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Other side
André - 31 agosto 2008 - 23:24
Acabo de assistir Império dos Sonhos, de David Lynch, três horas e meia de um nonsense absoluto - quase tanto quanto um torneio sem final. Mas até que, entre cenas que poderiam fazer parte daquelas campanhas "Não Use Drogas", terminei com algo mais ou menos montado na minha cabeça.

E é engraçado como isso é difícil pra mim: tive que parar, pensar, examinar o que eu havia visto, interpretar as sequências, as cores, os diálogos sem sentido... Talvez porque os filmes de David Lynch sejam absurdamente autorais, e tentar entendê-los plenamente é tão fácil quanto descobrir porque uma mulher diz "não" quando quer dizer "sim". E talvez porque eu tenha crescido vendo filmes americanos, uma linguagem convencional, normalmente linear, que martela as explicações na cabeça do espectador até ter certeza que ele entendeu.

Como exemplo dá pra pegar O Código DaVinci: em determinada cena, Ian McKellen (não me lembro o nome da personagem dele, acho que era "Sir qualquercoisa") passa alguns minutos explicando à Amelie Poulan sobre o Santo Graal. Seguem-se imagens claras, precisas e explicativas mostrando que o Cálice uma vez buscado por Indiana Jones é, na verdade, a ossada de Maria Madalena. Uma sequência bonita e que cumpre seu papel. Pois ao final, quando tudo fica explicado, a aparentemente limitada protagonista ainda faz a pergunta "quer dizer que o Santo Graal é uma mulher?". Ora, vamos. É como se um goleiro não defendesse um chute, visse a bola entrar e ouvisse de um zagueiro a explicação "olha, foi gol".

Acho que estão aí os dois opostos (e dois bons filmes). De um lado, David Lynch, que provavelmente realiza filmes apenas para seus fãs, já acostumados com uma linguagem narrativa que faz uma questão matemática sobre probabilidades parecer um bolo de chocolate. Do outro, a máquina BLOCKBUSTERIANA de Hollywood, que a todo momento subestima a inteligência do espectador e foge de "pontas soltas" na história como o Inter foge do Juventude.

O engraçado é que um parece inviabilizar o outro. Os fãs e cinéfilos escolhem um dos lados e nele permanecem. Como se existissem "regras" no cinema e tudo tivesse que ser feito do jeito "certo". Tudo bem, não é todo mundo que vai gostar de tudo, e gosto é uma coisa estranha mesmo, cada um tem o seu (embora todos que sejam diferentes do meu sejam descartáveis). Mas vou te contar, essa idéia dos empresários de segmentar cada vez mais os mercados tá realmente começando a encher o saco.

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Drifting
André - 30 agosto 2008 - 04:37
Porto Alegre é a cidade com a maior amplitude térmica em toda a história da meteorologia. Simplesmente não é possível. Ontem eu caminhava por aí de manga curta, sentindo o clima gaúcho - que, como tudo que é gaúcho, é o melhor do mundo - por cada poro da pele. Hoje eu já saí com um blusão de lã e um casaco, além de um daqueles trenós puxados por lobos.

O que mais me incomodou, entretanto, foi ver que mesmo no frio algumas pessoas ainda usavam manga curta. Guris e gurias, em sua maioria. Jovens. E me ocorreu que eu já fui assim, inconsequente - e sim, usar pouca roupa no frio é, de certa forma, se rebelar contra o status vigente. Em um mundo cada vez mais formatado, pequenas rebeliões pessoais são as nossas revoluções.

Vontade de ser inconsequente. Roubar um cone, descer a escada rolante na contramão, comprar revista pornô pra piazada. Quando a gente se acostuma à rotina, a gente se limita. Eu não devia me preocupar com "amplitude térmica", não devia nem saber o significado dessa expressão. Devia é estar pensando em subverter as coisas, jogar uma pilha no gramado do estádio, realizar idéias nonsense. Coisas assim.

