André - - 02:01
Se o Coringa tivesse visto essa notícia, não teria nem botado contra o homem-morcego. Certamente dá um significado literal pra expressão "o Batman é tão obcecado que bateria até na mãe dele".
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Santo filme fodaço, Batman!
André - 21 julho 2008 - 21:19
Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)
5/5

Direção: Cristopher Nolan
Roteiro: Cristopher e Jonathan Nolan, baseado em argumento de David S. Goyer

Elenco
Christian Bale (Batman)
Heath Ledger (Coringa)
Michael Caine (Alfred)
Aaron Eckhart (Harvey Dent)
Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes)
Morgan Freeman (Lucius Fox)
Gary Oldman (Comissário Gordon)

Depois de se estabelecer em Gotham com os milhões de dólares arrecadados por Batman Begins, o homem-morcego dá as cartas na cidade, e os criminosos começam a ter medo do escuro. Mas eis que surge o palhaço do crime, pra virar o mundo do Batman de cabeça pra baixo e jogar tudo no caos.

Assim que as luzes se acenderam na sala de projeção, imediatamente associei O Cavaleiro das Trevas a outro filme. Tropa de Elite, pra ser mais exato. Não porque ambos os filmes tenham protagonistas torturados e amargurados com o que faze, mas sim porque, de certa forma, trabalham com a mesma lógica: se na película de José Padilha o Capitão Nascimento é nada mais do que um produto do meio, que surge unicamente como resposta às atitudes do tráfico, na obra de Cristopher Nolan o Coringa surge como a resposta às atitudes do Batman. O fato de existir um herói é que fez nascer o vilão.

E eis aí o grande trunfo do filme. Batman e Coringa são antagonistas, e se complementam. Duas aberrações fascinantes, colocadas de lados opostos, mas conectadas por uma bizarra relação de amor e ódio. Uma história que o diretor não tem medo de explorar e, com isso, cria uma série de conflitos dramáticos que se justificam. Quando Bruce Wayne se questiona sobre a inspiraçao que passa enquanto símbolo, o espectador sabe que ele foi atingido pela aparição do Coringa. Da mesma forma, os ataques absolutamente sem noção do palhaço do crime levam a um questionamento interessante: como não ultrapassar os limites quando se enfrenta alguém que não possui limites?

Contando com grandes coadjuvantes (e grandes atores nos papéis), O Cavaleiros das Trevas se mantém sempre tenso e interessante. A trama envolvendo Harvey Dent e Rachel Dawes é não apenas convicente, mas comovente. Alfred desfila seu humor afiado mais uma vez, enquanto o Comissario Gordon e Lucius Fox servem como a base segura da história, tipo os "Felipões" de Gotham City.

Mas o bicho pega mesmo é entre o guampudo e o cara que usa maquiagem (eis uma frase que não faz jus à quão viking o filme é). Mais uma vez, Christian Bale está perfeito como o playboy que gosta de caçar homens à noite (mais uma vez!): a forma como ele muda o tom da voz quando está dentro do uniforme é impressionante, e ajuda a criar o mito do herói. Tipo, não é surpresa que a galera se borre nas calças ao ver o cara. Seus movimentos também são contidos, como se sempre soubesse o que está fazendo.

Já sei, já sei o que todos os cinco leitores do blog estão se perguntando. E o Coringa? E a atuação de Heath Ledger?

Pois bem. O australiano está brilhante no papel. Sempre inquieto, com a cabeça levemente inclinada e passando a lingua bela boca, entre outros trejeitos. Assim, ajuda a demonstrar a instabilidade da personagem. E convence, porque nunca sabemos o que ele fará em seguida. O Coringa de Ledger é como uma página em branco, onde tudo pode acontecer, e isso torna a presença dele em cena quase incômoda, ainda que fascinante.

