O novo disco do Pearl Jam, Backspacer, foi lançado nos êua dia 20 de setembro. Antes disso, obviamente, a mãe internet já havia extraído o conteúdo do dito-cujo e feito as músicas pularem pela rede sem medo de serem felizes. Acontece que o CD - um CÍRCULO REDONDO E NO FORMATO ESFÉRICO com um FURO ESBURACADO E ESPAÇADO no meio e que armazena dados através de MAGIA NEGRA (pros mais novos entenderem) - só chegará às lojas portoalegrenses dia 7 de outubro, junto com a roda, ao que tudo indica. Entretanto, após a menstruação da obra na internet, já ouvi cada canção pelo menos um RENATOPORTALUPPIZILHÃO de vezes.
Uma vez que um faixa-a-faixa só pode ser feito após colocar o método científico em prática (deitar no sofá, botar o disco no cd player* e acompanhar as letras no encarte - e os encartes do Pearl Jam costumam esfregar a fuça dos outros no chão), estou temporariamente inapto a realizar a tarefa citada acima. Apesar de já estar familiarizado com o álbum. Apesar de conhecer cada nota dele.
Ou seja, esqueçam toda aquela baboseira de buracos de minhoca e buracos negros: vivemos em uma era onde as pessoas vêem as coisas antes delas acontecerem, mas não podem falar a respeito porque elas ainda não se tornaram realidade. A internet já é uma máquina do tempo.
*Veio antes do Ipods e mp3 players, geralmente tem um tamanho robusto e toca no máximo entre 11 e 18 músicas por vez.
Dustin Hoffman completamente em chamas, e com Robert DeNiro como bróder. Não bastasse isso, o roteiro pega o espectador, amarra ele na cama e põe palitos de fósforo em seus olhos, pra que ele não desgrude um momento do que está acontecendo. Como se ele fosse um garoto que recém descobriu a senha dos canais pornôs.
Os Normais 2 - 2/5
Fui enganado pelo inspiradaço trailer. Embora a química entre os protagonistas RECHEIE a tela o tempo todo, as situações vão ficando cada vez mais forçadas e sem graça. Entretanto, levando-se em consideração o subtítulo ("A Noite Mais Maluca de Todas"), talvez assistir ao filme numa quarta de tarde, triturando um pacote de Trakinas de morango e um copão de Coca, torne tudo melhor.
Brüno - 1/5
Pega as piores partes de Borat e as eleva até uma potência onde fica difícil separar, entre os realizadores do filme, aqueles que são profissionais e aqueles que tomaram injeções cavalares de adolescência e humor físico apelativo. Aliás, chamar aquilo de "filme" é exagero - o termo correto pra definir a obra seria um daqueles avisos de banheiro cuja inscrição diz "Favor dar a descarga".
Persépolis - 4/5
É impressionante a fluidez de Persépolis, ainda mais considerando-se o RONALDO de informações com as quais o filme lida, e nunca de forma superficial. Caso você veja um daqueles seus amigos que dizem "animação é pra crianças" andando de bicicleta por aí, pegue Persépolis e coloque no meio dos aros da roda. É batata.
Manhattan - 5/5
Um belo dia, Woody Allen caminhava pela rua, até que encontrou um diamante. Então ele pegou esse carvão velho e esculpiu ele no formato de um roteiro. Chamou Diane Keaton e Meryl Streep pra brincar, e o resultado foi Manhattan.
Dias Incríveis - 4/5
Vince Vaughn e Will Ferrel, completamente alucinados, como se estivessem dirigindo um caminhão de cerveja atrás de uma van com as coelhinhas da Playboy, conduzem a película na última marcha e ouvindo Born to be Wild no último volume. Esqueçam Stallone, Van Damme e aqueles filmes de ação com musculosos descamisados e suados: Dias Incríveis é o filme-macho-alfa definitivo.
Existem coisas contra as quais não se pode lutar: furacões; terremotos; o imposto de renda; buracos na estrada; Jackie Chan; o fato de que o ônibus vai passar pouco antes de tu chegar na parada; a Globo.
