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Desafiando o controle
André - 31 março 2011 - 14:24
Aqui em casa tem um controle remoto que não funciona, por mais força que se apertem os botões (faz diferença sim) ou pensamento positivo que se coloque em cima dele (abraço, teoria de O Segredo). Isso naturalmente implica em um deslocamento de massa do sofá até a TV que, antes, era totalmente descartável, sendo substituído pelas ondas que ligavam o controle até o aparelho. Ou seja, podemos dizer que a relação entre a capacidade funcional do controle remoto e a diminuição da vida sedentária é inversamente proporcional.

O que me levou a pensar. Vivemos em uma época onde o sedentarismo é questionado e julgado, onde a ditadura do corpo colocou agentes disfarçados de academia em cada esquina para nos intimidar. A toda hora, em todo lugar, a prática de exercícios é incentivada. Até mesmo o McDonalds tem um "pratique exercícios regularmente" nas suas embalagens. Entretanto, ao mesmo tempo em que nos condena pela preguiça, pelas barrigas de chope, pelos músculos flácidos, o mundo fica atirando na nossa cara cada vez mais soluções para incrementar esse sedentarismo: controles remotos, elevadores, sofás com frigobar embutido, poltronas mais confortáveis do que um ÚTERO, e por aí vai. É o tipico caso do "faça o que eu digo, mas não faça realmente, apenas se sinta mal por não fazer pra que minha imagem não seja prejudicada".

Ironicamente, o único mercado que parece remar contra esse tsunami de conforto é o dos videogames, com seus Nintendo Wii, Playstation Move, Kinect e derivados, cujo objetivo é exatamente o de colocar o jogador chacoalhando seu esqueleto pra lá e pra cá enquanto se atira em posições esquisitas para vencer no jogo. Justamente o videogame, esse companheiro injustiçado, esse herói das multidões, que resistia bravamente quando mães pelo mundo afora vociferavam para seus filhos "sai desse videogame, vai brincar lá fora, fazer um pouco de exercício".

Gostaria de saber o que diria agora esse exército de mães ao ver seus filhos, antes alvo de impropérios por forjarem alianças com os videogames, se divertirem e se movimentarem e praticarem exercícios com esses mesmos malfalados videogames, enquanto elas recostam-se no sofá todas as noites, com os olhos grudados na telinha e o controle remoto na mão.
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