Mas eu já fui engolido. Faço parte daquele grupo que tem responsabilidades e deveres. Minha cabeça está assumindo o pensamento prático que o ocidente tanto venera. Porque quando o frio bate, quando a temperatura cai, a primeira coisa que eu penso é que não posso usar camiseta de manga curta.
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Você sabe que está velho quando...
André - 28 agosto 2008 - 22:03
Acorda de manhã, começa a se espreguiçar e percebe nada menos do que oito estalos nos ossos dos braços e das pernas.

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Produtos que mudam o mercado.
Thiago Silverolli - 25 agosto 2008 - 20:42
Os campeonatos europeus estão de volta. As temporadas de alguns países começaram há duas semanas. Não engrenaram ainda mas em bem pouco tempo já teremos a oportunidade de ver novamente em ação os melhores jogadores do mundo.

Ainda ontem, passando pelos canais me deparei com Shalke X Werder pela segunda rodada do campeonato alemão. Parei pra dar uma olhada, claro, afinal o futebol força jogado na terra do chucrute vire e mexe nos presenteia com um golaço, geralmente atraves de chutes fortes. Eu estava certo. Vi um golaço naquele jogo. Mas pra minha surpresa ele não foi composto apenas pelo chute forte, mas tambem por um drible desconsertante e um corta-luz. Isso mesmo! Parece que os caras gastaram todo o estoque de genialidade da temporada em um só lance.

Depois da pintura, o comentarista se achou no direito de defender o campeonato germânico: "O pessoal critica a falta de técnica do futebol alemão, mas a seleção é atual vice campeã da Europa enquanto o badalado futebol inglês nem disputou a Eurocopa.".

Por instinto, respondi (acho que em voz alta, até) a ele: "O badalado campeonato inglês não é disputado por ingleses!".

Daí vem a ideia da coluna. O campeonato inglês é hoje sem dúvida o melhor do mundo. Acabou aquela história de carrinho e bola aérea (nada contra, até acho que aquela essência deveria ser mantida.). Mas o fato se dá pela miscigenação experimentada atualmente. Se o cara é bom, vai pra lá. Não importa se é brasileiro, africano, australiano ou coreano. Os mais conservadores podem afirmar que seja essa descaracterização que tenha prejudicado o desempenho da seleção. Mas isso é fase, questão de adaptação.

Um fenômeno semelhante aconteceu na Espanha. No fim da década passada, era lá que se fazia o melhor campeonato, sobretudo por colaboração dos jogadores africanos. Barcelona e Real Madrid frequentando as finais da liga com a mesma intensidade que os tres grandes ingleses e o Chel$ea fazem hoje em dia, só a seleção espanhola é que não vingava.

Eis que na Copa de 98 eles tiveram a chance de mudar essa escrita montando uma boa seleção e caindo no grupo da Nigéria, entao campeã olímpica e maior ícone do futebol africano. Houve muita alfinetada por parte dos espanhois antes do jogo, diziam que os jogadores africanos prejudicavam o futebol praticado na Espanha e chegaram a ofende-los. O resultado da partida? Nigéria 3 a 2, com direito a frango do Zubizarreta.

Dez anos depois a Espanha é campeã européia. Claro que a geração atual é muito boa, me arrisco a dizer que é a melhor que ja montaram. Passaram à condição de exportadores de craques, coisa improvável tempos atrás. Mas eu acredito que um fator que tenha ajudado nesse desenvolvimento seja a liçao aprendida. Hoje me parece que os espanhóis não só sabem lidar com os jogadores estrangeiros como também tenham absorvido suas boas influências para a formação de um padrão de jogo superior ao que possuíam. O que faltava para conseguir um título que consagrasse o futebol espanhol como grande. É bem verdade que apenas uma conquista não quer dizer muito, vamos ver se minha tese é confirmada com uma sequencia de bons resultados.