Este é o ano do centenário do Inter. Em ano de centenário, os times nunca vão bem. Eles jogam pontos fáceis na sarjeta, escorregam, agem como alunos de auto-escola tentando fazer baliza, enfim, no ano do centenário os clubes basicamente tiram a cartinha "Revés" do Banco Imobiliário" o tempo todo.
Então não adianta lutar contra isso, colorados. Nenhuma pessoa do mundo consegue reverter essa situação. Quanto antes aceitarem, melhor. A vida se tornará mais tranquila, menos frustrante. E nem adianta apelar para a fé: como o jogo de quarta-feira mostrou, os católicos não pretendem facilitar nem um pouco as coisas.
É um AJUNTAMENTO das colunas sobre leitura que Nick Hornby escreveu pra revista Believer. Quando colocadas em sequência, dá pra notar que o texto tem altos e baixos (principalmente em piadas que surgem claramente forçadas), mas no geral a linguagem simpática e engraçada do inglês, somada à sua absoluta ausência de preconceito no que se refere a literatura, torna o livro divertido e uma excelente referência de futuras leituras.
O Clube do Filme - David Gilmour
Um veículo pro autor demonstrar seu conhecimento (enciclopédico, e não subjetivo, na maior parte - tipo o cara que lembra do gol do PIRULITO que deu um título fanfarrão para o ARRANCA TOCO F.C. no ano de 1961, mas não sabe analisar futebol) de cinema. Falta densidade ao texto do David Gilmour (não, não aquele), e os acontecimentos parecem simplesmente jogados na narrativa como jogadores na seleção brasileira. Em nenhum momento o amontoado de páginas passa a sensação de que algum daqueles filmes foi importante pra alguma coisa na vida de alguém. É fácil de ler, mas não acrescenta quase nada.
É um fato inegável que o amor move o mundo - do entretenimento. Comédias românticas, dramas românticos, livros românticos, músicas românticas, tudo isso atrai as pessoas. Elas enxergam nesses elementos o sonho da felicidade. E, claro, só depois descobrem que na vida real as pessoas não vão aplaudir um casal se beijando no aeroporto, mas sim ofendê-lo pesadamente por estar atrasando todo mundo (com exceção dos gritos de "pega na bunda dela!", proferidos por jovens recém saídos do colégio e que estão embarcando para uma aventura em Londres. Mas divago).
Dentro desse tema, nada causa mais empatia e sucesso do que o sofrimento. O sofrimento alheio, digo. Pode-se afirmar, inclusive, que a indústria dos corações quebrados fez com que algumas poucas pessoas pudessem literalmente comprar a felicidade. E foi desse tema romântico/avassalador que saiu o novo Top 5 do blog, pois eu também quero tentar ganhar grana com a miséria. Apresento, então, o Top 5 Músicas Dor de Cotovelo.
5 - Hole in My Soul - Aerosmith Ao longo dos anos 90 o Aerosmith encheu a cara de baladas, sempre exibindo melodias cativantes e letras sofridas como um usuário de internet discada. Mas Hole In My Soul é a definitiva. A canção é tão cheia de amargura que ela poderia facilmente derrotar um exército de spams com correntes otimistas. Do instrumental desoladoramente bonito até a voz esganiçada do Steven Tyler (passando pelo videoclipe obrigatório), tudo nessa balada indica um sujeito deitado na cama, sem fazer a barba e assistindo Faustão de novo e de novo. Trecho Avassalador:Yeah there's a hole in my soul / but one thing I've learned / for every love letter written / there's another one burned
4 - Piano Bar - Engenheiros do Hawaii O próprio título dá indícios da melancolia alucinada que virá a seguir. Porque Piano Bar começa lenta, com as notas de um piano ecoando ares de um lugar cheio de fumaça e vazio de esperanças. Conforme a música cresce, e uma guitarra distorcida surge chutando a bunda dos outros instrumentos, e Humberto Gessinger começa a gritar até expulsar suas AMÍGDALAS da garganta, o sentimento predominante passa a ser o de vingança e rancor. Igual uma pessoa tentando cancelar seu cartão de crédito por telefone. Trecho Avassalador:Ontem à noite / a noite tava fria / tudo queimava / mas nada aquecia / ela apareceu / parecia tão sozinha / parecia que era minha aquela solidão
