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Cinema estrangeiro
André - 18 abril 2011 - 01:28
Apesar de já ter ido algumas vezes até São Paulo, sempre que acabo tendo que circular pelas movimentadas ruas da cidade eu preciso parar e refletir violentamente pra que lado vou (assumindo que eu conheço o caminho, claro; se eu não conheço, não há Google Maps que me faça desbravar os perigos de tal jornada). Isso contribui para que eu constantemente me sinta como um estrangeiro naquela metrópole, tipo aquele sujeito que chega numa festa sem conhecer ninguém e não consegue se entrosar ou a nova trilogia de Star Wars.

E na viagem para o show do U2 não foi diferente. Só que, enquanto tentava adivinhar de qual lado da Av. Paulista eu estava (no meu GPS biológico, a Paulista não tem lado com números pares e lado com números ímpares, e sim um lado onde os prédios têm antenas enormes no topo e outro onde eles não têm), parei para ir ao cinema e conferir a animação Rio (filme que não decola, como vocês podem ver na minha crítica). Então lá fiquei eu, duas horas preso em um mundo de araras azuis, samba e roteiristas preguiçosos. Eis que, quando saí da sala, precisei me recompor ao bater de frente com um fato que havia ignorado durante o filme: eu não estava em Porto Alegre.

Certo, a coisa não foi tão dramática assim. Mas foi uma sensação deveras esquisita. Quer dizer, eu vou ao cinema com bastante frequência, e sempre saio da sala pensando sobre o filme, e sempre tenho um comportamento automático ao me dirigir para as saídas/restaurantes dos shoppings que frequento. Foi com essa certeza que saí da sessão de Rio, e por isso fui tomado de assalto por uma estranheza momentânea, já que não conhecia os arredores. Tipo quando o cara acorda de um sonho e mesmo sabendo onde está (em casa) não tem certeza do que está acontecendo, pra que lado ir ou o que fazer a seguir. Foi como se, nas duas horas em que fiquei dentro do cinema, eu tivesse sido transferido para uma zona neutra, que não era Porto Alegre nem São Paulo, um lugar à parte de regionalismos e diferenças culturais, e ao sair de lá meu organismo automaticamente voltou ao seu status quo - no caso, identificar uma situação e reagir a ela da forma como está acostumado a fazer ( = correr pra parada do ônibus pra não perder o T7). E só depois o organismo virou pra mim e falou "Toto, acho que não estamos mais no Kansas".

Daí comecei a tentar elaborar a coisa, construindo um cenário onde a sala de cinema é como uma embaixada universal, válida para os mais diferentes povos, oferecendo segurança e conforto e escapismo a todos os que se aventuram por ali. Mas logo me encontrei de novo na Av. Paulista e descartei esse pensamento, não por desgostar dele, mas sim porque eu precisava de todos os meus sentidos e habilidades para identificar se tinha que ir para o lado com ou sem antenas da avenida.
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