Com vocês, futebol:

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my father's gun
André - 24 agosto 2008 - 16:48
from this day on
i own
my father's gun
we dug his shallow grave beneath the sun

i laid his broken body down
below the southern land
it wouldn't do to bury him
where any yankee stands

i'll take my horse and i'll ride
the northern plain
to wear the colour of the greys
and join the fight again

i'll not rest until i know
the cause is fought and won

from this day on
until i die
i wear my father's gun

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Diplomacíadas 2016
Thiago Silverolli - - 15:53
Acabaram as olimpíadas. Do Brasil, não sei se esperávamos muito mais do que a vigésima terceira posição no quadro de medalhas. O que incomoda é que hoje já não cabe mais aquele discurso de “Coitadinho! Não recebe apoio! Tem que treinar só com a própria força de vontade e deve ser considerado um herói do povo brasileiro só pelo fato de conseguir chegar a uma olimpíada.” Não! Tínhamos favoritos! Campeões mundiais em suas modalidades que, na hora de mostrar isso pra todo mundo e se tornarem ídolos, refugaram. Fizeram fiasco mesmo.

Tivemos três oportunidades concretas de medalhas de ouro que, assim como nosso governo, os atletas deram de mão beijada aos estadunidenses. E o que é pior: essas derrotas nos deram a prata! Não serviram sequer para contribuir com a campanha vigente nesses jogos: “Brasil, um país tropical bronzeado por natureza.”

A gente tem noção de que grande parte dos atletas realmente não tinha grandes chances e que eles foram apenas para fazer número. Mas aqueles que deviam ter se consolidado como grandes nomes do esporte mostraram uma característica marcante do brasileiro: o complexo de inferioridade. A gente não sabe lidar com o favoritismo e não está preparado para lidar com a pressão de estar obrigado a vencer. Enquanto continuarem passando a mão nas cabeças dos nossos perdedores, esse vai ser o exemplo de comodismo que o esporte vai passar para os mais novos. E, assim, ao invés de cumprir o papel social que deveria; o esporte continuará sendo, como no Pan 2007, mera ferramenta de politicagem, estacionando num patamar muito inferior do que deveria ocupar.

Se servir de consolo, a Argentina foi a trigésima quinta, não honrando o nome e ficando sem nenhuma medalha de argenta, ganhando apenas ouro no ciclismo e, denovo, no futebol (conquista mais óbvia do que as de Phelps nas piscinas). Tudo bem, 2010 vem aí com um evento esportivo de verdade, espero.
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Top 5 - Videoclipes
André - 22 agosto 2008 - 21:58
1 - Do The Evolution - Pearl Jam

E eis que finalmente chegamos à genialidade absoluta. Tudo começa em um disco lançado há dez anos, em uma caixinha bonita pacas, passando meio desapercebido e tal. Mas o fato é que Yield é a grande obra-prima da década passada. O quinto disco de estúdio do Pearl Jam tem grandes canções, riffs alcoolizantes, melodias ridiculamente lindas, brincadeiras no encarte... Ou seja, quarenta e poucos minutos de pura inspiração. E a canção número sete é essa que vocês vão ver abaixo, uma música poderosa, que pega o cara pelo pulso e joga no olho do furacão chamado planeta Terra.

Captando o clima da obra de forma assustadoramente perfeita, o diretor/quadrinista Todd McFarlane jogou às favas qualquer crença que tinha no ser humano e fez o vídeo definitivo. Questionador, divertido, engraçado, pertinente, épico, inspirado, forte, irônico, tenso. Existem tantas brincadeiras e rimas visuais que fica impossível ilustrar aqui a monstruosa criatividade da coisa toda. Sério. Vale a pena ver, e rever, e ver mais uma vez, e aí sim o cara começa a pegar pequenas sacadas, que tornam tudo ainda melhor. Do The Evolution é uma aula de... de... é uma aula de QUALQUER coisa. Como falei, eis que chegamos à genialidade absoluta. O primeiro lugar. O melhor.

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Top 5 - Videoclipes
André - 21 agosto 2008 - 22:33
2 - The Happiest Days of Our Lives / Another Brick in the Wall Part II - Pink Floyd

Normalmente, existem duas formas de uma pessoa chegar até Pink Floyd: Wish You Were Here, uma bela canção sobre saudade, feita para o ex-vocalista Syd Barret e que constantemente é tomada como uma balada romântica; e, principalmente, a versão original daquele canto das torcidas gremista e colorada que tem a proeza de rimar "cu" com "cu".

