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Mágica
André - 23 abril 2007 - 12:06
Todos os Corações do Mundo (Two Billion Hearts)
5/5

Direção: Murilo Salles
Roteiro: Deuses do Futebol

"It's not the game. It's the people."

"Todos os Corações do Mundo" é o filme oficial da FIFA sobre a 15ª Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos em 1994.

O torneio mais importante do esporte mais popular do mundo. Ao contrário das atuais "Copa Fair Play", em 1994 bonito era dar sangue e suor pelo seu país. Afinal, é o mínimo que a torcida espera. A festa é de todos.

Consciente disso, o diretor Murilo Salles não aponta suas câmeras apenas para o campo: faz da torcida uma personagem importante (desnecessário dizer que aparece alguém com a camiseta do Grêmio, né?), desde a gritaria nos estádios até a tristeza na casa do goleiro Preud'homme, passando pela bela Amsterdam e mostrando a desolação de Roma. Os comentaristas dão lugar a fãs, e os "comentários técnicos" são substituídos por gritos, provocações, reclamações e cantos inspirados. Está criado o clima, uma vez que cada pequena drama de um torcedor é igual ao nosso.

Já dentro das quatro linhas, a equipe extrai o máximo possível de seu equipamento, arrancando closes de gestos, nuances dos dribles, das comemorações. Não se resume à Tele Cam do FIFA e dos replays comuns, buscando a dramaticidade de cada ação: o beijo de Pagliuca na trave; o indiscutível pênalti a favor da Bulgária não marcado na semifinal; a bicicleta de Balboa; a cobrança de falta perfeita de Stoitchkov. Ao invés de mostrar todos os gols, aposta nos eventos que teoricamente não são tão importantes, mas ajudam a construir o esporte e que ficam na memória (tem como esquecer a extravagância do goleiro Ravelli?). Somado a isso, surgem as belas escolhas de enquadramento e movimentos de câmera (quando a situação permite, claro), como o sensacional plano onde Brasil e Itália estão prestes a entrar em campo na final e Romário, em primeiro plano, é observado por Baggio ao fundo. Ou aquele que acompanha a entrada do time búlgaro antes da partida contra a Alemanha, pelas quartas de final: quase grudada nas costas do último jogador, a imagem não mostra quem está entrando pois no vestiário há pouca luz. Somente quando o campo surge e o sol aparece é que podemos ver, nas costas, o número oito com "Stoitchkov" escrito em cima.

Outro ponto que merece destaque é o texto da narração, nem jornalístico demais nem poeta demais (como o Pedro Bial na última Copa). É um texto apaixonado por futebol, seja para definir os confrontos com elegância("A Argentina é o passado, o presente, o futuro. A Nigéria, apenas o futuro. E não é bobo.", no momento que a Nigéria sai na frente dos hermanos), explicar situações ("O pênalti é uma sentença de morte na qual a vítima quase sempre é o carrasco") ou apresentar jogadores ("...jogador da linhagem dos canhotos históricos", sobre o romeno Hagi). Existe claramente uma admiração por todos os aspectos do jogo, revelando a intensidade dos sentimentos que esse esporte proporciona ("A Espanha se recolhe a uma longa noite de tristeza. Uma noite que irá durar quatro longos anos"). Peço licença para citar minha parte favorita: o número dez da Romênia avança com a bola, enquanto o narrador fala "A bola corre aos pés de Hagi. A bola corre com os pés de Hagi". O jogador enquadra o chute e bota a pelota no fundo da rede, saindo para comemorar enquanto a torcida grita "HAGI! HAGI! HAGI!" e o narrador completa: "A festa é dele". Arrepiante.

Com uma montagem eficiente, que imprime ritmo através das ótimas transições entre as seleções ("Win Germany...?"), os letterings inspirados ("Brasil: tática. Disciplina. Talento. Concentração. Romário.") e os cortes rápidos (muitas vezes em sincronia com a narração ou provando o contrário do que um torcedor afirma), o filme torna-se dinâmico, e os 108 minutos passam rapidamente. A trilha se divide bem entre o empolgante e o emocionante, aumentando o drama e o suspense conforme o que está acontecendo, e a edição se puxa tanto em alguns momentos que é possível ficar nervoso antes do último pênalti ser batido. Mesmo sabendo o desfecho.

Romário, Hagi, Baggio, Stoitchkov, Taffarel, Klinsmann, Maradona, Raduciou, Mathaus, Okocha, Letkov, Batistuta, Preud'homme, Maldini, Brolin, Jorge Campos, Dumitrescu, Bebeto, Baresi, Ravelli, Balakov, Voeller, Caminero e muitos outros. Todos heróis, forjados dentro das quatro linhas. Sabendo que a Copa do Mundo é o palco principal, proporcionaram um espetáculo de superação, raça, técnica, categoria e habilidade. Um torneio inesquecível que, registrado sob a lente de cineastas-torcedores, torna-se uma apaixonada declaração de amor ao futebol.

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