3 - Bad - U2 Poucas bandas sabem construir climas como o U2. E desde o início de Bad já podemos perceber que ali o buraco é mais embaixo. Bem mais embaixo. No fundo do poço, pra ser mais preciso. A música consegue ser melancólica e intensa, acertando o ouvinte com marretadas certeiras de angústia - como no refrão, absolutamente desolador, onde Bono consegue até RASPAR SUJEIRA DE PANELAS com sua voz rasgada e áspera. Trecho Avassalador:If I could / throw this lifeless lifeline to the wind / leave this heart of clay / see you walk / walk away
2 - Black - Pearl Jam Black é desesperadora. Black são quase seis minutos de uma fratura exposta mergulhada em ácido sulfúrico. Black é o mundo visto por uma criança que nunca brincou de Comandos em Ação. Não há um segundo sequer, na canção inteira, que não seja doloroso. Na verdade, "Black, do Pearl Jam" é o nome de um dos círculos do inferno de Dante. O pior deles. E uma vez dentro da música, não há mais como sair. Trecho Avassalador:And now my bitter hands / cradle broken glass / of what was everything / all the pictures had / all been washed in black / tattooed everything/ all the love gone bad / turned my world to black / tattooed all I see / all that I am / all that I'll be
1 - Always - Bon Jovi Essa canção deve ser o maior ímã de mulheres da história. Sério. Uma canção bonita falando sobre o amor incondicional de um cara por uma mulher? Na mosca. Mas chegou aí por seus méritos: Always é um conto sobre o sujeito que não conseguiu escapar. Que vive eternamente apaixonado por algo que jamais poderá ter. O desespero aqui não é só da perda, mas também de um futuro repleto de frustração, ciúme e dor. E o Bon Jovi, apesar de seu cabelo Quanto Mais Idiota Melhor, captou bem a situação - o vocal chorado dele cai como um FLUMINENSE nessa dose maciça de tristeza que é a música. Always coloca pra debaixo das cobertas qualquer ser, em qualquer lugar do mundo, e faz isso com uma nota Sí amarrada nas costas. Então, é apenas justo que assuma a primeira posição. Trecho Avassalador:When he holds you close, when he pulls you near / when he says the words you've been needing to hear / I wish I was him, 'cause those words are mine / to say to you, 'til the end of times that I / will love you / baby / always
O filme Batman: O Cavaleiro das Trevas é tão bom que, sempre que eu assisto, preciso de toda minha força de vontade pra não amarrar uma toalha nas costas e sair por aí desossando bandidos alucinadamente.
Aliás, a conciliação entre uma bilheteria absurda e críticas absurdamente favoráveis, somada ao fato de que a película versa sobre uma personagem mundialmente conhecida há anos, deu a O Cavaleiro das Trevas um ingresso VIP pra cultura pop. E, como qualquer convidado dessa turma, o filme acaba inspirando centenas de obras em dezenas de mídias diferentes, nos mais variados aspectos.
E é graças a isso que podemos presenciar genialidades como o vídeo abaixo:
Moon rise, moon rise, the light that was in your eyes is gone away. Daybreak, daybreak, the thing in you that made me ache has gone to stay
We'll be riding the train without you tonight The train that keeps on moving It's black smoke scorching the evening sky. A million stars shining above us like every soul living and dead Has been gathered together by God to sing a hymn Over the old bones.
Não ter ido à Disney é um dos maiores traumas da minha vida, junto com o cachorro que tentou arrancar minha perna e o galho de árvore que quase arrancou meu olho enquanto eu fugia do cachorro que tentava arrancar minha perna. Enfim. Mais do que os brinquedos e a diversão, a Disney sempre pareceu um lugar onde a lógica das crianças predominava – eu imaginava que, se visse algum adulto carrancudo, teria o direito de chegar e dizer “Com licença, mas o senhor ultrapassou o nível de ADULTICE permitido. Desta vez darei apenas uma advertência, mas da próxima serei obrigado a levá-lo até a montanha-russa”, ou algo do gênero. E então eu sairia fazendo cara de mau e MASCANDO TABACO, sempre em direção a algum brinquedo alucinante.