Another Brick in the Wall Part II é, sem dúvida, uma das grandes canções do século. Deste século, do século passado, e de todos os séculos possíveis e imagináveis. Uma música que ridiculariza a escola, o ensino e a instituição robotizada que isso tudo se tornou. É aí que entra o DESCOMUNAL videoclipe.

O que acontece com aquele garoto do vídeo, sonhador, que faz poemas na aula? É reprimido pelo sistema. Tem suas idéias cortadas e jogadas no lixo. "Inglaterra dos anos 60", dirão alguns. Será mesmo? Será que, atualmente, as crianças não são cada vez mais formatadas? A enorme quantidade de informação disponível, quando bem manipulada, nos dá a falsa impressão de que nós fizemos uma escolha. Digo, a frase "estude, faça faculdade e arranje um emprego" até que combina com o clipe, certo?

Por isso esses 6 minutos audiovisuais são tão geniais. Quer imagem melhor do que as crianças, sem rosto, entrando numa máquina e saindo de lá sentadas nas classes? A fotografia escura, num clima quase de suspense? A revolução, libertadora, salvadora, que acontece apenas na cabeça de um dos alunos, porque o resto já assimilou inevitavelmente a "educação"?

Happiest Days of Our Lives / Another Brick in the Wall Part II é uma obra universal. Atual ainda. E por isso merece este honroso segundo lugar.

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Top 5 - Videoclipes
André - 20 agosto 2008 - 21:58
3 - Coffee and TV - Blur
Na minha humilde opinião, a definição exata pra banda Blur é a seguinte: Fifa 98. Indescritível como aquele grito de "woo-hoo" fez parte da minha vida, assim como da vida de várias pessoas que se deleitavam com o melhor simulador futebolístico de todos os tempos. Fora isso, não me chamava muito a atenção. Até porque os caras eram da inglaterra, e de lá já tinha o Oasis, que ironicamente ficou atrás do Blur nesse Top 5.

Aí veio o clipe da caixinha de leite. E na boa, não tem como ficar indiferente - inclusive, peço a todos que assistam ao vídeo de pé, tamanha a genialidade da coisa. É sobre uma caixinha de leite viva, que dança e se apaixona por uma caixinha de leite rosa! Tipo de história que só poderia ser bolada por uma criança, ou por alguém com muita imaginação, ou por alguém muito bebado. Façam assim, ó: peguem um dia muito ruim. Muito ruim mesmo. Uma segunda-feira estressante, com muito trabalho, trânsito, time levando quatro a zero do vasco, sei lá. Peguem um dia desses e, ao final da note, assistam ao clipe de Coffee and TV. Se vocês não forem dormir sorrindo, é porque são desprovidos de coração.

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Top 5 - Videoclipes
André - 19 agosto 2008 - 22:25
4 - Everlong - Foo Fighters
O sucesso de Everlong foi a prova de que o sequel do Nirvana tinha vida própria. Contando com o carisma gigantesco e absolutamente insano do vocalista Dave Ghrol, a banda foi encontrando seu espaço - na real, o Foo Fighters é que nem a Copa do Brasil: até quem não acha grande coisa, gosta. Uma banda no mínimo simpática. E ninguém me tira da cabeça que Dave Ghrol, com seus berros e atuação descomunalmente raçuda no palco, daria um bom volante.

O vídeo de Everlong foi dirigido pelo francês Michel Gondry. Apenas isso é o suficiente para que alguns fãs de cinema já gostem do troço, mesmo que nunca tenham assistido. Mas a real é que a transição da música pra telinha ficou fodona: com uma trama completamente nonsense (dois caras do mau vão em direção a uma casa; lá, um casal dorme; o cara sonha com uma festa; a moça sonha que está sendo atacada; pernas viram galhos de árvores), o diretor utiliza recursos visuais pertinentes para interligar os sonhos. E também a realidade. Espera, o quê? Não to entendendo mais nada. Ah, deixa pra lá, o legal mesmo é quando a cama vira uma bateria...