O único porém, a única ressalva que faço quanto ao filme, é justamente... no vilão. O cara tá assustador? Tá. Ele faz frente ao Batman? Faz. Mas o diretor optou por uma versão mais "palhaço assassino" do que "palhaço do crime". O Coringa ri muito pouco, não se diverte como deveria se divertir. É um psicopata, mas não aquele cara completamente insano. Faltou a ele justamente o que o palhaço do crime mais preza: diversão.

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Clássicas nos Clássicos
Thiago Silverolli - - 20:36
Na semana passada as séries A e B do campeonato brasileiro (Brasileirão série A e Brasileirão série B, segundo as redes de televisão) estavam repletas de clássicos que agitaram torcidas nos estádios de todo o país. São Paulo X Palmeiras, Atlético X Cruzeiro, Flamengo X Vasco, Sport X Náutico, Fortaleza X Ceará, Avaí X Criciúma, Santo André X Corinthians...

Claro que o jogo mais comentado foi este último, que marcou o reencontro do Marcelinho Carioca, hoje astro da periferia do ABC paulista, com a Gaviões. Foi espetacular! Parecia até uma música dos Titãs dos anos 2000 (tipo "Isso" ou "Epitáfio") ou seja, tudo repleto de saudosismo. Uma espécie de reencontro de um casal decadente que se separou há algum tempo e que, agora, qualquer um pode falar para o outro: "Eu to mal, mas tu tá bem pior!".

Nem o Pé-de-anjo brilhou tanto quanto os ilustres narradores que nos presentearam com grandes pérolas ao longo das transmissões dessa semana. Fora as que me escaparam, separei algumas:

"O Paraná tenta sair do sufoco, mas o retrospecto não ajuda..."
Sim! Se o retrospecto ajudasse, o Paraná não estaria no sufoco!

"O Denílson não é titular, mas ele jogou em todas as vezes que ele entrou em campo."
Tá, tudo bem, eu vou perdoar essa porque a seleção de 2006 provou que dá pra entrar em campo e não jogar...

A melhor de todas foi esse diálogo:
"- É, o jogador foi tocado...
- Então você daria pênalti, Júnior?
- é... bem... quem tem que dar pênalti é o juiz...
- Porra, Júnior! (momentos de silêncio)"
Não foi nada ofensivo, foi natural e espontâneo como chamar um grande amigo de filho da puta entre uma cerveja e outra.

Com vocês, futebol:

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Cerveja pra boi-dormir
Kleiton - 15 julho 2008 - 14:23
O assunto já foi tratado aqui, mas a declaração do presidente da Abril no 4º Congresso Brasileiro de Propaganda me deu vontade de escrever de novo sobre isso. Agora, contudo, de forma menos genérica: volto minha atenção para a propaganda de bebidas alcoólicas, citada pelo indivíduo.

Há cerca de oito anos, o Brasil fechou o cerco contra a propaganda de cigarro, proibindo sua veiculação de praticamente todas as formas. Como todos devemos lembrar, o cigarro sumiu dos meios de comunicação e dos eventos esportivos e culturais, além de ficar apagado nos pontos-de-venda. Pois em 2005 uma pesquisa apontou que o número de jovens que experimentou o cigarro caiu vertiginosamente. Coincidência? Talvez, mas conforme a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, são os jovens que mantêm a indústria do cigarro. Um jovem cliente fisgado aos 14 anos dará dinheiro à Philip MORTIS por pelo menos uns 20 anos, até se dar conta que deve parar, ou por mais 40 anos, até morrer de parada cardíaca. Mas até lá muitos outros jovens já terão entrado nessa cadeia.

Pois as fabricantes de bebidas alcoólicas aprenderam direitinho essa lição. Em suas peças publicitárias, transformam o álcool em elixir da juventude eterna e da sensualidade adquirida. Cada vez mais cedo, os jovens experimentam o álcool (inspirados por pais, amigos e gostosas rebolando na televisão). E o pior: fazem disso um hábito. Não bastasse toda a pressão social, os meios de comunicação bombardeiam o jovem com suas propostas sedutoras. E a auto regulamentação - tão eficiente (SIC) - vai pro brejo quando, por exemplo, a Nova Schin patrocina o Planeta Atlântida - evento reconhecidamente voltado para jovens entre 13 e 18 anos.