Porém, inevitavelmente, cresci. Vieram mais responsabilidades, mais situações, mais decisões, e muito menos dinheiro. Parece que a vida ta sempre tentando puxar as pessoas das coisas que elas querem fazer. Mas, apesar de (quase) adulto, a casa do seu Walt ainda está na minha cabeça: quero fazer o Mickey vestir a camiseta do Grêmio; quero colocar a moedinha da sorte em uma máquina de refrigerantes; quero perguntar pra Maga Patalógica se ela conhece o Harry Potter. Mais do que tudo, quero andar em alguma montanha-russa que suba além da ALTAPRACARALHOSFERA, perceber que eu cometi um dos maiores erros da minha vida ao chegar lá no topo e tentar controlar o nervosismo do corpo cantando “Eye of the Tiger” com toda a força.
Porque, de certa forma, ainda há fantasia na Disney (aliás, a Pixar prova isso ano após ano). E eu também quero viajar pra Europa e tal, mas acho engraçado como de repente essas bandas “aventureiras” pelo velho continente e pela Oceania (ou 24 territórios à sua escolha) se tornaram o cálice sagrado das viagens. Digo, é raro ver alguém entupindo seu álbum do Orkut com fotos do Pateta e do Donald. Será por que é “coisa de criança”, e cafés pequenos em Paris são “chiques”?
Às vezes eu acho que a gente ADULTA de forma muito rápida.
- Sabe o que eu mais gosto na internet? - Pornografia.
- Não, cara. Quer dizer... sim, é, mas sabe o que eu mais gosto além disso? - O fato da pornografia ser de graça.
- Não, porra! ... tá, ok, mas fora a pornografia, sabe o que eu mais gosto?
- O que?
- A internet é a democratização da informação. Um lugar onde todo mundo tem vez. Não tem mais o domínio de uma ou duas grandes empresas de mídia.
- É verdade.
- Agora temos os blogs, twitter, orkut, e todo mundo tem seu espaço para dizer o que quiser, pra quem quiser. E qualquer pessoa pode acessar.
- Por falar nisso, hoje eu entrei no globo ponto com e vi que Fran do BBB vai fazer fotos com visual tipo anos 50.
- Sério? Putz, eu passei o dia todo no Terra e não vi isso... Acho ela gatinha.
- Vai sim. É que a notícia entrou faz pouco tempo, eu tava cuidando o site pra assistir os novos vídeos de No Limite, e vi a matéria. Bem legal.
- Droga.
- Parece que eu to melhor informado que tu, meu amigo. Mas a internet é assim, né: quem sabe usar, sai na frente.
- Ah, bem lembrado, eu tava navegando ontem e descobri um vídeo muito legal na web, tu provavelmente não conhece, mas acho que vai curtir. Acessa o Kibe Loco aí...
Os filmes policiais costumam sempre mostrar, além da tradicional reviravolta previsível na rabeira da história, os diferentes aparatos que as equipes utilizam para realizar seu trabalho da forma mais eficiente possível. Vocês sabem, microcâmeras, micro-microfones, substâncias químicas que agem de acordo com a necessidade do roteiro (obrigam o sujeito a dizer a verdade, a ficar desacordado por três horas e dezesseis minutos, a usar manga comprida no verão, etc), e por aí vai.
Cansado dessa modernas soluções, que tornam fácil demais a vida dos policiais cinematográficos e dos roteiristas (nada de injeções da verdade, queremos cenas de interrogatório como a de Los Angeles - Cidade Proibida!), resolvi expor aqui os três principais artefatos utilizados nas esquematizações hollywoodianas. Como o Cataclisma 14 tem alcance mundial, duvido que aqueles chocarreiros coloquem algum desses objetos na frente das telas novamente.