Acreditem se quiserem, não achei nenhum vídeo que fosse promíscuo e pudesse ser colocado em qualquer blog. Então fiquem com o link direto aí pro VocêTuba.

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Top 5 - Videoclipes
André - 18 agosto 2008 - 22:02
Já que a Televisão de Música não passa mais videoclipes (ou resolveu voltar a passar? Nem sei, faz aproximadamente uma adolescência que não assisto MTV), resolvi homenagear os esforços hercúleos daqueles artistas que fizeram videoclipes realmente espetaculares. E, ao contrário da moda atual, essa lista não será pautada por critérios como "retrô", "cult", "indie", "tosco" nem nada do gênero. Vai ser uma lista afudezaça. Um Top 5 que será exposto aqui diariamente, em ordem decrescente, pra criar mais suspense do que um filme do Shyamalan. E pra começar, ah, pra começar, tem que ser uma banda fora-de-série, né:

5 - Oasis - The Importance of Being Idle

Ninguém gosta dos irmãos Gallaghers porque eles dizem coisas estapafúrdias frente às câmeras e torcem pro Manchester City (torcer pro time onde o Elano joga? Nenhum sentido!). Mas podem chorar, espernear, botar gravatinhas e imitar os Stooges, que não vai fazer diferença: Oasis é a melhor banda surgida na inglaterra nos últimos vinte anos. A música deles é inspirada, criativa, popular e poderosa ao mesmo tempo. E as opiniões deles são inspiradas, criativas, populares e poderosas ao mesmo tempo. E engraçadas.

The Importance of Being Idle é uma daquelas canções que Noel lapidou até virar um diamante. A importância de ser indiferente. Pois toda a atmosfera de "se tu te matar trabalhando, jamais vai viver" foi captada com perfeição pelo videoclipe, dirigido por Dawn Shadforth. Com uma atuação brilhante de Rhys Ifans, o vídeo é irônico e divertido, sutil e forte. O visual monocromático lembra alguns filmes dos anos 40/50, efeito que é reforçado pelo figurino (cartolas, bastões) e pelas coreografias. E os planos levemente mais longos do que a geração MTVística está acostumada conferem à produção um ar elegante, sofisticado.

Elegância. Somente o Oasis mesmo pra fazer uma música sobre preguiça soar elegante, pertinente e, acima de tudo, o quinto lugar na lista videoclíptica mais cobiçada do planeta.

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Desencontros
André - 17 agosto 2008 - 23:03
Do Outro Lado (Aud der Anderen Seite)
5/5

Direção: Fatih Akin
Roteiro: Fatih Akin

Elenco:
Nurgül Yesilçay (Ayteon Öztürk)
Baki Davrak (Nejat Aksu)
Tuncel Kurtiz (Ali Aksu)
Patrycia Ziolkowska (Charlotte "Lotte" Staub)

A história começa - e acreditem quando eu digo "começa", porque tem muita coisa depois - quando um aposentado pede a uma prostituta para morar com ele. Tal fato leva a uma sequência de eventos que vão aproximar e distanciar diversas personagens, alternando entre Istambul e Hamburgo.

A melhor forma de criar histórias distintas que se intercalam é não apenas ilustrar a relação entre elas, mas construir cada trama de forma que consiga se sustentar com as próprias pernas. Afinal, de nada adianta descobrir uma ligação genial entre duas narrativas se uma delas é um saco, certo?

Sabendo disso, o diretorbarraroteirista Fatih Akin realizou uma interessante colcha neste filme que concorreu ao Oscar de melhor produção estrangeira. Aliás, mostrou que conhece bem o seu ofício: mantendo normalmente a posição clássica, ele confia no talento dos atores, deixando as cenas se desenrolarem de forma natural - exceto em algum eventual plano-sequência (o que enquadra a visão de Lotte ao perseguir os piás é legal demais) ou travelling inspirado. E filma não apenas as cidades de forma diferente, nem os cenários, mas também as personagens (a mãe de Lotte, uma senhora "certinha", aparece sempre centralizada no quadro - a menos em um momento de dor, quando o diretor se permite um ângulo mais caótico, para ilustrar a tristeza dela). Isso ajuda a criar identificação com cada pedaço da história (Istambul, por exemplo, é fotografada com um grão mais grosso, dando um ar de "sujeira"), pois todos tem suas próprias características.