Agora, não é de se estranhar que jovens recém-habilitados para dirigir saiam pisando fundo em seus carros novos de cara cheia. Todos sabem que jovens se acreditam imortais e intocáveis, e esse pensamento é reforçado pelos anunciantes ávidos por mais lucratividade. Por isso, quando o seu Civita diz que não precisamos de mais leis, mas sim de mais fiscalização, ele não está pensando no bem dos seus leitores jovens, mas nos milhões de reais embolsados pelos seus veículos com os anunciantes de bebidas.

E é por esse tipo de mentalidade que o governo tem mesmo é que tomar o exemplo das propagandas de cigarro e banir de vez a publicidade de bebidas alcoólicas. Daqui a 5 anos conversamos.
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De placa
André - 14 julho 2008 - 23:21
Não é segredo nenhum que tenho medo de altura e, portanto, andar de avião é algo que mexe com as células nervosas do meu corpo. Mas o que mais me assusta é o banheiro à vácuo: tenho medo de dar a descarga e, com isso, despressurizar alguma coisa que não pode ser despressurizada.

Daí não é difícil deduzir que eu não uso banheiros aéreos. Pois na última viagem minha sádica bexiga resolveu por isso à prova, e foi uma hora e meia de pura agonia. Desci em Guarulhos quase pulando, tomado pelo pânico, pois não sabia onde eram os banheiros do aeroporto.

Felizmente aquele é um estabelecimento bem sinalizado. E, de cara, já encontrei uma placa com indicações. Mas as seguintes indicações:


Ccomo assim batatas assadas/recheadas?
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Money for nothing
André - 12 julho 2008 - 14:22
Conduta de Risco (Michael Clayton)
4/5

Direção: Tony Gilroy
Roteiro: Tony Gilroy

Elenco
George Clooney (Michael Clayton)
Tom Wilkinson (Arthur Edens)
Tilda Swinton (Karen Crowder)

Michael Clayton é um sujeito que trabalha para limpar a sujeira dos clientes da firma de advocacia onde trabalha. Quando seu amigo e colega, Arthuer Edens, revolta-se contra uma corporação que paga uma grana legal para a empresa dos advogados, o ex-batman fica dividido entre a ética e a necessidade.

Sempre que ouvi falar de Conduta de Risco, indicado a melhor filme no Oscar 2008, o comentário vinha acompanhado da expressão thriller político. Pois a questão política na película é justamente a mais óbvia, trazendo de volta a velha questão do "trabalhador x megacorporação fiadaputa". Não que isso anule a idéia que a trama tenta passar, mas a grande força do filme são mesmo as personagens.

Começando, claro, por Michael Clayton, que já na sua cena inicial aparece apostando em uma mesa de poquer (e perdendo): claramente insatisfeito com o que faz ("eu sou o faxineiro", diz ele em certo momento), o protagonista se conforma com a situação, tornando-se apenas o produto das necessidades das grandes empresas. É o cara que resolve os problemas de qualquer pessoa, menos os próprios, pois anda às voltas com dívidas e problemas familiares. Mantendo sempre uma postura com a cabeça ligeiramente baixa, George Clooney não apenas indica o cansaço da personagem como também a ausência de qualquer vontade de mudar as coisas. Suas falas são calmas e pausadas, como alguém que já conhece o final e não gosta dele, mas mesmo assim permanece na estrada.

Ao seu lado, Tom Wilkinson consegue ilustrar com competência a confusão de Arthur, sem deixar de lado a inteligência do advogado que, quando precisa, sabe estruturar e colocar seus argumentos com força. E Tilda Swinton encarna com perfeição a contradição nervosismo/segurança de sua personagem, mantendo-se firme nas cenas onde ela contracena com outros membros da corporação, mas ficando inquieta quando está se preparando para alguma reunião.