O clips de papel É a versão fílmica do Coringa no baralho de cartas. O clips de papel surge quando há a necessidade do improviso e de reforçar uma personagem como eficiente. Por exemplo: fulano tem que desarmar a bomba. A bomba está fechada. Ele precisa abrir, mas não há tempo para ligar para um chaveiro (nunca há, aliás). O que o sujeito faz? Pega um clips de papel, desentorta, enfia no buraco (frase que atrairá visitantes pornográficos do Google, fato), remexe um pouco e corre pro abraço. Além dessa, o clips de papel também possui funções magnéticas, desarmadoras, prendedoras e, eventualmente, homicidas.
A arma escondida
Vilões de filmes policiais definitivamente não assistem filmes policiais. Porque alguém sempre leva uma arma escondida, e pega todo mundo de surpresa com ela, salvando o dia (no meio cinematográfico, isso é chamado de "efeito Réver"). Levando em consideração que as pistolas, assim como os celulares e o bom senso, estão cada vez menores, esta é uma solução fácil para tiras espertos e roteiristas preguiçosos. Diabos, hoje em dia mal dá pra entrar em uma faculdade sem ser revistado, e o crime organizado não possui sequer um detector de metais decentes? Façam-me o favor.
O gravador
Sem dúvida nenhuma a mais poderosa arma utilizada por esquadrões da polícia e produtores que só querem encher o rabo de dinheiro. O gravador pode até ter uma roupagem diferente (um software, um telefone ligado, uma latinha com um fio conectando-a a outra em um local mais distante), mas o princípio é o mesmo: enquanto o vilão explica minuciosamente como chegou até ali e quais ações pretende tomar, afinal, ninguém mais pode impedi-lo, o mocinho registra tudo com um gravador escondido. Segue-se a isso a entrada do Esquadrão Especial Deus Ex-Machina, que fica sabendo das maracutaias e joga o vilão no XILINDRÓ. Dessa forma, cortam-se os quarenta e cinco minutos que seriam necessários para tornar a prisão do inimigo remotamente plausível, e o filme é lançado nos cinemas com uma metragem acessível. Tudo isso graças a um tijolinho eletrônico com uma fitinha dentro. Ah, esses japoneses...
Se você pratica o ócio criativo de forma exagerada (leia-se “desempregado”), sabe que sua vida está amarrada a uma circunstância específica, uma ditadura de palavras bem arranjadas, um coletivo de informações sobre a sua pessoa chamado de “Currículo”. É isso mesmo. Embora o lema “não julgue um livro pela capa” seja muito bonito, é uma folha de papel que vai fazer a diferença entre ter dinheiro pra ir no cinema ou ficar jogando videogame em casa (até porque a situação ideal, jogar videogame na tela do cinema, não existe, assim como sexo sem conseqüências e a objetividade do Robinho).
O Currículo nada mais é do que a sua vida vista pelo capitalismo. Porque a última coisa que interessa ali é se você é uma pessoa decente – não adianta colocar no documento, por exemplo, que certa vez você salvou um gato de uma árvore ou impediu que Michael Bay lançasse um novo filme. Não adianta colocar que você ficou mais de um ano sem formatar o Windows ou que teve sucesso ao mijar contra o vento. E nem pense em citar a noite com a Dani, aquela morena espetacular cujas pernas roliças poderiam sustentar um edifício de apartamentos. Nada disso faz diferença para eles (sim, o termo é usado com uma conotação conspiratória, uma vez que todos os analisadores de currículos do mundo provavelmente pertencem ao mesmo clubinho. Dá até pra imaginar os caras na sede, jantando um banquete de auto-estimas alheias e degustando copos com sangue de virgens). O que interessa é o que você sabe fazer objetivamente. Cursos, palestras, seminários, essas são as cartas do baralho. E, só pra constar, aquela noite jogando bombinhas no chão com o seu primo não conta como workshop, e não te gabarita para uma vaga em alguma empresa de químicos. Talvez como integrante de alguma torcida organizada.
A grande verdade é que todos seus anos de estudo, trabalho árduo e experiências são resumidos a um número determinado de itens, dispostos em uma seqüência determinada e que vão determinar o seu futuro. No mundo de hoje, uma vida cabe em uma folha de papel – aliás, um simulacro de uma folha de papel, em 99% dos casos. Em certas ocasiões há o portfólio, que faz as vezes daquela camiseta de marca que você veste quando vai encontrar uma mulher bonita, mas no geral a sua bagagem de vida vai ficar presa entre as curvas de uma Times New Roman.