Já o intrincado roteiro consegue desenvolver bem (até certo ponto, claro) as personagens em curtos e diferentes espaços de tempo - ou seja, nem todas as cenas dão andamento às tramas. Algumas estão ali para nos mostrar quem são estas pessoas e o que elas querem. E o verdadeiro círculo no qual giram as histórias jamais soa repetitivo ou forçado, pelo contrário, flui de forma impressionante. Aproveitando essa estrutura cíclica, o roteiristabarradiretor aproveita para fazer diversas rimas visuais inspiradas, como a dos caixões, além de repetir cenas e enquadramentos.

Em determinado momento, Ayteon, que faz parte de um grupo revolucionário, diz "lutamos contra a globalização". E é justamente essa globalização que aproxima e distancia cada um deles. Por pequenas falas, gestos ou atitudes, as pessoas que mais se procuram não se encontram, seja na Alemanha ou na Turquia. Por medo de se revelar frente a um regime severo, ou pelo acaso de desistir alguns momentos mais cedo. No final das contas, as histórias não apenas se encontram, mas se sobrepõem. Pois elas possuem objetivos e narrativas bem definidas - tudo que, infelizmente, falta aos seus cativantes protagonistas.

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A Fantástica Loja de Trocadilhos
André - 14 agosto 2008 - 21:53
- Boa tarde, senhor.
- Hm... boa tarde.
- Em que posso ajudá-lo?
- Ahn.. aqui é a tal loja de... trocadilhos... certo?
- Correto, senhor. Aqui mesmo.
- Pois é. Eu... bem, eu precisava de um trocadilho...
- Pois não. O que o senhor deseja?
- Como assim?
- Em que tipo de situação ou evento o senhor gostaria de utilizar o trocadilho?
- Ah. Bom, é o seguinte: eu sou um empresário bem sucedido no ramo musical. Mas estou mudando de área, porque trabalhar com arquitetura sempre foi o meu sonho, sabe?
- Entendo, senhor.
- Pois é. Eu sei que todo mundo vai me perguntar por que eu fiz isso, por que estou me arriscando, essas coisas. E eu queria ter uma resposta legal, uma sacada na ponta da língua. Por isso vim até a loja.
- Compreendo perfeitamente, senhor. Um momento que eu vou pesquisar no catálogo para encontrar algo a seu gosto.
- Tá. É esse computador que cria os trocadilhos?
- Não, senhor, eu apenas utilizo ele para pesquisar no catálogo. Computadores estão aptos apenas a calcular, não pensar.
- Ah...
- Bem, o senhor quer algo que explique o motivo pelo qual abandonou a música e resolveu virar arquiteto, né? Eu tenho um "porque me deu na telha" em promoção, se lhe agradar.
- Hm. É bacana, é bacana. Só que sei lá, eu queria algo mais... mais altivo, sabe? Mais elegante. Que eu pudesse falar em uma festa, pra impressionar as mulheres e coisas do gênero.
- Entendo. Deixe-me olhar novamente o catálogo... Sim, tenho algo nesse modelo. O que o senhor acha de "porque estou construindo uma nova etapa da minha vida, com trabalho, projetando grandes conquistas e desenhando um futuro cada vez mais feliz"?
- Perfeito! É exatamente o que eu queria! Criativo, inteligente e emocionante. Além de uma reposta de nível, vai atrair as mulheres. Vou levar.
- Muito bem. Deixe-me imprimir uma cópia do texto e salvá-lo também em cd para o senhor.
- Valeu mesmo. Vai me ajudar muito. Me diz uma coisa, vocês aceitam cheque?
- Apenas se a peça estiver ameaçando o Rei, senhor.