Junto com essas três grandes atuações, o roteiro busca desenvolver bastante a situação - a idéia de que Arthur tirou a roupa em uma reunião, por exemplo, é bastante trabalhada, ao invés de servir somente como catalisador para a história (aliás, colocar alguém que quer fazer a coisa certa como uma pessoa mentalmente instável não é nenhuma sutileza do script). O relacionamento entre Clayton e seus familiares também é importante aqui, pois reforça os conflitos éticos que se abatem sobre a personagem, e sua insatisfação com tudo fica clara em uma conversa onde ele mostra-se preocupado com o futuro do filho.

Estreando na direção, Tony Gilroy mantém o visual sempre sóbrio, cheio de sombras e com uma trilha minimalista de James Newton Howard - e uma sequência é particularmente impressionante: um assassinato fotografado em um plano-sequência de alguns minutos. A idéia de mostrar a situação sem cortas aumenta não apenas a tensão, mas também a frieza do ato e a fragilidade da vida humana, que em questão de segundos pode ir embora. De resto, boas escolhas de enquadramento e iluminação.

É uma pena, portanto, que após tanto trabalho o filme acabe se traindo no final, quando força uma resolução que, além de batida, não condiz com o que foi apresentado até ali. Tivesse Conduta de Risco acabado alguns minutos antes, a trama política que eu chamei de "óbvia" lá no início do texto ganharia força, tornando-se uma poderosa ilustração de como a ganância leva as pessoas, cada vez mais, a ultrapassar todos os limites.

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Série Acadêmica
André - 08 julho 2008 - 21:10
Voltei a fazer academia há menos de uma semana, e já sinto a diferença: não sinto mais os braços, não sinto mais as pernas, e não sinto mais o peso naquele bolso onde ficava o dinheiro.

Entretanto, hoje aconteceu algo que fez valer toda a grana investida, pois a moça instrutora lá disse que era pra eu fazer abdominais - só que não abdominais comuns, e sim abdominais iguais aos que o Rocky fazia!

Estou exultante. Amanhã espero treinar correndo de abrigo pelas frias ruas da Filadélfia, dando socos em pedaços de carne, subindo escadarias e enfrentando um inimigo em uma luta que pretende ser uma metáfora da Guerra Fria.
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Pesos e medidas
Kleiton - - 13:50
Eu comecei um texto sobre a tal lei seca (tão bem comentada aqui pelo Thiago) sem uma posição muito definida. Sou a favor, principalmente pelos dados sobre a redução dos acidentes e das vítimas fatais, mas alguma coisa me incomodava. Pois ontem eu me dei conta do que era. Essa foi a notícia que me ajudou a entender qual a minha pulga atrás da orelha com essa lei. O problema é a falta de critério.

O sujeito da referida notícia foi pego dirigindo a 191 km/h numa estrada onde o limite era 80 km/h. Pensemos: um pacato cidadão que bebe um cálice de vinho e volta pra casa a 40 km/h, se for pego, vai preso, perde o direito de dirigir por um ano e paga multa de quase mil reais, sem choro nem esperneio. Pois esse cidadão que foi pego na Tabaí-Canoas saiu dirigindo normalmente do posto da PRF depois de ser autuado, porque só perde a carteira após um processo transitado em julgado.

Agora, quem representa mais risco? O pacato cidadão ou esse fulano? Por óbvio, o segundo, que acredita que possuir um potente e robusto Audi A4 lhe dá o direito de utilizar integralmente a potência do motor. A considerar a velocidade que ele usava numa segunda-feira à tarde, tenho medo de pensar o que não faz o sujeito numa madrugada de fim-de-semana, após tomar umas e outras.

Mas mesmo assim continuo a favor da polêmica lei. Em primeiro lugar, porque concordo com o Thiago quando ele diz "(..)ser humano é bicho triste, não sabe reconhecer seus próprios limites: se ganha a mão já quer logo o braço. E se a exceção sempre vira regra, então é melhor mesmo que não se abram exceções" (Silverolli, 2008). Em segundo lugar, porque beber e dirigir é um hábito no Brasil: infelimente, aqueles poucos que faziam isso com prudência estão pagando pelos muitos que não souberam fazê-lo.