Menos mal que, ao menos, podemos escolher quantas vezes damos “Enter” entre uma linha e outra. Privilégios desse mundo democrático no qual vivemos.
Recebi um e-mail hoje com o título "André, último dia pra comprar Viagra com 10% de desconto".
Esse é um novo tipo de spam que pretende ofender os internautas? "André, último dia para se inscrever na parada gay", "André, último dia para ir se foder", "André, último dia para comprar a nova camiseta do Corinthians com desconto".
E eu achava que "publicidade agressiva" era uma expressão com sentido figurado. Pelo menos ainda tem gente que se importa comigo, como a Petrinacope612vy. Ela enviou um e-mail com as fotos da nossa viagem para a Ásia e disse que tá com saudades.
E eu nem sabia que tinha viajado até a Ásia. Isso que é amiga.
O maior de todos. Desde que surgiu para o mundo, Pelé reuniu um sem-número de habilidades sobre-humanas, uma gama de recursos que impressionam até o mais cético admirador do esporte.
O que poucos sabem, entretanto, é que o Rei do Futebol teve seu aprendizado ao lado de Ken e Ryu. Sua determinação e chi o levaram a um patamar inalcançável para os jogadores mundanos e, em homanagem a seu mestre, ele comemora seus gols com o golpe máximo do Karate:
Direção: Pete Docter e Bob Peterson Roteiro: Bob Peterson
Elenco Ed Asner (Carl Fredricksen) Jordan Nagai (Russel) Christopher Plummer (Charles Muntz)
Um senhor na melhor idade[/publicidade], pra não ser jogado em um asilo, resolve literalmente mandar tudo pelos ares - o sujeito enche a casa de balões e sai voando com ela até a América do Sul, tentando realizar um sonho de sua falecida esposa. Só não contava com um escoteiro que pegou carona sem querer, e agora vai fazer a adrenalina da viagem SUBIR.
Antidopping na Pixar já! Lá se vão quase quinze anos desde o primeiro Toy Story (com toda a algazarra em torno do lançamento, por ser o primeiro longa-metragem 3D), e o braço tridimensional da Disney continua estuprando a expressão "difícil é se manter no topo": embora não atinja o grau de GOL DO TITULO AOS 46 DO SEGUNDO TEMPO visto em Wall-E, Up é uma produção que esbanja qualidade, criatividade, inspiração, diversão, e tantos outros ade's e ão's. É assaz empolgante como o filme foge dos caminhos óbvios, lançando na tela situações e personagens que não apenas movem a história para a frente, mas cativam o espectador (assim que encontrar pra vender, vou comprar um daqueles PAVÕES VITAMINADOS que aparecem). O destaque, claro, fica pra relação entre Carl (o idoso) e Russel (o escoteiro bonachão), que cria uma dinâmica própria dentro do esquema "velho rabugento mas com coração de ouro" e "garoto irritante que acaba conquistando a platéia e o velho rabugento". E é uma dinâmica que dá muito certo.
Tecnicamente, Up é impecável, digno de uma caixa de cerveja gelada na beira da praia. A preocupação com os detalhes (a barba de Carl vai crescendo aos poucos ao longo da projeção), a composição das cenas, a utilização das cores (os milhares de balões deixam aquelas propagandas nonsense da Sony comendo poeira), as feições das personagens, tudo parece ter sido trabalhado com carinho e dedicação inabaláveis. E o melhor é que convergem para uma história concisa, onde os elementos se encaixam na ordem certa, no lugar certo, transitando entre humor, drama e aventura com a facilidade de um Dunga enfrentando a Argentina.
Como se não fosse o suficiente, a animação consegue tratar com elegância um assunto delicado (ainda mais considerando que é um filme "pra crianças"). Pois Up também lida com questões como a perda de pessoas especiais, a frustração diante de sonhos não conquistados, a solidão. E o faz de forma comovente e otimista, criando uma mensagem bonita e acessível a qualquer público, seja ele um Russel ou um Carl.