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Obsessão?
André - 13 agosto 2008 - 13:12
No Jornal do Almoço de hoje, a RBS fez uma graaande reportagem em Pequim: pegou 22 chineses (ou japoneses, sul-coreanos, políticos brasileiros, qualquer um que tenha os olhos fechados) e organizou um Gre-Nal amador entre a galera.

Como eu estava no restaurante, a TV não tinha som, ou seja, não sei exatamente o teor da matéria. De qualquer jeito, foi uma idéia idiota. Ridícula, no mínimo. Egocentrista, sem relevância nenhuma, sem QUALQUER informação que pudesse interessar ao público. Foi uma mostra do nonsense absoluto que impera nas redações jornalísticas.

Mas claro que, como não havia nada que eu pudesse fazer, como a reportagem seria veiculada de qualquer jeito, fiz o que qualquer pessoa faria nessa situação: torci pelo time oriental do Grêmio.
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Futebol pra homem
André - 10 agosto 2008 - 21:42
Falei nesse post que Anton Chigurh poderia facilmente entrar no time dos psicopatas do cinema. Pois bem, desenvolvendo um pouco a idéia, fiz a escalação de tal equipe, colocando cada psicopata na posição onde rende mais. Montei no esquema 3-5-2, com apenas um volante de contenção, dois alas que apóiam e dois meias de ligação. Ficou assim:

Goleiro: Michael Myers

A frieza e inabalável calma do assassino da série Halloween são características essenciais para um grande goleiro. Além de não fazer movimentos desnecessários, o cara tem a capacidade de se deslocar rapidamente, mesmo que seja fisicamente impossivel, só pra que algum diretor fraco tente criar suspense. Uma habilidade deveras útil na posição.

Zaga: Coronel Kurtz, Jack Torrance, Patrick Bateman

Eis uma zaga ameaçadora. O Coronel Kurtz, de Apocalispe Now, e Jack Torrance, de O Iluminado, dariam o primeiro combate: estamos falando de um cara que EXTERMINA uma praia só pra surfar - ou seja, apaixonado pelos esportes - e outro que não teria receio de acertar no meio do próprio filho. Patrick Bateman, de Psicopata Americano, ficaria de líbero, fazendo pose e só revelando suas verdadeira personalidade na hora H, pra literalmente cortar a jogada.

Volante: Anton Chigurh

Como todo bom cabeça-de-área, Anton Chigurh, de Onde os Fracos Não Tem Vez, é movido por apenas uma palavra: destruição. É o homem certo pra vaga.

Alas: Gargamel, Mr. Blonde

O feiticeiro obcecado por pequenas criaturinhas azuis tem disposição de sobra e inteligência de menos, duas características recorrentes nos alas que jogam pelo lado direito. Por isso do outro lado temos o Mr.Blonde de Cães de Aluguel, que traz (des) equilíbrio ao time com sua excelente capacidade de improvisação e seu gingado malemolente. O único problema são as torturas firulas desnecessárias, que podem ROBERTOCARLOSEAR o time, igual na final de 98.

Meias: Coringa, Hannibal Lecter

Criatividade. Uma palavra-chave para quem joga no meio-de-campo. Pois criatividade é o que o palhaço do crime mais tem, tornando-se um elemento imprevisível no gramado, com suas viradas desconcertantes e seu futebol alegre. Já Hannibal Lecter... bem, o cara esbanja técnica, elegância, inteligência. É o camisa 10 do time. Sabe se deslocar, espalhar o jogo, e ainda por cima tem fome de bola. Lecter é o centro dessa equipe, e ele gosta disso.

Atacantes: Mickey Knox, Norman Bates

O dono do motel de Psicose conhece bem as necessidades da posição. E sabe circundar a área com cuidado, esperando o melhor momento pra abrir as cortinas e aparecer na área, marcando gol e levantando uma camiseta com os dizeres "mãe, eu te amo". Quanto à Mickey Knox: em Assassinos por Natureza, ele provou que nasceu para ser finalizador. Não importa a situação, não importa as opções, o cara sempra dá um jeito. Caiu na mão dele, é tiro certo.