O negócio não é amenizar a situação para quem bebe, mas sim fechar o cerco também contra inconseqüentes, imprudentes, imaturos, estejam eles bêbados ou não. A atual fiscalização rígida, se mantida (coisa difícil depois que a lei sair da mídia), pode ajudar na manutenção dos índices de acidentes lá embaixo.
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Analogia
Thiago Silverolli - 07 julho 2008 - 00:16
Nestas viagens que ando fazendo entre Porto Alegre e São Paulo, eu acabo confirmando algumas teorias que formulei depois de morar meia vida em cada cidade até agora. Uma delas é que apesar de um povo fazer um juízo precipitado do outro, eles são bem parecidos14 pelo menos no que diz respeito aos instintos mais básicos, aos anseios do cidadão comum e às suas preocupações cotidianas.

As fotos abaixo ilustram o que eu estou tentando dizer. Elas mostram o mesmo problema, tratado da mesma forma, porém com linguagens e soluções peculiares de cada um dos lugares. A primeira foi tirada no shopping Eldorado, em São Paulo, e a segunda, em um lugar correspondente do shopping Lindóia, em Porto Alegre. Reparem que as mensagens parecem até dialogarem entre si:







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Filmes ao redor da Globo - 2
André - 04 julho 2008 - 21:36
Parte 1

Para a Globo Filmes, é mais acessível trabalhar a divulgação de suas produções, não apenas em comerciais, mas também inserindo tópicos sobre os filmes dentro da grade de programação da Globo (fazendo, por exemplo, os atores irem a um talk-show e falarem sobre os projetos), principalmente graças à hegemonia que a emissora detém sobre as audiências no horário nobre. Seus programas, novelas e reality shows, entre outros, são o padrão de qualidade que o público utiliza para fins de comparação, ou seja, para as pessoas, o que passa na Globo é o “comum”, aceito sem questionamentos. Diz Anita Simis

Tendo colecionado uma gama considerável de programas por ela produzidos, que, independentemente de sua qualidade artística, já tem boa aceitação no mercado e viabilidade econômica, seguindo a tendência internacional de dupla integração global, transformá-los em filmes e aproveitar o instrumento proporcionado pela legislação para se introduzir no ramo era o caminho para, pela primeira vez, penetrar em um novo mercado.

Como exemplo, além do já citado O Auto da Compadecida, podemos usar a produção Os Normais – O Filme (2003, José Alvarenga Jr.). Inicialmente um aclamado seriado com três temporadas e 71 episódios, teve na telona uma prequel do programa, mostrando como o casal de protagonistas se conheceu. E, uma vez que o público já conhecia e tinha simpatia por aquelas personagens, a campanha de marketing pôde se aproveitar de um sentimento latente, pois não havia necessidade de apresentar o conceito às platéias – no final das contas, o filme era mais um produto a ser consumido. Além disso, não havia receio de que as pessoas rejeitassem o plot da película, pois o tipo de humor, piadas e sátiras já haviam sido previamente testados. O resultado não poderia ter sido diferente: 1,2 milhão de espectadores em apenas quinze dias14. Isso porque havia um público definido a alcançar, e a visibilidade que a emissora deu à produção foi alta, graças aos diversos canais de comunicação que a Globo possui. O conglomerado de mídia formado por Roberto Marinho garante às produções um aparato de divulgação que simplesmente não havia no cinema brasileiro antes de 1998.

O surgimento da Globo Filmes, entretanto, despertou críticas e reações negativas por parte de alguns cineastas. Isso porque a empresa entrou na disputa pela captação de recursos através dos incentivos fiscais, como qualquer diretor independente, e como não chega a investir recursos próprios nas produções, de acordo com Anita Simis, acaba gerando uma disputa pelas verbas. O que acontece, então, é que aqueles sem vínculos com a Globo Filmes se consideram em desvantagem, “pois, sem o prestígio de uma chancela como a Globo Filmes, perdem espaço na busca por recursos nas empresas existentes”. Assim, produtores e cineastas passaram a atacar a concentração do poder de mídia da emissora em determinadas obras, que criaria uma concorrência desleal, embora nem sempre a Globo Filmes trabalhe com projetos ou diretores pertencentes ao seu staff (caso, por exemplo, de Cidade de Deus e Carandiru).