Portanto, se em determinados momentos da projeção tu sentir que as lágrimas estão querendo escapar pelo cantinho, não se envergonhe: diga apenas que foi uma PIXAR que caiu no seu olho e siga em frente.
Se tem uma coisa com a qual jamais vou me acostumar, além das convocações esdrúxulas do Dunga, essa coisa é andar de avião. Sério. Foge à minha noção de absurdo que toneladas de ferro e aço consigam zombar da gravidade só porque são confeccionados em um formato bacana. Eu sei, eu sei, tem todas aquelas questões de engenharia, aerodinâmica, magia negra, etc, mas mesmo assim, é uma historinha conveniente demais. Na minha cabeça, o que as aeronaves fazem é dar um pulão entre um aeroporto e outro - por isso a necessidade de escalas em vôos mais longos, como numa competição de salto triplo.
Uma vez dentro do aparelho que odeia Newton, as coisas parecem mais mundanas. Existem janelas, existem poltronas, e, como em qualquer ônibus, o avião dá uns trancos de vez em quando (o que, uma vez que tu perceba que não há estrada de chão embaixo pra que o dito-cujo dê esses trancos, torna-se algo incomum). Falta a cordinha pra puxar quando estiver chegando na parada, mas tudo bem, dá pra viver sem isso. Já a calma das aeromoças é algo aterrorizante - percebam as expressões de ESTOU ASSISTINDO UM DOCUMENTÁRIO SOBRE COPOS que elas fazem ao indicar procedimentos que devem ser realizados em caso de DESPRESSURIZAÇÃO, ATERRISAGEM NA ÁGUA, POUSO DE EMERGÊNCIA e GREVE DOS CONTROLADORES AÉREOS. Como é que elas não fazem ao menos uma careta enquanto é discutida a possibilidade da aeronave beijar o chão? São um bando de ciborgues? Drogam-se antes dos vôos (BEIJA O CHÃO, reforma!)? É angustiante!
A decolagem e a aterrisagem são até fáceis de encarar, caso a pessoa já tenha andado de montanha-russa ou transporte coletivo alguma vez na vida. A parte da disposição nas poltronas, entretanto, exige um pouco mais de cautela: inicialmente, todo mundo quer se regozijar na janela e tal, pra ver o mundo do alto. Nesse caso, sugiro escolher um lugar distante da asa, pois ter aquele objeto em primeiro plano com o resto do planeta ao fundo um tanto desfocado dá uma sensação meio chroma key. Mas se a pessoa já fica tonta ao subir em tapetes, talvez o ideal seja um espaço mais perto do corredor e do banheiro, uma vez que abrir o vidro pra vomitar resultaria em uma tragédia sem precedentes (há também a possibilidade de se aventurar na janela em um vôo noturno, onde as cidades ficam parecendo nada mais que circuitos eletrônicos. Ou seja, na hipótese daquele monte de aço sucumbir à gravidade, o maior prejuízo do acidente seria uma eventual troca na PLACA-MÃE). Além do mais, a pessoa no corredor é sempre a primeira a receber os lanchinhos, e convenhamos, todo mundo fica feliz em ser o primeiro.
O engraçado é que andar de avião torna-se uma experiência de extremos, pois envolve aquele momento onde o sujeito se pega lendo um livro como se estivesse deitado na rede de casa, e também aquele momento onde o sujeito olha pela janela e perde o fôlego. Do comum ao extraordinário, do rotineiro ao surreal, em questão de segundos. E, claro, dando suas passadas pelo suspense, também - afinal, não podemos nos esquecer das "zonas de instabilidade climática". Nem dos banheiros. Vai que alguém dá a descarga naquela porra a vácuo e acaba despressurizando toda a cabine...
O sobrenome é o mesmo. O talento pra escrever canções não é tão grande, mas a voz do Jakob Dylan pelo menos é melhor do que os lamúrios anasalados do seu pai, o Bob. E a canção a seguir arrancaria lágrimas até de uma estátua.
(era ou esse vídeo com cenas de LOST, ou um com cenas de Heroes, os únicos onde eu achei a canção. Como Heroes não seria titular nem no Fluminense, apelei pra LOST)