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Série Formandos
André - 08 agosto 2008 - 22:27
Um irmão nem sempre é de sangue: pode não ser parente e ainda assim fazer parte da gangue. O importante, na verdade, é ter a sensibilidade para saber o que é relevante: cerveja à vontade. E, claro, ter noções do esporte bretão, como passe, chute e marcar gol com a mão.

Um irmão nem sempre segue uma linha reta: às vezes, culpa do pneu, capota pro lado e descobre que renasceu. Sai daqui pra São Paulo, Floripa... pro cara, até Arambaré dá pé. "Aqui estou" devia ser o seu lema. Nas festas, nos esquemas. Nas indiadas e nos problemas. De Sul a Sudeste, seja no Funk carioca da hora ou em Vertigo, só se for agora. E se ele diz "não vou", tem apenas uma explicação: splash and go.

Um irmão nem sempre cresce com a gente: mas se, como todo irmão, ele se faz sempre presente, então nos ajuda a seguir em frente. Do trote à formatura, dos ônibus de madrugada até a lei seca e sua censura. Das madrugadas de 2002 até a Copa chata quatro anos depois. Do cotidiano até Atlântida, com o demônio e o praiano. Um cara cuja presença faz a diferença, pois desde que o conheci até hoje, ele vem Suando a 14.

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Curtas
André - 03 agosto 2008 - 19:57
The Mist - 4/5
É difícil adaptar os livros de Stephen King com qualidade (o DEPLORÁVEL O Apanhador de Sonhos é um exemplo dessa dificuldade). Mas o diretor Frank Darabont foi bem nos dramas Um Sonho de Liberdade e À Espra de um Milagre. Agora, lidando com uma história de terror, ele também vai bem - e se falta um pouco de tensão nas cenas de suspense, o final deixa o espectador detonado diante de tanto horror.

Metropolis - 5/5
Não é nada fácil assistir a um filme alemão, mudo, monocromático e com duas horas de duração. Mas quando a película acaba, é simplesmente impressionante o que o diretor conseguiu fazer. Obrigatório.

O Sobrevivente - 5/5
Os publicitários deviam começar a pensar em colocar no cartaz dos filmes "Christian Bale emagreceu para fazer esta produção". Porque quando isso acontece, o filme é bom. É batata.

Eu os Declaro Marido e Larry - 3/5
Algumas piadas engraçadas no início e algumas cenas da Jessica Biel com pouca roupa salvam a película.

Requiem Para um Sonho - 5/5
Eu esperava algo mais dramático e menos Trainspotting. Mais pesado do que o ataque do Grêmio em 2007. Nunca mais vou me recuperar.

Viagem a Darjeeing - 5/5
Wes Anderson já tinha acertado em cheio com o genial A Vida Marinha com Steve Zissou. Agora, volta a fazer uma história marcante, engraçada e com composições visuais ridiculamente bonitas. Como se não fosse o suficiente, o curta que funciona como prelúdio do filme, Hotel Chevalier, ainda tem a Natalie Portman pelada. É tiro e queda.

No Vale das Sombras - 3/5
Paul Higguins está se achando muito depois de Crash, fato. Nada demais nesse filme, é que nem a Sulamericana, até é legal mas a gente acompanha só pra ter alguma coisa pra ver. E o final, apesar de ser forte, é deveras previsível.

Sunshine - Alerta Solar - 4/5
Uma produção que dá oxigênio novo aos filmes de ficção científica no espaço, com o perdão do trocadilho.

Chumbo Grosso - 4/5
Lembram daquela série Todo Mundo em Pânico? É a mesma coisa, só que com filmes policiais. E inteligência. E excelentes sacadas. E que tira sarro das convenções, ao invés de apenas recriar cenas de filmes famosos. E sem escatologia. E que não pensa em sexo o tempo todo. E que te faz querer sair por aí atirando em todo mundo.

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