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Vendo Vectra 94
Thiago Silverolli - - 20:51
Só se fala nisso. A coqueluche do momento é a nova lei conhecida como tolerância zero ou lei seca. É até meio complicado falar de um assunto que rende quase tantas especulações quanto o Big Brother, até mesmo porque este é um blog comunitário e as opiniões de seus colaboradores podem divergir entre si.

O fato é que tudo o que é radical se torna polêmico e que todo mundo adora uma polêmica para aparecer falando bobagem pros outros ouvirem. Outro dia vi uma reportagem sobre a preocupação dos padres com a lei. Segundo o jornalista, os vigários tomam vinho por tradição na cerimônia da missa e muitos deles acabam dirigindo carros logo em seguida para realizar seus demais afazeres, sendo assim a cultura do catolicismo estaria sendo posta em xeque. Pelo amor da Santa Genoveva! Ainda que seja comum a categoria padre/piloto, quem é que vai fazer um padre assoprar o bafômetro e autua-lo por embreaguez?

Numa situação dessas a gente chega a conclusão de que se os números não mentem jamais pelo menos eles titubeiam as vezes e se contradizem. Uma série de dados a respeito dos resultados das primeiras semanas de aplicação da lei vem sendo publicada em todo canto. ''O faturamento das casas noturnas caiu 40%" dizem os opositores da lei, enquanto que o outro lado acena com ''O número de acidentes graves se reduziu à metade". Cada um dá mais ênfase aos dados que convém ao seu ponto de vista e essa discussão ainda vai rolar por muito tempo nas mesas de bares por aí.

A mim o número que mais surpreendeu foi o efetivo da Polícia Militar deslocado para fazer cumprir a nova lei. O discurso não era de que precisávamos de mais homens? De onde saiu tanto policial? Possivelmente de algum lugar onde não se precisa mais de segurança, afinal a nova lei é mais importante, ela tá na mídia. E o negócio é evitar mortes no trânsito, assassinato tanto faz. Alia-se a isso o fato de que lidar com um pinguço é muito mais fácil do que enfrentar um bandido armado.

Eu, Thiago, sou favorável a essa lei e com todo o rigor que ela impõe. Porque ser humano é bicho triste, não sabe reconhecer seus próprios limites: se ganha a mão já quer logo o braço. E se a exceção sempre vira regra, então é melhor mesmo que não se abram exceções (apesar de a gente saber que elas nunca deixarão de existir, afinal quem pode desviar dinheiro público também pode dirigir bebaço). Além disso, o Estado nos concede a permissão para dirigir por nos julgar responsáveis a ponto de não representar-mos ameaça, então acho certo que ele tenha o direito de revogar essa permissão quando a gente prova o contrário. A menos que o pau d'água vá fazer o exame prático de direção completamente embreagado.

Meu único problema é com a punição atribuida, se tu coloca um cara que bebeu um pouco a mais e não chegou a causar dano a ninguém ao lado de um traficante, por exemplo, os resultados dessa equação só podem ser dois: ou sairão dois traficantes ou só o traficante sairá. Acho que já passou da hora de adotarmos a cultura dos trabalhos comunitários...
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Viagem
André - 01 julho 2008 - 20:04
Muita gente fala que os gaúchos são bairristas. Que somos exagerados, que nos achamos os melhores, que a nossa maior vontade é separar o Rio Grande do Sul do resto do país, e por aí vai.

Pois não é que, voltando de São Paulo pra Porto Alegre, a moça do check in da Gol me entrega o ticket e fala "O senhor embarca no portão de vôos internacionais"?

Esses paulistas, hein? Cada dia mais bairristas...
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